Primeiras Impressões – Saint Seiya Ômega

Ou se preferirem: Primeiras Impressões – Cavaleiros do Zodíaco Ômega.

Sabe aquele anime que todo mundo mete o pau antes mesmo de começar? Aquele que todo mundo julga pelo visual ou pela escolha de um character design “diferente”? Pois bem, Saint Seiya Ômega sofreu esse “problema”. Assim que a série foi anunciada, grande parte dos fãs clássicos torceram o nariz para a nova produção, alegando que estava “ridicularizada e infantil”.

Mas… será que eles sabem do que estão falando? Será que eles sabem a que propósito Ômega veio a tona? Pois esse primeiro episódio serve para calar a boca de muitas pessoas – com ressalvas – e mostrar que Ômega pode sim, se tornar uma produção agradável em torno dos seus mais de 50 episódios previstos. Vamos conferir o que aconteceu?

A história

Em Saint Seiya Ômega temos uma continuação da saga clássica (cronológica ou não, isso só o tempo e Kurumada dirão). A história começa com Saori, a eterna deusa Athena, segurando em suas mãos um bebê. Ela sofre um ataque surpresa do primeiro vilão da série, Mars, que quer a qualquer custo acabar com a deusa. Porém, pra variar um pouco, o eterno desprezado e odiado Seiya aparece para salvar o dia, mas vestindo a sagrada armadura de ouro de Sagitário – quem diria: cavaleiros também recebem promoção de serviço. Mars é derrotado por Seiya, mas antes de ir deixa uma “lembrancinha” para a deusa.

Treze anos se passam e Kouga, o bebê que Saori segurava em seus braços, está sendo treinado para se tornar um cavaleiro com nada mais, nada menos que Shina, a mulher cavaleiro (desculpem, não resisti)! Porém Kouga é o típico moleque chato que tem tudo para se tornar um novo Seiya odiado pelos fãs, bem diferente de Tenma: ele acha que não vai conseguir se tornar um cavaleiro e é extremamente desanimado nos treinos por isso. Porém um fato pode mudar sua vida: o objeto deixado por Mars no passado desperta, e o próprio Mars aparece para atacar Saori e Kouga que estavam conversando naquele momento. Nesse momento Kouga descobre que ela é a deusa Athena (ele deve ter sido muito besta pra não ter descoberto isso em 13 anos, mas tudo bem) e ao ver a sua querida Saori sendo atacada por Mars – que derrota Shina e Tatsumi (DE BIGODE!) – ele desperta seu poder como cavaleiro de bronze de Pegasus, lembrando todos os ensinamentos do cavaleiro de sagitário Seiya.

É a partir daí que a história começa, com Saori recrutando um novo grupo de jovens guerreiros para se tornarem os cavaleiros de bronze e protegê-la do mal maior que está por vir com Mars. É o início de uma nova era para os Cavaleiros do Zodíaco!

Considerações Técnicas

Ômega foi simplesmente satisfatório e cumprindo seu objetivo. A animação, mesmo não sendo algo de muito destaque, consegue ser conduzida bem durante todo o episódio, com um ou outro ponto de falha como em traços dos personagens e passagens de cena. No geral, a Toei conseguiu manter a ótima média de todas as séries da franquia Precure (e se você criticar a animação dessas você não entende nada de animação, desculpem). A “transformação” de Kouga em um cavaleiro de bronze Pegasus ficou muito bem feita, e brincadeiras a parte, lembrou bastante a saga clássica mas com um “Q” de “glamour” com a presença do cavalo alado.

O character design de Umakoshi é mais uma vez um dos pontos altos da série. Para quem criticou tanto antes de assistir não deve ter se tocado que o mesmo foi o responsável não só pela concepção de visual da série Heartcatch Precure, como também do espetacular Casshern Sins. E sim, cada movimento, e principalmente cenas de ação da série, lembram muito todo o desenvolvimento de cenas em Casshern. O visual causa uma certa estranheza para alguns, mas é tudo muito bem feito artisticamente. Além disso, Umakoshi tem um traço bem parecido com o do falecido Shingo Araki, o responsável pela saga clássica da série. Portanto as reclamações de “infantilidade no traço” não fazem muito sentido, sinceramente. É apenas um visual diferente em uma época diferente, em nenhum momento isso interfere no clima e na ambientação do anime.

