Review – Black Cat veio para lhe trazer má sorte!

headerComo poderia um assassino de sangue frio passar a amar a vida e viver livre como um gato de rua??

Publicado em 2000 e de autoria de Kentarou Yabuki – o mesmo ilustrador e colaborador de To Love-Ru – Black Cat é o típico mangá  de “lutinha” da Shounen Jump que tem lá seus 20 volumes fazendo um sucesso razoável. Mas agora você me pergunta, então o que Black Cat tem de diferente de todos esses outros shounens que vem saindo atualmente?? Bom, eu não sei pois eu leio muito pouco esse tipo de mangá. Na verdade eu estava meio cansado do gênero mas resolvi dar uma chance para essa série, e vou dizer que meu gosto por shounens de lutinha voltou um pouco à vida! Até já estou planejando ler outras séries do tipo. Mas vamos ao que interessa.

3A história

Quando muito criança, Train Heartnet teve sua família assassinada por um homem chamado Zaguine Axeloake. Zaguine, porém, decide deixar Train viver e o acolhe (!), treinando-o para ser um assassino frio. Assim, Train cresceu aprendendo a matar, de alguma maneira ele parecia não demonstrar tanta raiva por esse homem ter matado sua família. Zaguine então acaba morrendo e é quando Train finalmente entra para a Chronos, uma poderosa organização que domina um terço da economia mundial. Essa organização possui um grupo de assassinos cuja função é tirar aqueles que apresentem ameaça à organização. Esse grupo se chama Chrono Numbers, onde é designado um número para cada membro do grupo. Nesse momento é quando Creed Diskenth, também um Chrono Number, é mandado para ser parceiro de Train – que não gosta muito da idéia por preferir trabalhar sozinho. Creed fica maravilhado com o espírito assassino de Train, sendo a única pessoa em quem ele realmente confia.

O tempo vai passando quando Train conhece a pessoa que mudaria sua vida para sempre: Saya Minatsuki. Saya é uma bela garota de espírito livre que vive como um gato de rua, ela trabalha como uma sweeper (caçadora de recompensas profissional), ou seja, ela caça bandidos em troca de dinheiro. E Saya tem uma filosofia muito pura, ela nunca mata seus inimigos pois acredita que as pessoas podem mudar. Conforme os dois vão ficando mais amigos, Train começa a seguir o passos da garota e consequentemente a descumprir as orders da Chronos de matar seus alvos, gerando assim um tumulto dentro da organização – que já estava ciente de que Saya era a causa da mudança de Train.

2Mas quem realmente ficou irritado foi Creed, que desenvolveu um ciúme doentio da garota por estar roubando o seu Train. Destinado, Creed vai ao encontro de Saya para executá-la achando que assim Train voltaria ao normal, os dois lutam mas ela acaba se sacrificando para salvar a vida de algumas crianças que estavam no local. Não preciso dizer o quão chocante foi a morte de Saya para Train, depois desse ocorrido Creed foi expulso da Chronos e simplesmente sumiu do mapa, já Train também saiu da Chronos e se tornou um sweeper.

Dois anos se passam e é agora que o mangá começa, Train se uniu a outro sweeper chamado Sven Vollfied, típico gentleman, e Eve; uma arma biológica viva capaz de usar nanotecnologia para transformar seu corpo – apesar de possuir a aparência de uma inocente garota. Enquanto Creed nesses dois anos esteve criando um grupo chamado Apostles of the Stars, cujo objetivo é destruir a Chronos e revolucionar o mundo – mas isso é uma desculpa para o verdadeiro objetivo mesquinho e egocêntrico dele, na verdade Creed deseja se tornar imortal através do poder da nanotecnologia e se vingar da Chronos por ter sido expulso de lá quando matou a Saya – já que na sua cabeça ele apenas estava ajudando Train a voltar a ser quem era.

Assim a história segue tendo esses três principais grupos lutando entre si, cada um com seus interesses e ideais: Chronos que busca a estabilidade do mundo através da força, os Apostles of the Stars que desejam acabar com o reinado da Chronos e criar um novo mundo e os protagonistas sweepers que querem apenas o fim dessa guerra.

5Considerações Técnicas

Talvez tenham alguns pequenos spoilers a partir de agora, nada muito grande mas leia por conta e risco.

Certamente Black Cat tem um plot bastante interessante, duas grandes organizações que lutam pelos seus interesses e no meio disso o protagonista que busca sua liberdade. E achei muito legal eles terem feito cada um dos vilões terem seu próprios ideais, ao invés de aquela coisa do “chefe do bando e seus seguidores fieis não importa o quê”.  Vemos personagens que deixam o grupo dos Apostles of the Stars ao perceberem que na verdade Creed não quer revolucionar o mundo, mas está apenas atrás de sua vingança pessoal. Ou mesmo dentro da Chronos temos aqueles que estão lá apenas pela matança e aqueles que realmente acreditam que o método deles é a melhor forma de o mundo ser um local melhor.

