Review – Ultraman, de Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi (Volume 1)

Review-UltramanUma nova visão de um herói clássico

O anúncio da Editora JBC durante a sua rápida palestra do Fest Comix em julho, foi recheado de nostalgia com o mangá baseado do clássico tokusatsu, as séries de efeitos especiais japonesas, Ultraman.

O mangá é de autoria de Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi, com base no universo criado por Eiji Tsuburaya e a sua empresa, a Tsuburaya Productions. Serializado na revista mensal Heros, da editora Shogakukan conta até o momento com seis volumes encadernados, com o sétimo previsto para dezembro de 2015.

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A HISTÓRIA

A série começa com um breve epílogo da série tokusatsu original, quando o primeiro Ultraman entrega para Shin Hayata a força da vida que seu superior, Ultraman Zoffy, trouxe para oferecer ao humano que foi hospedeiro do gigante de luz. Após essa introdução a história passa a se focar em Shinjiro Hayata, filho de Shin Hayata, que tem um poder especial de nascença, consequências do período que seu pai conviveu com o Ultraman em simbiose. Um dia, Shinjiro foi atacado por inimigos desconhecidos e um guerreiro de armadura salvou o dia, quando este desmascarou-se mostrou à Shinjiro que era seu pai, autoproclamado Ultraman. Com o objetivo de ajudar seu nada jovem pai Shinjiro lança-e à batalha, vestindo uma armadura de Ultraman semelhante a de seu pai, fornecida pelo Sr. Ide, um ex-membro da Patrulha Científica. Na sequência da batalha o verdadeiro destino do herdeiro do primeira Ultraman começa a ser desbravado.

62CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

O mangá de Ultraman começa com um importante resumo que posiciona o leitor na situação do mundo do primeiro Ultraman. A série original está perto de completar 50 anos desde sua primeira exibição no Japão, e sua última exibição em terras brasileiras não foi completa.

Partindo da apresentação de um universo que está na memória de quem conheceu a saga do guerreiro da terra das luzes, a nebulosa M-78, o mangá de Ultraman reduz o tamanho dos heróis e traz uma trama que começa em casa, e não no conflito com monstros, o difícil relacionamento de um pai mais velho e um filho adolescente que não entende o motivo de ser diferente.

Somente com o passar das páginas que a verdade sobre o passado vai sendo descoberta por Shin, que foi desmemorizado pelo Ultraman, e Shinjiro, que é misteriosamente atacado durante suas aventuras em descobrir seus poderes por um estranho ser alienígena. Com a chegada do salvamento de seu pai, equipado com uma armadura tecnológica, a história passa a mostrar a luta de um filho para salvar seu pai e descobrir que os humanos nunca estiveram sozinhos no planeta.

74-75O enredo do mangá de Ultraman se assemelha muito com histórias em quadrinhos de ação atuais, sobretudo americanas, deixando a sua leitura com um alto grau de dinamismo e fluidez e bem distante do tokusatsu original. E é neste ponto que mora o perigo dele, ao se distanciar do principal conceito original, o gigante prateado e vermelho lutando contra monstros gigantes, a história poderia se estrelado por qualquer outro tipo de herói, oriental e ocidental, sendo necessário confiar no que pode vir para continuar reconhecendo esta história como do Ultraman.

Os principais personagens Shin e Shinjiro são clássicos em mangás, podendo ser considerados uma condensação de diversos clichês. Shin é o herói que não lembra de seu passado heróico, mas cuja carreira profissional o levou ao alto cargo e reconhecimento público, sendo que o reconhecimento de seu filho adolescente uma das suas batalhas atuais. Shinjiro é muito semelhante aos típicos protagonistas de mangás shonens, com o típicos problemas que um filho adolescente tem com o pai, mas com um pesado legado à carregar e um enorme potencial de desenvolvimento, que me lembrou muito alguns recentes protagonistas das séries Kamen Rider e do jovem Hikaru Raido, de Ultraman Ginga (2013) e Ultraman Ginga S (2014).

A arte do mangá possui uma linguagem muito atual, com forte dinamismo e quadros ricos, detalhados e memoráveis, como o surgimento de Shin na armadura-protótipo ou o disparo do raio spacium com a clássica posição em cruz do herói. Há na arte uma importante atualização do herói, com um certo grau de realismo dos monstros e alienígenas que aparecem até então, é um ponto importante de continuar observando em futuros monstros e outros guerreiros Ultra que o mangá pode vir a ter.

