O lado otaku da Comic Con

Pra você que curte o mercado americano de mangás, fique por dentro dos lançamentos da Comic Con, feira internacional de quadrinhos!

Aconteceu de 20 a 24 de julho em San Diego a Comic Con, uma feira internacional de quadrinhos e cultura nerd em geral. E hoje o Chuva de Nanquim vai comentar a parte que mais nos interessa: mangás. Lembrando é claro que estamos falando do mercado americano de mangás, portanto não confundam com os lançamentos do nosso Brasil.

Antes de começar, eu sou o Trunks, estou fazendo uma ponta aqui no Chuva de Nanquim e agradeço ao Dih pelo convite de fazer esse post! (Depois acertamos o valor dos royalties).

Lançamentos

Sailor Moon volume 1, editora Kodansha.
Sailor Moon volume 1, editora Kodansha.

As principais editoras norte americanas de mangás estiveram presentes na Comic Con, como VIZ, YenPress e Kodansha. Acrescentaria que a editora Seven Seas infelizmente não fez sua aparição no evento, provavelmente por ser uma editora realmente pequena e talvez até sem muita presença no mercado. (Apesar de ter ótimos títulos como Gunslinger Girl, Toradora e Dance in the Vampire Bund que tem aparecido na lista dos mangás mais vendidos do New York Times).

Começando pela ordem de chegada, a Kodansha foi a primeira das editoras a se apresentar. Ela não mostrou nenhuma novidade pois já havia anunciado seus títulos anteriormente, mas mesmo assim marcou presença no evento e mostrou como pretende pegar a sua fatia do mercado – hoje dominado pela poderosa VIZ. Dentre os títulos mais aguardados da editora está Sailor Moon e Codename: Sailor V. Sim, todos nós sabemos do problema que envolve esse mangá e sua rígida autora, Naoko Takeuchi, que dessa vez estará acompanhando a nova tradução que seu mangá receberá. Será que podemos começar a criar esperanças para a estréia desse título aqui no Brasil?

Bloody Monday volume 1, editora Kodansha

A editora Kodansha ainda falou de seus outros mangás que estão por vir. Eles lançarão uma versão omnibus (3 volumes em 1) de Negima e Love Hina com uma nova tradução, assim como de Rave Master contendo apenas os três últimos volumes da série que estava incompleta pela TokyoPop. Ainda na onda das versões em omnibus, que parece estar agradando os americanos, foi confirmado o relançamento de Tokyo Mew Mew, contando também com uma nova tradução. Para seus mangás standard, a editora começará a publicar Animal Land (do mesmo autor de Gash Bell), Bloody Monday, Cage of Eden (Eden no Ori), Monster Hunter Orage, Gon, Mardock Scramble e ainda irá se aventurar no mercado de BL com o título Until the Full Moon (Full Moon ni Sasayaite) bem como sua sequência At Full Moon. Outro dos destaques é a adaptação em mangá do jogo Phoenix Wright – Ace Attorney.

Pumpkin Scissors volume 5, Kodansha diz que não pretende continuar a série.

Dos títulos antigos da Del Rey, a Kodansha continua lançando regularmente Fairy Tail, Negima, Air Gear, Sayonara Zetsubou-Sensei, Shugo Chara, etc. Entretanto, a continuação de títulos como Yozakura Quartet (Yozakura Shijuusou) e Pumpkin Scissors não está nos planos da editora. Apesar da má notícia a Kodansha conta com ótimos títulos, por isso não duvido vermos Sailor Moon em primeiro lugar no ranking de vendas do New York Times, ou a aparição de Blood Monday e Phoenix Wright entre os mais vendidos.
Os títulos Negima e Fairy Tail são publicados no Brasil pela editora JBC, e Tokyo Mew Mew e Air Gear pela Panini.

