Mulher sabe fazer shounen! – Parte 2

Segunda parte e final da matéria mostrando que mulher é boa quando o assunto é mangá.

A primeira parte da matéria foi um sucesso, e apesar do tempo que passou, não poderíamos deixar para trás a segunda parte. “Mulher sabe fazer shounen!” provou que apesar do preconceito, muitas pessoas nem ao menos sabem quem são os autores de suas obras favoritas. Nomes como Arakawa e Akira Amano são incógnitas para muitos, mas depois de ouvirem “Fullmetal Alchemist” e “Reborn!”, automaticamente você entende que muitas das obras “populares” são feitas por mulheres e com maestria.

Nessa segunda parte, 7 autoras novas para vocês descobrirem que não são “eles”. Obras que com certeza você já ouviu falar e que com certeza ainda vai ouvir falar de suas autoras mais vezes no futuro. Então chega de enrolação e vamos conferir as “indicadas” dessa vez. Se você não conferiu a Parte 1, clique AQUI.

D.Gray-Man

de Katsura Hoshino

Quando falamos de shounen escritos por mulheres, também não podemos deixar de fora D.Gray-Man. Além de já fazer parte do escalão dos mais vendidos da Jump, D.Gray-Man conquistou um fandom muito grande em seu auge, principalmente quando ganhou um anime que rendeu mais de 100 episódios e ainda ganhou o toque do T.M.Revolution. A nossa tia Hoshino publicou durante muito tempo na revista semanal da Shueisha, mas devido a doenças (que nunca sabemos ao certo qual é, mas que especula-se que seja algo bem grave) acabou sendo transferida para a mensal Square. O mangá caiu um pouco nas vendas, mas Hoshino consegue ter um traço cada vez mais belo em sua obra, e, aparentemente ganhou mais liberdade para liberar o seu lado “fangirl” na série.

InuYasha

de Rumiko Takahashi

Chega a ser injusto colocar a Rumiko Takahashi no meio dessa lista. Podemos dizer que ela é uma “mãe” pra os shounens. Ela é provavelmente a maior autora do gênero e de maiores obras de sucesso também. InuYasha, que é o nosso exemplo, provavelmente é o título mais famoso da autora por aqui devo a exibição do anime e mangá lançado durante a década de 2000. Mas não podemos tirar da lista obras como Ranma ½, Urusei Yatsura e o atual Rin’ne, todos saindo das páginas da Shounen Sunday e a tornando uma espécie de mentora para diversos artistas do gênero. Isso sem falar que ela está na lista das artistas mais bem pagas do Japão e bem… não há motivos para sequer pensar que ela não tenha sido importante para os quadrinhos lá. Alguns inclusive consideram Urusei Yatsura como um marco para o ecchi. Então agradeçam à tiazinha!

100% Morango

de Mizuki Kawashita

Quando algumas pessoas ficam sabendo que a autora de tantos mangás ecchi é na verdade uma mulher, muitos olham tortos ou desconfiam de tais informações. Ichigo 100% e Hatsukoi Limited são exemplos de mangás de mangás ecchi que saíram das páginas da Shounen Jump – o primeiro com um sucesso ainda maior, ganhando 19 volumes encadernados (que estão sendo publicados no Brasil pela Panini) e um anime de 13 episódios. A série conquistou uma grande fama em pouco tempo, rendendo à autora sempre algum trabalho por lá na Shueisha. Embora Morango não tenha sido um sucesso de vendas no Brasil, é inegável que a série se tornou bem conhecida por aqui, e inclusive chegou a ser muito pedida pelos fãs. Um dos destaques dos mangás de Kawashita, é que apesar do nível de cenas “picantes”, os romances são sempre muito explorados (por mais que se apaixonar por um pirulito, como em Hatsukoi, seja bizarro) e isso acaba sendo sua marca registrada.

