Review – Fate/Stay Night, de Dat Nishiwaki (Volume 1)

Review-FateStayNight“Eu lhe pergunto. Você é meu Mestre?”

Durante o Fest Comix de 2015, em um dia que podemos chamar de #Fateday, a editora Panini anunciou o mangá de Fate/Stay Night, a famosa franquia de jogos, animes e colecionáveis chega ao país com sua versão em mangá.

A adaptação em mangá é de autoria de Dat Nishiwaki, tendo sido publicada na revista mensal Shonen Ace, da Editora Kadokawa, entre os anos de 2006 e 2012 e compilada em 20 volumes. A conhecida adaptação para anime foi feita por dois estúdios. O Studio Deen lançou 24 episódios baseados na rota Fate em 2006 e o filme para a rota Unlimited Blade Works em 2010. O estúdio Ufotable, o mesmo do anime de Fate/Zero, lançou 26 episódios entre os anos de 2014 e 2015 em sua versão para a rota Unlimited Blade Works, e anunciou que produzirá uma filme para a rota Heaven’s Feel.

O jogo original de mesmo nome é do tipo Visual Novel Eroge e foi desenvolvido pela TYPE-MOON, escrito por Kinoko Nasu e ilustrado por Takashi Takeuchi, tendo sido lançado para PC em 2004. Uma versão mais branda, Fate/Stay Night [Realta Nua], foi lançado para Playstation 2 em 2007, Playstation Vita em 2012 e para Android e iOS em 2015. Outros jogos da franquia foram lançados, nos mais diversos estilos e plataformas, mas todos tem como ponto de origem Fate/Stay Night.

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A HISTÓRIA

Em Fate/Stay Night temos a história de Shirou Emiya, cuja vida pacata muda completamente quando ele se vê envolvido em uma grande batalha entre sete Magos e sete Servos, seres poderosíssimos que buscam o Santo Graal, o cálice sagrado capaz de realizar qualquer desejo. Para impedir uma catástrofe como a que o deixou órfão, o rapaz firma um pacto com Saber, a bela guerreira de cabelos dourados  e olhos de jade que surge para defendê-lo.

Cronologicamente essa história se passa após Fate/Zero, material que será lançado no formato novel pela editora NewPOP. Mas não se preocupe: conferir Stay Night antes de Zero é quase como conferir a antiga trilogia de Star Wars antes da nova, ou seja, a forma correta seguindo a ordem de lançamento. Você também pode acompanhar ambos simultaneamente, já que as histórias se ligam em diversos pontos e revelam acontecimentos da outra com relativa frequência.

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CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

O mangá de Fate/Stay Night começa de forma um pouco diferente das suas versões em anime. Após uma breve recordação do passado, que é spoiler de Fate/Zero, temos, no lugar da rotina matinal de sua casa com a professora Taiga Fujimura e Sakura Matoh, a assistência de Shirou ao presidente do conselho estudantil em consertos no colégio. Com essa diferença de ritmo as batalhas pelo cálice sagrado já começam no meio do primeiro capítulo, com Shirou sendo “morto” pelo servo Lancer após ter visto a batalha dele com outro servo, mas ele volta à vida de uma forma misteriosa.

Os fatos que se seguem apresentam as regras da guerra, como a de que não deve haver testemunhas e por isso Lancer persegue Shirou até sua casa, mas o garoto invoca Saber, a sétima classe de servo participante da guerra, que termina o primeiro capítulo com a arrepiante frase “Eu lhe pergunto. Você é meu Mestre?”. Caindo na história de paraquedas Shirou presencia a luta de Saber com Lancer, que recua após seu golpe mortal falhar e Saber descobrir a real identidade do herói, uma desvantagem enorme para o lanceiro. Não entendendo ainda as explicações de Saber outros servos e mestres aparecem, nesse momento Shirou descobre que Rin Tohsaka, uma popular estudante do colégio é uma maga participante da Guerra do Cálice Sagrado, mestra do servo Archer.

Como Shirou não entende a situação que se encontra cabe à Rin explicar melhor do que se trata a batalha dos sete Mestres e sete Servos pela posse do cálice sagrado, o Santo Graal, um artefato onipotente que realizará qualquer desejo. Shirou também é apresentado ao padre Kirei Kotomine, o supervisor da Igreja Kotomine para a quinta guerra do cálice sagrado. Como faltava apenas o sétimo mestre participante se apresentar à igreja os demais mestres estavam na espreita para atacar e a mestra Illyasviel von Einzbern ataca os dois mestres com seu servo Berserker, o guerreiro louco. As sangrentas batalhas pelo cálice sagrado começaram de uma forma alucinante.