Outro ponto forte da série é em relação ao trabalho de trilha sonora. Tudo ficou muito saudosista e ajuda muito na atmosfera “Saint Seiya” de ser. A abertura é versão “atual” da conhecida Pegasus Fantasy, que conta como intérprete a banda MAKE UP (a mesma do tema antigo) com vocal da agradável Shoko Nakagawa, que cantou a excelente abertura de Tengen Toppa Gurren Lagann. A animação da abertura também mantém todo o clima de nostalgia, mas não deixa de dar uma pitada “diferente” para os novos telespectadores.

E não é só da abertura que podemos falar, mas de toda a soundtrack que envolve o episódio, sendo praticamente uma versão remasterizada e “nova” da saga clássica. As músicas de “pré-batalha”, do treinamento de Kouga, parece que ao mesmo tempo que tentaram atrair esse novo público, deixaram um pequeno agrado para os mais fiéis devotos da franquia.

Sobre os pontos fracos, é cedo demais para falar de maneira afirmativa e totalmente “certa” sobre a série. Porém é claro que nós já esperamos todos os furos, partes non-sense e batalhas extremamente difíceis que são resolvidas com um golpe milagroso tirado sabe-se lá de onde. Nesse primeiro episódio já deu bem pra sentir isso, com as lutas sendo rápidas e “resolvidas como mágicas”, além do velho objetivo de “temos que lutar para salvar Athena e é isso aí”. Mas isso é Cavaleiros do Zodíaco. Tirando Lost Canvas que foi muito mais desenvolvido, não há como um fã clássico reclamar disso.

Comentários gerais

Podem me chamar de “normalfag”, não ligo. Sempre falei que Cavaleiros do Zodíaco tem um espacinho reservado dentro do meu coração. Como eu poderia esconder? Cresci assistindo isso na época de Manchete e posso dizer que foi a série que me envolveu nesse mundo de animes e mangás. Mas ao mesmo tempo, não vou falar que tudo ali é perfeito, que o universo da franquia não tem furos e que os personagens são extremamente bem desenvolvidos.

Mas isso também não me impede de falar bem. Ômega possui uma direção nova, uma equipe nova, tentando trazer o clássico para um público totalmente novo. O pessoal da Toei e da saga Precure envolvidos até deveriam servir para as pessoas pararem de falar tanta besteira em relação série. Brincadeirinhas são normais, mas no fundo não há muito o que falar mal de Ômega até agora. Os personagens tem uma chance muito maior de serem bem desenvolvidos e as cenas de luta prometem ser um bom atrativo e diversão para os telespectadores. Essa série tem chance de ser muito melhor do que aquele lixo atômico chamado Next Dimension, que o tio Kurumada inventou de fazer.

E isso é o que eu espero de Ômega: diversão. O primeiro episódio da série passou longe de ser espetacular, mas me prendeu durante os 30 minutos  sem dificuldade. Não foi cansativo e fluiu muito bem, com uma direção honesta e uma animação bonita – que não é do nível de Lost Canvas, mas também não fica devendo.

O que os fãs da série tem que pensar é o seguinte: Ômega não é feito SOMENTE para os fãs antigos. Pelo contrário, diria que seu principal foco são os novos telespectadores, crianças. Como sei disso? Além da escolha da equipe que é um sucesso entre os pequenos, o horário de exibição é em plenas 6 e meia da manhã, horário bem utilizado para esse tipo de público. Parem de dizer que a “infantilidade” é um ponto negativo para a série, porque não é. Ômega promete ser uma boa série e que provavelmente vai trazer um público totalmente rejuvenescido para a franquia.

Está na hora de pararmos com essa besteira de infantilidade e dizer que tudo que é feito para crianças é ruim. Porque um Ben 10 não é pior do que metade dos animes que temos exibidos por aí, e porque Cavaleiros dos Zodíaco Ômega tem de tudo para ser uma boa série de se acompanhar para quem é fã do gênero. Vamos torcer e “me dê sua força pegasus” para os comentários que virão abaixo desse post.

Agradecimentos para meu amigo Régis, que esteve na pré-estreia e me ajudou na construção do texto; e ao OtaNews pelas imagens.

Para quem quiser conferir outra opinião sobre a série, confira lá no Gyabbo.

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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