Review – Sket Dance: Comédia, drama e muito carisma!

headersketerO Sket-Dan se despede do público após 6 anos de amizades, risadas e lições de vida.

Sket Dance, mangá de comédia da famosa Shonen Jump, foi encerrado no dia 8 de Julho de 2013. O mangá percorreu um caminho tal que o torna digno de ser considerado um dos clássicos da revista. A seguir, um pouco da história e da trajetória desse mangá que se tornou uma verdadeira aula de como cativar o público, emocionar, encantar e principalmente aplicar lições sobre a vida. Com vocês, o Sket-Dan.

sket 1A História

Sket Dance começa nos apresentando 3 jovens inusitados: o energético, tapado e prestativo Bossun (Fujisaki Yuusuke), a esquentada e poderosa Himeko (Onizuka Hime) e o estranho nerd que fala através de um computador Switch (Usui Kazuyoshi). Os três fazem parte de um clube diferente dentro de sua escola, o Sket-Dan, responsável por auxiliar as pessoas das mais diversas maneiras tendo como único objetivo resolver seus problemas, sejam eles quais forem. Apesar da temática simples, o clube enfrentará os olhares diferentes de outros clubes do colégio gerando os seus próprios conflitos e problemas com novos personagens no decorrer do tempo, surgindo assim os tais rivais da série. Claro que tudo envolvendo o bom humor dos personagens, suas atitudes bizarras (como o Switch saber de toda a vida de alguns, Himeko sair distribuindo porrada em todos e o Bossun resolvendo tudo na base de suas meditações mágicas) e situações que te farão chorar de rir ou de tanta emoção.

8Considerações Técnicas

Antes de Sket Dance

O caminho que levou à publicação de Sket Dance começou em 2005, quando Kenta Shinohara, assistente de Hideaki Sorachi em Gintama, publicou na revista para novatos Akamaru Jump a história fechada O Show de Fantoches do Panda Vermelho. A história não fez sucesso o bastante para virar série na Shonen Jump, mas logo em 2006 Shinohara publicou mais um one-shot na Akamaru Jump. Era a história de Mimori Konno, uma garota que, estando em meio a um problema, decide recorrer a um grupo chamado Sket-Dan. O grupo consistia em Switch, um mestre na obtenção de informações que falava apenas pelo computador; Himeko, uma ex-delinquente que agia como o músculo da equipe; e Bossun, que liderava o trio com suas capacidades de dedução e concentração acima do normal. É interessante notar que tanto Bossun quanto o protagonista de O Show de Fantoches do Panda Vermelho eram muito parecidos fisicamente com seu criador. 

sketO one-shot Sket Dance pegou, e logo Shinohara publicou outro one-shot com esse conceito na própria Shonen Jump. Nele, o trio Bossun, Himeko e Switch ajudava uma estudante que estava sendo ameaçada. A história seguia repleta de piadas e culminava num final dramático e melancólico, mas mesmo assim positivo, sobre deixar as dificuldades para trás e seguir em frente. Depois desse segundo one-shot, Shinohara estava com o caminho livre para publicar Sket Dance como série semanal na Shonen Jump.

Acima, da esquerda para a direita: "Panda Vermelho", one-shot "Sket Dance" na Akamaru Jump, one-shot "Sket Dance" na Shonen Jump. Abaixo: Página colorida do primeiro capítulo de Sket Dance na Shonen Jump.
Acima, da esquerda para a direita: “Panda Vermelho”, one-shot “Sket Dance” na Akamaru Jump, one-shot “Sket Dance” na Shonen Jump.
Abaixo: Página colorida do primeiro capítulo de Sket Dance na Shonen Jump.

Fazendo barulho na Shonen Jump

A série estreou em 2007, com o Sket-Dan atendendo estudantes que precisavam de ajuda com alguma coisa. No começo, a grande força de Sket Dance vinha na forma de capítulos episódicos em forma de paródia. Num capítulo, por exemplo, o estudante precisando de ajuda se vestia e se comportava como samurai, o que dava pano para satirizar o entusiasmo exagerado dos personagens desse estilo. Noutro, a história se focava numa estudante que enxergava o mundo como um mangá shojo de romance, com todos os clichês envolvidos. Em ainda outro, vinha ao Sket-Dan uma garota obcecada por ocultismo que fazia referências absurdas a histórias de terror.