126A EDIÇÃO NACIONAL

Ultraman é o mangá que teve um anúncio quase que sozinho em um dos maiores eventos de quadrinhos do país. Carregado de nostalgia, para atrair o público mais velho que conheceu as séries Ultra quando passavam na TV, a editora acerta em atrair esse público e despertar a curiosidade do público mais novo, que atualmente pode conferir de forma limitada ao tokusatsu por falta de investimento do gênero no país. Ao público e à editora é a hora ideal de tirar o tokusatsu da nostalgia e mostrar que o gênero ainda respira e se renova a cada ano, tendo a renovação proporcionada no mangá um claro exemplo disso.

Editorialmente falando temos uma edição muito bem trabalhada, seguindo os padrões da editora e com uma grande gama de fontes, algumas me incomodam, mas entendo a necessidade delas onde foram utilizadas. A capa segue o padrão que a publicação vem sendo adotada ao redor do mundo, não tendo um grande diferencial nela, mas a quarta capa com uma imagem totalmente diferente ficou bem marcante, fico curioso em saber como será as próximas edições. Uma boa escolha da editora foi manter o mangá com periodicidade bimestral, como ele ainda está em publicação e possui poucos volumes deve demorar para alcançar o Japão.

Já falando da parte gráfica temos pontos a elogiar e pontos a se criticar. É um mangá com ricas e grande número de páginas coloridas – 16 ao todo -, não recordo título algum que tenha tantas páginas coloridas assim, além disso tem um número fechado de páginas, sem espaço para propagandas sem relação ao mangás, é ação do começo ao fim. Mas os pontos negativos já começam no formato, que é o 12 x 18 cm e mais próximo ao utilizado no Japão, mas para páginas como a que podem ser vistas muito se perde em um formato tão reduzido, é uma escolha que considero infeliz. A capa é no papel cartão padrão dos mangás da editora, poderia ter sido utilizado o couchê de Kill la Kill que ficaria melhor, Já o papel no miolo é de se criticar, o offset utilizado é transparente em diversas páginas, sua aplicação em páginas coloridas está boa, mas nas páginas preto e branco, a maioria, afeta a leitura de uma forma negativa, espero melhoria por parte da editora nesse quesito.

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COMENTÁRIOS FINAIS

No final Ultraman é um mangá que atende as expectativas, ao trazer algo realmente novo de um herói conhecido, mas que pode decepcionar aquele que está aguardando novas histórias do seu herói de infância. Se pretende ler o mangá esteja pronto para encarar algo novo, diferente daquele herói da sua infância que tem em suas lembranças.

Como uma nova leitura do herói discrepâncias podem acontecer, mas o maior perigo delas é se a história se prender ao universo apenas do primeiro guerreiro Ultra, sendo que o gênero da família Ultra possui um universo rico de personagens, heróis e monstros, que podem e devem ser explorados para mostrar que este mangá não presta tributo a apenas um período, sendo presente na mídia a meio século.

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FICHA TÉCNICA

Ultraman_01

 Título: ULTRAMAN (ULTRAMAN)
Autor: Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi
Editora: JBC
Total de volumes: 6 (ainda em publicação)
Periodicidade: Bimestral
Valor: R$ 14,90

Pontos Positivos

  • Título para diversos públicos;
  • Enredo atualizado para um herói clássico;
  • Personagens marcantes;
  • Páginas coloridas;
  • Periodicidade.

Pontos Negativos

  • A nostalgia que o título carrega;
  • Perigo da descaracterização do herói;
  • Formato pequeno, desvalorizando a arte;
  • Papel do miolo com problemas de transparência.

Nota Volume 1: ★★★★

Asevedo

Designer de formação, atualmente sou Assistente editorial da Panini Mangá. Acumulo mangás e HQ's, que espero conseguir ler um dia. Assisto animes de vez em nunca.

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  • Cherubim

    Eu acho exatamente o contrário da questão do formato, acredito que deixa muito melhor os detalhes que foram para ser assim, pois aquela edição gigante e feia (na minha opinião) estica os desenhos deixando-os sem enquadramento, eh só olhar as edições de fairy tail, the seven deadly sins, 20th century boys, monster entre outras e comparar com o original.

  • will

    gostei fico legal os ponto positivo e os ponto negativo o tamanho para mim fico legal unico defeito e o papel transparente mesmo

  • Shiniryuu

    Deveriam ter trazido o outro mangá do autor, Kurogane no Linebarrels. Pelo menos seria um mangá completo, e não em andamento como Ultraman.

  • Kit

    Perai, não tem monstros gigantes? como assim? D:
    so ia ler por causa deles

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