Mas, apesar de isso ser algo bom teve um problema: Black Cat tem muitos personagens, e ótimos personagens por sinal, mas não houve tempo para trabalhar todo mundo – o próprio autor diz que ainda tinha muito pra escrever sobre eles no final -, deixando aquela sensação de “eu preciso saber mais sobre esse personagem, como ele chegou onde está agora? O que levou ele a fazer o que fez?” etc. Somente dentro da Chronos são pelo menos 12 personagens, e é impossível não querer saber mais sobre Jenos Hazard, o galanteador; Lin Shaolee, o mestre nos disfarces;  e principalmente – na minha opinião – Sephira Arks, a líder dos Chrono Numbers. Isso porque eu só citei personagens da Chronos, fora dela ainda temos Rinslet Walker, ladra profissional, que eu jurava que entraria para o grupo dos protagonistas mas acabou se distanciando um pouco, ela é muito carismática e deveria ter tido mais participação do meio pro fim ao invés de darem mais atenção para a Kyoko (ela é muito chata).

10Já no grupo dos confusos Apostles of the Stars temos alguns dignos de serem lembrados: Leon, o manipulador do vento, que acaba cedendo sua teimosia após presenciar a compaixão de Eve; Shiki, mestre dos insetos, que estava obsecado pelo poder do tao mas foi libertado por Train; Echidna Parass, cuja habilidade é criar portais, e sua real afeição à Creed (Echidna é outra das minhas personagens favoritas);  Charden, misterioso manipulador de sangue que abandona os Apostles devido à mudança de foco do grupo e infelizmente ele acaba sendo esquecido, um dos personagens que mais gostaria de saber da história. E claro, não podendo faltar o próprio Creed Diskenth, com sua louca obsessão por Train ele tenta de tudo para convencê-lo a se juntar aos Apostles of the Stars, de algum modo ele realmente acredita que pode convencer Train a isso – mas também, só ele acha que vai conseguir.

Bom, citei apenas alguns por cima, o mangá ainda possui muitos outros personagens interessantes e que acabam não sendo muito aprofundados, mas dentre todos eles nenhum se compara à personagem de maior destaque para a série: Saya Minatsuki. Quem, assim como o Train, não se apaixonou pela forma como a garota enxergava a vida? Sempre com seu kimono e um sorriso no rosto, Saya certamente é a personagem mais cativante e foi responsável por quase me arrancar algumas lágrimas no final do mangá – isso porque Black Cat não possui muito drama.

12Talvez o mangá tenha se desviado um pouco na parte em que o Lin reúne sweepers para derrotar o Creed e eles têm que jogar um jogo de video game pra serem classificados… Achei vergonha alheia essa parte, mas mesmo com pequenas baixas vale e muito a pena os 20 volumes desse mangá, seja pelas lutas legais e diferentes habilidades dos personagens, pela briga de interesses das organizações e diferenças de ideais dos personagens, ou mesmo por Train e sua cativante inocência e bom coração.

7Comentários Gerais

O mangá é basicamente ação, não apela para o ecchi como algumas séries e também não é é puxado para o romance – apesar da relação de Saya e Train, segundo o próprio, ele era apaixonado pela forma como Saya encarava a vida (e não por ela). Até porque justamente esse não é o foco da série – romance -, onde o máximo que chegamos são algumas cenas de comédia onde a  Kyoko dá em cima do Train mas ele a rejeita sem dó nem piedade. Fora isso a série é sustentada nas lutas, ambições dos personagens, ‘força da amizade’, e etc. Talvez por isso acredito que o mangá tenha pecado um pouco na parte onde os personagens supostamente evoluem.

Não sei, eu acho tão… sei lá, Power Rangers (nada a ver), quando coincidentemente todos os personagens principais desenvolvem uma técnica nova ao mesmo tempo e então conseguem derrotar o inimigo – apesar dos golpes serem legais (Vision Eye do Sven e Reflect Shot da Saya FTW) -, acho que poderiam fazer algo menos clichê apesar de tudo. Ou então as evoluções da arma do Creed, começa no nível 1, dai ele perde; vai pro nível 2; daí perde de novo e vai pro 3… Freeza, oi? Mas tudo bem, sabemos que são alguns clichês que sempre estarão presentes nesse tipo de shounen, e isso não é algo que vá fazer alguém gostar menos da série, pois na verdade as lutas são muito legais.

6Finalizando, certamente recomendo esse mangá, fazia muito tempo que eu não lia tão rápido assim, pois quem me conhece sabe que sou lerdo as hell. Seja você previamente um fã de shounen lutinha ou não, Black Cat é uma boa opção pra quem procura ótimas aventuras e personagens cativantes.

8

por Trunqs

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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