FSN106Os magos e servos são personagens marcantes, mesmo que tenham características típicas de mangás shonen até então, no primeiro volume não se explora tão a fundo. Shirou é o protagonista que segue a jornada do herói tradicional. Saber é uma personagem feminina forte, não apenas nas habilidades de combate, mas tem uma aura muito nobre e imponente. Rin tem um papel de guia para a história, ganhando destaque quando aparece, mais uma personagem forte. Lancer é um personagem misterioso, porém também serve de guia até o aparecimento de Rin. Illyasviel e Berserker são uma dupla de psicóticos, a frágil pequena mestra e a montanha de músculos ensandecida. Kirei tem um papel de orientação por  conhecer todos os participantes e presenciar a guerra desde seu início.

A arte do mangá tem como base a original do jogo criado por Takashi Takeuchi, mas o traço de Dat Nishiwaki tem suas diferenças, principalmente no rosto dos personagens, que são mais redondos e com um queixo mais marcado, mas as cenas de batalha e a composição com as onomatopeias demonstra muito bem o movimento. O traço lembra Carnival Phantasm e Take Moon, anime e mangá que fazem paródia de diversas franquias da TYPE-MOON no aniversário de 10 anos da mesma. Uma curiosidade apresentada no final do volume é que o autor não utiliza a tradicional técnica de desenho em nanquim, ele desenha tudo diretamente no computador, um caso interessante e de quebra da tradição do nanquim no papel.

O enredo do mangá segue seu ritmo e se distancia do jogo ao apresentar situações que mesclam rotas do jogo original, fazendo com que ele tenha a sua própria rota. Ao descartar situações conhecidas com personagens secundários na trama, como acontece com a Taiga e a Sakura, permite um foco maior na guerra pelo cálice, mas o aparecimento de situações cotidianas no decorrer da obra são fundamentais para que o fato de uma guerra estar ocorrendo nas sombras da sociedade não seja tão evidenciada.

FSN146A EDIÇÃO NACIONAL

Fate/Stay Night é um mangá que poderia ter vindo ao Brasil antes, mas o mercado nacional atual está muito mais maduro para receber a obra, caso tivesse sido lançado na época do anime do Studio Deen não teria aproveitado o atual bom momento da franquia Fate, com animes melhores produzidos e jogos nas mais diversas plataformas. Um sinal de maturidade do mercado nacional é a Panini e a NewPOP terem conversado para escolherem a melhor forma de adaptar vários termos recorrentes nos títulos da franquia que as duas estão publicando, demonstrando um cuidado com a franquia no país. É esse tipo de atitude que amadurece o mercado nacional e faz as editoras japoneses terem bons olhos para as editoras brasileiras que buscam licenciar obras. Uma atitude para se agradecer e parabenizar ambas as editoras.

A adaptação do mangá está muito boa, não trouxeram aquelas traduções estranhas da época que o anime foi dublado e exibido no extinto Animax, mas ainda falta saber como ficarão outros termos importantes do mangá que não apareceram no primeiro volume, o que ocorrerá em breve, já que o título é mensal. O primeiro volume não possui glossário, que pode aparecer nos próximo volumes, algumas coisas precisam de um texto mais longo para se entender e também para explicar quem são os espíritos heroicos dos servos. Ao final se tem um texto muito bom que explica o motivo de algumas adaptações, um texto excelente para se ler antes ou depois da leitura. O editor da obra no Brasil, o Diego M. Rodeguero, é um grande fã da franquia “Fate” e de todo o “Nasuverse” e ter um fã editando o material é certeza que está em boas mãos e que mais pessoas se tornarão fãs.

A parte gráfica do mangá tem pontos bons e ruins. Vamos falar logo do ponto ruim que é o papel, aparenta ser de uma gramatura maior, porém é um papel diferente do utilizado em Tokyo Ghoul, tem outra textura e foi impresso na mesma gráfica que a grande maioria dos mangás do país, uma bola fora enorme da Panini voltar para a mesma gráfica depois de ter feito várias experiências diferentes e interessantes em outras gráficas. Agora os pontos bons, o preço que a obra conseguiu ser lançada foi muito bom para uma edição que tem páginas coloridas e marca página acompanhando a primeira edição, além do verso da capa colorido que traz a imagem da capa inteira, compraria até mais de uma edição se fosse um pôster. O letreiramento do mangá está bem fluido, uma leitura bem dinâmica e rápida, os últimos lançamentos que li de forma tão dinâmica foram Ataque dos Titãs – Antes da Queda e Ultraman. A capa nacional está melhor que a original, não só no melhor aproveitamento da quarta capa, mas como também nas cores mais vivas.

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COMENTÁRIOS FINAIS

Fate/Stay Night é o mangá ponta de lança para a franquia Fate no Brasil, existem muitos outros títulos da franquia que merecem chegar ao país, assim como outros produtos. O fato de estar sendo lançado com a novel de Fate/Zero no país, e o cuidado que as duas editoras tiveram, é importante para que se crie e aumente as bases de fãs da franquia. Como o mangá tem periodicidade mensal os 20 meses passarão rapidamente, quem sabe não vem o mangá de Fate/Zero na sequência.