6Mas, assim como fez nos one-shots, Shinohara não deixou que a série se sustentasse apenas em suas piadas bem-feitas, e escreveu arcos dramáticos de altíssima qualidade. Um dos primeiros entre os mais notáveis é um em que Bossun decide ajudar uma garota violinista que sonhava em estudar música no exterior, mas estava receosa e não tinha nenhuma confiança. O impacto do arco foi muito grande para uma série que ainda não tinha anime. Os eventos do mangá chegaram ao conhecimento da famosa banda japonesa the pillows, pois nesse arco Bossun aprendia a tocar no baixo a música da banda intitulada Funny Bunny. As coisas chegaram num ponto que Kenta Shinohara foi convidado pela banda para desenhar a capa do single de uma nova versão da música. A maneira com que o Sket-Dan ajudou a garota violinista não deixou dúvidas no leitor japonês que Bossun, Himeko e Switch eram pessoas muito prestativas e, por que não dizer, legais, do tipo que qualquer um gostaria de ter como amigo. E tudo isso é mais que reforçado quando o autor esclarece o passado de cada protagonista: no volume 5 nós descobrimos o porquê de Switch usar um computador para falar, no volume 7 é mostrado como Himeko se tornou uma delinquente, no volume 10 mostra-se o que levou Bossun a querer ajudar outras pessoas. É praticamente impossível não se emocionar: cada um dos membros do Sket-Dan tem uma história traumatizante em seu passado, mas todos eles usam isso como motivação para seguir em frente, e qualquer um que os vê no presente não pode acreditar que eles tiveram uma vida menos que feliz.

QuestDancePontos altos e notáveis

A paródia de gêneros, que é um dos pontos mais fortes de Sket Dance, atinge seus picos nos capítulos de realidade alternativa. Nessas histórias ocasionais, personagens se veem no meio de uma história completamente fora do ambiente escolar, como Rocket Dance, que mostra o Sket-Dan como patrulheiros espaciais, e Quest Dance, que apresenta vários personagens da série como se fossem personagens de um RPG medieval. Já a paródia de arquétipos chegou num ponto bastante interessante quando o autor resolveu parodiar o arquétipo da tsundere. Foi apresentada uma nova personagem chamada Saaya, cujo comportamento de tsundere era tão intenso que ela o considerava um obstáculo para sua vida social, a ponto de pedir ajuda psicológica ao Sket-Dan.

3Comentários Gerais

A qualidade da narrativa de Sket Dance é muito acima da média para um mangá de comédia. Uma frase aparentemente sem importância dita no começo de um capítulo pode ser bastante relevante para a piada final. Num arco de mistério, tanto as pistas verdadeiras como as falsas são abundantes, e todas são analisadas perspicazmente por Bossun. Um personagem que pede ajuda ao Sket-Dan uma vez pode fazer uma breve aparição vários capítulos depois, sem a menor falha de caracterização. E essas reaparições são às vezes bastante discretas: o autor conta com o leitor para reconhecê-las sozinho e ter sua experiência de leitura enriquecida. Mesmo com alguns eventos absurdos acontecendo na história (afinal, estamos falando de um mangá de comédia), Sket Dance possui uma continuidade sólida e não subestima a inteligência do leitor.

5E tudo isso se amarra agora, com o fim da série. Sket Dance acabou, mas a obra ainda existe para quem quiser abraçá-la. Eu particularmente ficaria muito feliz se esta humilde resenha te inspirasse a dar uma chance para esse mangá. Bossun, Himeko, Switch, muito obrigado por todos os bons momentos proporcionados a mim e a tantos outros leitores pelas vidas dos quais vocês passaram. Qualquer dia, amigos, a gente vai se encontrar.

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por @BuffetDance, do blog Shonen Mania

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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