Dia 22 foi a vez da VIZ falar sobre seus mangás, e sendo esse o ano em que ela completa 25 anos, tivemos algumas boas novidades. A VIZ falou sobre seus títulos que já estão indo para as bancas, como as versões omnibus de Kekkaishi, Bleach, Naruto e Fullmetal Alchemist, as novels ICO e Ten Billion Days and One Hundred Billion Nights (Hyakuoku no Hiru to Senoku no Yoru). Falaram também sobre a versão sem censura de Tenjho Tenge assim como diversos art e databooks (Vampire Knight, One Piece, Naruto, entre outros). Como sempre, a VIZ não esqueceu das crianças, pois ainda planeja trazer mais duas séries pelo selo VIZ Kids: Fluffy, Fluffy Cinnamoroll (Fuwa Fuwa Cinnamon) e Voltron Force.

Akuma to Love Song volume 1, edição japonesa.

Além disso, como títulos novos tivemos dois anúncios pelo selo Shoujo Beat: A Devil and her Love Song (Akuma to Love Song) e The Earl and the Fairy (Hakushaku to Yosei). Confesso que não sou um entendedor de shoujo, mas você pode conferir aqui um pouco mais sobre The Earl and the Fairy. Outras novidades interessantes foram as versões omnibus de Hana-Kimi e Skip Beat!. Apesar de não saber se isso é uma notícia tão boa pois, ao contrário do selo VIZBIG, suas versões 3-in-1 deixam bastante a desejar no quesito qualidade: não possuem páginas coloridas, a capa é mais mole que o normal e as folhas são muito parecidas com as usadas aqui no Brasil. Para o padrão americano isso é algo bem abaixo da média. Em seguida tiveram dois novos anúncios, os boxes do mangá de Legend of Zelda – que farei questão de comprar – e Pokémon Diamond and Pearl Adventure!. O traço desse Pokémon me incomoda um pouco, pois ele consegue ser mais infantilizado do que as outras sagas; mas, para os fãs da série, box é sempre uma ótima notícia.

E como se não bastasse tudo isso, a VIZ ainda tem seus títulos regulares saindo, que sempre estão presentes na lista dos mangás mais vendidos do N.Y.T. (Entre os 10 mais vendidos, VIZ fica com umas 7 ou 8 posições). Mas lógico, é o que se espera da empresa detentora dos direitos das séries da Shogakukan e Shueisha.

Os mangás Kekkaishi, Bleach, Naruto e Vampire Knight são publicados no Brasil pela Panini.

Personagem Claudia, da adaptação da obra Entrevista com o Vampiro. Desenho por Ashley Marie Witter.

Um pouco mais tarde ainda no dia 22 foi a vez da Yen Press. Editora “novata”, fundada em 2006, e que conquistou seus fãs em pouco tempo devido à qualidade dos mangás, tanto física e na adaptação quanto nos títulos escolhidos, já que com apenas 2 anos de estrada já traziam obras como Soul Eater e Higurashi When They Cry. Na Comic Con ela falou sobre alguns títulos que já haviam sido anunciados como a série The Innocent e a versão omnibus full color de Highschool of the Dead. Ainda, a Yen Press trabalha com mangás originais e já está serializando na sua revista digital o mangá de Soulless, adaptação do livro bestseller de Gail Carriger. E também está trabalhando numa adaptação do famoso Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, que está envolvida no projeto.

Durarara!! (Mangá) volume 1, edição japonesa.

Nas novidades, tivemos o anúncio de Kitty & Dino, Olimpos, Kore Wa Zombie Desu Ka? e Durarara!!. Eu, por estar com muitas expectativas sobre os anúncios, acabei me decepcionando um pouco (Pois é, ainda não foi a vez de Umineko). Os dois primeiros títulos eu realmente nunca tinha ouvido falar, – mas a arte de Olimpos parece interessante – já Kore wa Zombie teve um anime recentemente e parece ter dividido opiniões. Por isso a atenção cai sobre Durarara!!. Lembrando que trata-se do mangá. Mas a Yen Press ainda disse que estava trabalhando em cima de algumas light novels… será que em breve eles anunciarão os livros de Durarara!!? É um lançamento bastante aguardado, assim como as novels de Baccano.