Para quem não conhece a franquia recomendo que comece pelo mangá de Fate/Stay Night, para que conheça o ambiente da Guerra do Cálice Sagrado de uma forma menos densa e quando sentir que já entende melhor o universo comece a ler Fate/Zero também, mas tenha consciência de que revelações sobre o futuro de Stay Night podem acontecer, assim como há de Zero em Stay Night. Este é apenas o início da Guerra do Cálice Sagrado, invoque seu servo e esteja pronto para as batalhas que virão.

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FICHA TÉCNICA

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 Título:  Fate/stay night
Autores: Dat Nishiwaki (quadrinhos) e TYPE-MOON (original)
Editora: Panini
Total de volumes: 20 (concluído)
Periodicidade: Mensal
Valor: R$ 12,90

Pontos Positivos

  • Adaptação e padronização de termos;
  • Página coloridas e marca página por um preço baixo;
  • Capa com cores vivas;
  • Saber.

Pontos Negativos

  • Papel do miolo;
  • O protagonista;

Nota Volume 1: ★★★★★

Asevedo

Designer de formação, atualmente sou Assistente editorial da Panini Mangá. Acumulo mangás e HQ's, que espero conseguir ler um dia. Assisto animes de vez em nunca.

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  • Eu comprei o volume 1, e concordo plenamente. Ótimo review.

  • 12,90 é LUZ!

  • Azullay

    Hahaha o melhor foi o protagonista ser o ponto negativo (o que é uma grande verdade)

    “Pessoas morrem quando são mortas” Shirou Emiya

    • Keima Kaname

      “As pessoas geralmente morrem quando são mortas.” – Tohsaka, Rin.
      http://i.imgur.com/LQjYbFI.png
      Da Navi do Shirou [i.e. Rin] ninguém comenta. /人 ◕ ‿‿ ◕人\
      Obs.: Pequena revelação de enredo da rota Unlimited Blade Works de Fate/Stay Night na imagem acima.

  • Ponto negativo: O Protagonista AUHUHAUHSUH concordo!
    Agora sério, concordo tudo nessa Review e para completar vou comprar Light Novel da NewPop 🙂

  • Essas págs tão complicadas. A JBC eu desisti. Não compro nada além das séries que já comecei.
    Gosto de Fate/Stay, mas não me interessei muito pelo manga.
    Espero que façam uma review de Fate/Zero. Esse sim eu quero. Espero que a New Pop tenha contratado um revisor novo.

    • lucassm16

      Eles melhoraram bastante do volume 2 em diante em No Game No Life. Também torço para que tenham tido cuidado com Fate/Zero.

    • Fate/Zero? Aguardem e confiem.

  • Não sei nada sobre Fate, mas acho que não vou pear esse mangá, só o que vejo é gente falando que é mediano, não é lá essas coisas. Vou comprar mesmo a novel da NewPop. Espero que a novel seja boa mesmo.

    • Se você não conhece Fate eu recomendaria pegar o mangá também, é bom conhecer o universo da sua maneira. Uma outra dica que vale a pena é buscar ver o anime, o Fate UBW tem na Netflix.

  • Madao

    Ótima review. Eu sou um grande fã da série e estou comprando os dois, o da Panini e da NewPOP. Eu só acrescentaria como ponto negativo o fato das 3 rotas terem se mesclado nessa adaptação em mangá. O interessante das 3 rotas é que em cada uma você conhece um lado diferente do protagonista Shirou, só que, ao juntar as 3, você só conhece o lado bundão dele. No mais, compro qualquer coisa de Fate que sair aqui no Brasil 😛

    • Madao.Na verdade só a rota Fate e Unlimited Blade Works estão mesclado no mangá.Heaven’s Feel ficou de fora.

    • Eu não acho ruim pegar características de todas as rotas, isso dá uma originalidade ao título, mas é muito mais influenciado pela Fate e UBW que são até semelhantes em ritmo se comparada com Heven’s Feel. Heaven’s Feel atualmente possui um mangá só para a rota, que é a mais complexa de todas.

  • Pingback: Checklist – Panini: Janeiro de 2016 | ChuNan! - Chuva de Nanquim()

  • Acho uma boa essa mescla das rotas Fate (original) e Unlimited Blade Works (rota 2, do anime da ufotable). Como fã da Saber, a rota original é aquela em que a personagem tem mais destaque. Mas a rota UBW explora outro personagem interessante, o Archer, e sua relação com o Shirou. Aliás, gosto bastante do garoto e não acho um protagonista ruim!
    Vou conferir o mangá!

  • Bonnibel Peebles

    Ponto positivo: Saber
    Ponto Negativo: O protagonista
    Pura verdade! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  • Nunca tinha lido e assistido Fate, Comprei o volume 1 do mangá e não curti , acho que vou dropar :/

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