Review – Usagi Drop, uma lição de vida e sentimentalismo

Sentimentos paternais à flor da pele no anime mais leve e doce do ano de 2011.

Quando comecei a escrever esse texto, muitos outros blogs já haviam comentado sobre Usagi Drop, mas mesmo assim resolvi falar um pouco sobre a série. Acho que no geral, todos tiveram a mesma impressão: Usagi Drop é um anime lindo, cheio de mensagens de amor, carinho e paternidade embutidas de forma escancarada. Diferente de alguns animes, esse resolveu se abrir desde o início para mostrar a que veio. Desde o primeiro episódio, como visto no Primeiras Impressões sobre a série, Usagi se apoiou na forte capacidade de tocar o lado humano de seus telespectadores.

É pensando nisso que começo a escrever um pouco com base dos meus sentimentos em relação à esse anime, à sua história, sua sensibilidade e tudo que me fez cativar no decorrer desses 11 episódios da animação desse ótimo anime do estúdio Production I.G. Com vocês, Usagi Drop!

A história

Tudo começa com a morte do avô de Daikichi Kawachi. O rapaz de 30 anos que vive tranquilo e sozinho em seu apartamento, recebe a notícia e se dirige para o velório e enterro do parente. Ao chegar lá, Dai conhece a pequena Rin e se surpreende ao descobrir que a garotinha se trata de sua tia! Não, não estou fazendo confusão. Rin é filha de um caso do avô de Dai com uma moça que abandonou a criança no nascimento. A menina é criada com a família sob os olhares de desprezo e preconceito por se tratar de uma criança “bastarda” e fruto de um relacionamento considerado absurdo.

Após a morte do vovô, todos se perguntam como ficaria a situação de Rin e cogitam enviar a criança para um orfanato. É aí que Dai aparece e toma a frente da situação, perguntando para a menina se ela gostaria de morar com ele. Em uma das mais bonitas cenas do primeiro episódio, Rin aceita e começa a aventura de morar com seu sobrinho (que ela chama de tio, avô, Daikichi e por aí vai). Logo nas cenas pós-encerramento do primeiro episódio já vemos um pequeno aperitivo de como é essa relação, que promete arrancar boas risadas e emoções em todos que acompanharem a série.

Considerações Técnicas

Poderia aqui me estender e dizer algumas falhas que Usagi Drop teve no decorrer de sua animação, mas vou ser sincero ao afirmar que tudo isso é simplesmente superado pela maravilha que o conjunto formou. Algumas respostas na série ficaram inexplicadas (como dúvidas sobre a mãe de Rin) mas nem por isso deixaram o anime à desejar. Diferente do que alguns falaram, não vejo uma falta de objetivo no roteiro. O objetivo nesse caso é atingir seu público com suas mensagens, e o resultado é satisfatório. Além disso, acho que falar de toda a beleza da animação e do belíssimo trabalho ao retratar a vida de Dai e Rin é redundância. Nada mudou muito desde meu comentário das Primeiras Impressões da série. Prefiro dizer aqui um pouco da história, de como foi possível me sentir bem e tirar de dentro dessa série algumas das lições mais puras que talvez nem poderia imaginar.

Aí vem alguns de vocês e dirão “Para com isso cara, tirar lições de um anime?”. Pois é, eu não entendo algumas afirmações assim. Vamos por partes: você pode tirar lições de novelas da Globo, de séries americanas e até mesmo de músicas… mas não pode tirar de uma história criada por um ser humano com sentimentos e que foi representada através de uma animação? Não sei de onde as pessoas tiram isso.

Usagi Drop consegue transmitir através de imagens leves, de uma trilha sonora linda (com uma abertura e encerramento extremamente marcantes em todos os aspectos) de cenas tocantes, de conversas simples e ações do cotidiano que um anime pode sim lhe trazer diversas lições de vida. Talvez de diferentes formas para uns e para outros, mas é importante ter a consciência de que isso acontece com qualquer tipo de  mídia ou de história. O que pode chocar uns, é algo banal para outros.

Muito provavelmente a sensação e reação que você terá ao assistir esse anime será muito diferente dependendo de sua idade. Eu por exemplo, tenho 21 anos, já pensei em me casar, em ter filhos e sempre digo que vou adorar o dia que puder ser pai. É algo que cresceu comigo, algo que pra mim encaro como um presente para quem tem a oportunidade. E sei que muitos garotos e garotas da minha idade por algum instante também já tiveram esse pensamento, mesmo que com uma opinião diferente da minha.

Usagi Drop me fez ter ainda mais certeza desse sonho. Exatamente. Me fez ter certeza que tudo isso é um sonho que eu posso tornar realidade. Não hoje, não na semana que vem, não no ano que vem e talvez nem nos próximos 5 anos. Tenho minhas prioridades e não penso em ter uma responsabilidade assim antes que possa ter a certeza de que vá dar uma vida boa para meu filho e para minha esposa. Porém, é inegável dizer que assistir Usagi Drop me fez ver, mesmo que de uma forma fantasiosa, o quanto sua vida pode mudar com a presença de uma criança. É mágico e vemos isso à todo instante na relação de Daikichi com a pequena Rin. O rapaz mudou completamente seu estilo de vida, seus gostos, seus cuidados e até mesmo sua forma de expressar sentimentos. Repararam que a frequência com que ele dá abraços na menina é exponencialmente maior com o decorrer dos episódios? Pois é. Para quem acompanhou a série semanalmente essas “mudanças” de comportamento são ainda mais visíveis e lindas de serem reparadas.

Mas como eu disse acima, lições são o grande ponto forte do anime. Perceba o quanto Daikichi se esforça e muda completamente em prol de sua “filha”. Será que você está preparado para isso? Um dos paralelos traçados no final do anime mostram muito bem isso, quando os amigos do protagonista comentam como é prazeroso ter o tempo livre com seus filhos, em contrapartida, a irmã do mesmo diz que não está pronta para largar sua vida de solteira e curtição para ficar em casa cuidando de uma criança. Usagi Drop não vem para te dizer “seja pai”. Ele vem para te dizer “Seja pai na hora em que você achar que está preparado para isso”. Ah, e vale para as mamães também, claro.

Opinião Geral

Não sei o que aconteceu depois no mangá e isso sinceramente não me interessa nesse momento. Estou hoje recomendando o anime, e ele por si só funciona muito bem. Não adianta dizer que não avisei. Provavelmente eu tenha medo de ler e de saber que toda a magia que conheci através do anime se perca, parecendo uma criança quando descobre que o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa não existem. Quem sabe um dia? Por enquanto estou satisfeito com a imagem da pequena Rin que ficou marcada em mim. Como diria meu amigo Luk, a Rin ganhou não só o Daikichi como pai, mas milhares de outros papais espalhados pelo mundo e preocupados com a pequena e doce garotinha. Algo lindo demais de se imaginar.

Usagi Drop é um daqueles animes que entra no grupo de Honey & Clover e Nodame Cantabile dos “agradáveis e memoráveis” na hora de indicar para alguém. Com seu charme próprio, com sua beleza pura e sem precisar apelar para o sentimento exagerado de outros animes dramáticos, com certeza Usagi entra na minha lista de melhores do ano sem precisar se esforçar muito. Às vezes precisamos lembrar que somos seres humanos, e como diria Digimon Tamers, temos esperanças, sonhos e futuros. E Daikichi e Rin me ajudaram muito à pensar mais e mais vezes sobre esses pontos, me fazendo lembrar que um sonho não precisa envolver dinheiro, mulheres e fama. Ele pode ser resumido simplesmente na felicidade e no bem estar dos dias da sua vida…

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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