Saint Seiya Lost Canvas

de Shiori Teshirogi

Eu me recuso a acreditar que Lost Canvas tenha sido sequer pensado por Masami Kurumada. A série é considerada por muitos o melhor mangá dos Cavaleiros dos Zodíaco e por trás de tudo existe um nome: Shiori Teshirogi. A autora que antes fez alguns shoujos de curta duração, conseguiu colocar em Lost Canvas um traço lindo e o que realmente os fãs da série dos cavaleiros buscam no título. Apesar de ser considerado “genérico” por alguns, não há de se negar que todos os capítulos da série foram feitos de uma forma muito dedicada, com um visual sempre muito belo e arrojado. Não a toa o mangá foi um sucesso que ganhou os “Gaiden”. Infelizmente o anime não teve o mesmo sucesso e foi cancelado pela TMS pelo baixo lucro obtido (é galera, Saint Seiya não é tão lucrativo no Japão quanto alguns pensam). De qualquer modo, não podemos deixar ela de fora. No fundo todos sabemos que Lost Canvas é dela. E só dela.

Ao no Exorcist

de Kazue Kato

Pense em um fenômeno recente que foi alavancado por um anime. Pensou. Certo, existem muitos título que podem ter aparecido em sua cabeça, mas nenhum com um sucesso tão estrondoso como Ao no Exorcist. Depois de seu anime de 25 episódios pelo estúdio A1-Pictures, o mangá tomou o posto de título mais vendido da Square e um dos mais vendidos atualmente da editora! E tudo isso também nas mãos de uma mulher chamada Kazue Kato. O mangá vem aos poucos conquistando diversas partes do mundo (chegou a entrar na lista dos mais vendidos dos Estados Unidos também) e alcançou um sucesso de proporções que ninguém imaginava. Diversos boatos diziam que a autora se mudaria para a Jump semanal, mas isso nunca se concretizou. Em partes, é um ótimo ponto, uma vez que o traço da autora é lindo e provavelmente ganharia um desgaste muito grande com a mudança de periodicidade.

Tsubasa ReservOir Chronicles

de CLAMP

Que as tias do CLAMP são conhecidas no mundo inteiro pelos seus belos traços e histórias que encantam legiões de fãs, por que não dizer que os shounens delas também sempre acabam ganhando grande destaque por onde passam? Está sendo assim com Gate 7 e claro, foi assim com Tsubasa ReservOir Chronicles, mangá que foi publicado na revista semanal Shounen Magazine. Apesar das autoras terem sido apedrejadas, terem seus nomes queimados na cruz e causado a convulsão de muitas pessoas com a trama do mangá, é inevitável dizer que esse foi um dos seus títulos mais marcantes, principalmente pelo fato de juntar tantos “mundos” de obras anteriores delas juntos. Afinal, vai me dizer que você não ficou todo em êxtase quando soube que a pequena Sakura Card Captor estaria de volta em uma série? Pois é, bem ou não, elas não são algumas das autoras mais conhecidas do mundo à toa.

Hikaru no Go

de Yumi Hotta

Para muitos, Takeshi Obata tem em Hikaru no Go o seu melhor mangá já feito, superando o já clássico Death Note e o recém-finalizado Bakuman. Porém há de se destacar que um nome foi o verdadeiro responsável pela história tão elogiada de Hikaru no Go: essa moça chamada Yumi Hotta foi a grande roteirista do mangá, e ao lado de Obata conseguiu um dos melhores mangás que já saíram nas páginas da Shounen Jump. Além de ter criado um roteiro que envolve e conquista leitores de todas as idades, Hotta conseguiu a magia de unir um esporte desconhecido do mundo – o Go – em uma série extremamente popular e elogiada. Para os que tiveram a oportunidade de ler o mangá em volumes (publicados por aqui no Brasil pela editora JBC) percebe pelos comentários esporádicos da autora, toda a dedicação que ela teve ao fazer esse título. No mínimo uma pesquisa intensa de regras, informações do jogo e tudo mais que com certeza levou-a à um desgaste impressionante. Espero um dia poder vê-la novamente em outra série, não concordam?

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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