Logo após a Yen Press foi a vez da Udon Entertainment, com poucos mangás em seu catálogo, – entre eles Mega Man Gigamix e Silent Möbius – a editora anunciou que lançará artbooks de Sengoku Basara, Valkyria Chronicles e do designer de Persona, Shigenori Soejima. Além de um mangá em dois volumes de Sengoku Basara.

Melhores e piores do ano

Além da parte das editoras, ainda tiveram duas palestras bem interessantes. A primeira se chama Manga: Lost in Translation, apresentada pelos tradutores Paul Starr, William Flanagan, Jonathan Tarbox, Mari Marimoto e Stephen Paul. Não vou adentrar inteiramente no assunto, mas assim como aqui nós temos algumas discussões sobre adaptação, lá acontece o mesmo. Sempre aquela questão de se deve-se agradar aos fãs “puristas” ou aos casuais, o excesso de coloquialismo, as diferenças do texto adaptado para o texto original, os honoríficos, etc. O consenso é que é impossível agradar os dois lados, então o melhor é fazer um estudo de cada título para saber o melhor modo de tratá-lo.

A segunda palestra foi sobre os melhores e os piores mangás de 2011, escolhidos por 5 especialistas no assunto, a saber: Deb Aoki, Eva Volin, Carlo Santos, David Brothers e Christopher Butcher. Foram 42 títulos escolhidos dentro de 7 categorias. Citarei apenas os que achar de maior relevância ou que eu tiver algo para comentar.

Wandering Son volume 1, editora Fantagraphics.

Começando pelos melhores do ano, foram escolhidos mangás já esperados como One Piece, Fullmetal Alchemist, Blue Exorcist (Ao no Exorcist), 20th Century Boys, séries como Kekkaishi que parece estar agradando muito os brasileiros – eu pelo menos estou gostando mais do que achei que gostaria desse mangá – e Deadman Wonderland que já é aguardado por nós desde a publicação de Eureka Seven, e em breve deve estar nas bancas. Bunny Drop (Usagi Drop) também fez sua aparição na lista. Acompanho o anime e com certeza é merecedor, apesar de ter lido críticas negativas sobre o andamento do mangá, vou aguardar para tirar minha própria conclusão. Um mangá BL também marcou presença nas escolhas, o Bad Teacher’s Equation (Kusatta Kyoushi no Houteishiki). Tiveram mais dois títulos em especial que me deixaram muito feliz de terem sido escolhidos, um deles é Wandering Son (Hourou Musuko), muitos devem ter acompanhado o anime. Esse mangá rendeu ótimas críticas nos E.U.A. pela forma sutil com que a autora trata um tema tão delicado – transgêneros.

A Bride's Story volume 1, editora Yen Press.

O outro foi A Bride’s Story (Otoyomegatari), nova série da renomada Kaoru Mori, que em seu primeiro mangá (Emma, e você pode conferir o podcast do Shoujo Café dele aqui) ganhou o Excellence Prize da Japan Media Arts Festival em 2005, e agora vem obtendo ótimos resultados nas vendas e críticas com A Bride’s Story. Vale ressaltar que tanto Wandering Son quanto A Bride’s Story foram nomeados para o prêmio Great Graphic Novels for Teens de 2012 da YALSA.

Bom, acho que me empolguei um pouco. Voltando para a Comic Con, a próxima categoria foi dos piores mangás de 2011. Entre eles tivemos Highschool of the Dead, Yu-Gi-Oh! 5D’s e Qwaser of Stigmata (Seikon no Qwaser). Acho que não há muito o que comentar pois os títulos são autoexplicativos no contexto, acredito que apenas HotD possa vir a dividir algumas opiniões.
Por final, na categoria de títulos mais esperados pode-se destacar Sailor Moon, Gate 7 e Skip Beat, títulos com certeza igualmente aguardados por aqui, de minha parte em especial a nova obra do CLAMP.
Bom, esse foi um pequeno resumo no que diz respeito aos mangás na Comic Con, desculpem se o texto ficou extenso demais, mas realmente tiveram muitos acontecimentos e ainda precisei me conter um pouco.

Espero que tenham gostado!

por Trunks

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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