Primeiras impressões: Usagi Drop

Mais um anime com o selo de qualidade e dramaticidade Noitamina. Preparem os lenços para as próximas 11 semanas.

Finalmente o anime mais esperado pela maioria das pessoas nessa temporada deu as caras. Muito se comentava sobre como seria a adaptação desse mangá para as telas, com a difícil missão de seguir o bom padrão das últimas séries do horário. Desconfiança? Medo? Receio? Acho que nenhum desses sentimentos restou ao assistir a estréia do anime. Tudo que se viu foi serenidade e beleza.

Não há muito o que falar sobre a estréia dessa animação. Usagi Drop conseguiu ser simples (em um ritmo que alguns podem considerar lento) e que chegou ao final do episódio de uma forma satisfatória, tendo o que muitos animes nos dias de hoje esquecem: apresentação de personagens, climax e resolução. No final, esses elementos podem fazer toda a diferença.

A história

Tudo começa com a morte do avô de Daikichi Kawachi. O rapaz de 30 anos que vive tranquilo e sozinho em seu apartamento, recebe a notícia e se dirige para o velório e enterro do parente. Ao chegar lá, Dai conhece a pequena Rin e se surpreende ao descobrir que a garotinha se trata de sua tia! Não, não estou fazendo confusão. Rin é filha de um caso do avô de Dai com uma moça que abandonou a criança no nascimento. A menina é criada com a família sob os olhares de desprezo e preconceito por se tratar de uma criança “bastarda” e fruto de um relacionamento considerado absurdo.

Após a morte do vovô, todos se perguntam como ficaria a situação de Rin e cogitam enviar a criança para um orfanato. É aí que Dai aparece e toma a frente da situação, perguntando para a menina se ela gostaria de morar com ele. Em uma das mais bonitas cenas do primeiro episódio, Rin aceita e começa a aventura de morar com seu sobrinho (que ela chama de tio, avô,  Daikichi e por aí vai). Logo nas cenas pós-encerramento já vemos um pequeno aperitivo de como será essa relação, que promete arrancar boas risadas e emoções em todos que acompanharem a série.

Considerações Técnicas

A primeira situação inusitada da história é o fato da garotinha ser a tia do tio (?). Particularmente eu nunca encarei uma série onde houvesse algo assim. Também é muito bonito a forma como a relação dos dois se desenvolve naturalmente nesse primeiro episódio mesmo sem nunca terem se visto. A primeira impressão que temos dos personagens principais é totalmente alterada com o decorrer dos episódios, mostrando que o Dai não era uma pessoa tão estranha como parecia e que a pequena Rin é na verdade uma criança mal compreendida e que sofria com o preconceito e a falta de carinho de sua família.

A animação está linda. As cenas antes da abertura do anime, com aquela animação em “giz” é algo que me atrai muito e me lembrou, por exemplo, Hourou Musuku na leveza e simplicidade do traço. Após a abertura, a animação conta com uma qualidade igualmente bonita, lembrando shoujos como Kimi ni Todoke, e sem perder o carisma presente no mangá. Carisma que esbanja também nas animações de abertura e encerramento, juntamente com as músicas escolhidas para as mesmas. Alguns podem estranha-las e confesso que também esperava algo a mais nelas, mas nem por isso são ruins ou não expressam bem o sentimento que se vê ao assistir o restante do anime.

Queria também dar destaque para a trilha sonora MARAVILHOSA e constante durante todo episódio. Mesmo se tratando de um velório, da tristeza que tomava conta da pequena Rin e da família conturbada, a trilha consegue amenizar toda essa sensação, equilibrando bem timbres que devem ser mais emocionantes e outros que dão o lampejo cômico da série. Diria inclusive que foi ela quem me fez sentir toda a sensação e os sentimentos que a série executou.

Nesse primeiro episódio, o clima de comoção e de vazio causado pela morte do “vovô” é competente por conseguir transmitir a emoção mesmo sem precisar ser forçado e atirado na cara do telespectador. Em contraponto, temos os picos de “fofura” pela presença da pequena Rin e a ternura, calma e descontração bem dosadas em Dai. Tudo bem distribuído, conseguindo fazer com que os 23 minutos do episódio passassem de forma natural e sem parecer sonolento.

Opinião Geral

Vocês já devem ter percebido que possuo uma pequena queda para esse tipo de animação dramática. Não é para menos que Ano Hana foi meu anime favorito da última temporada (junto com Tiger & Bunny). Não quero falar muito e nem criar expectativas sobre Usagi Drop, principalmente por se tratar de uma pessoa que não leu o mangá. Por enquanto, posso dizer que a série começou correta. Já temos a base da história, os personagens ajeitadinhos e aparentemente já podemos perceber o caminho que a série deve tomar daqui para frente explorando a relação de Dai e Rin.

Promissor, coerente, tem tudo para cativar quem acompanhar a série e manter a boa tradição do Noitamina nas séries desse gênero. Uma ótima estréia, e sem mais. E me empolguei na postagem, mas tá valendo.

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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