Review – Freezing, quando o fanservice nunca é demais: Volume 1

Porque um pouco de roupa rasgada em um mangá não faz mal pra ninguém.

Se você achava que Monster era o melhor lançamento nacional do ano de 2012, ou que Soul Eater traria todos os holofotes para ele, ou que Sakura teria a melhor qualidade de um mangá nacional, está certo (ou não, já que isso depende muito mais do gosto pessoal de cada um). Mas se houve um lançamento que foi recebido com “menos alarde”, esse com certeza foi Freezing. No meio de tantas coisas renomadas lançadas por ambas as editoras, a JBC resolveu apostar no título como o “substituto” de Tenjho Tenge – e claro que isso é puro jogo de marketing, já que em semelhança a história só passa perto das roupas rasgadas das protagonistas.

De qualquer maneira, o título deu sorte: apareceu em pleno processo de “reformulação” da JBC e ganhou o grande atrativo das páginas coloridas e uma edição caprichada da editora, o que lhe rendeu uma maior atenção por parte de pessoas que nem cogitavam sua compra. Pois bem, será que Freezing consegue convencer o leitor a continuar sua coleção? Será que Pandoras e Limitadores conseguirão se destacar ou se misturar no meio de tantos mangás em publicação no mercado nacional? É isso que você confere agora.

A história

Qual a melhor forma de combater ameaças alienígenas que invadiram a Terra? Você está certo se disser garotas destemidas e prontas para rasgar a roupa em prol da sobrevivência da raça humana. É assim que começam as batalhas entre Novas (os aliens) e as Pandoras, garotas que tiveram uma espécia de célula de combate implantada em seus corpos. Armadas com ferramentas de combate chamadas de Volt Textures, as garotas terão que unir forças com… garotos! Isso mesmo, garotos mais novos do que as guerreiras são os chamados Limiters, e eles é quem terão a missão de ajudar na sobrevivência de suas amigas lutadoras.

Como não poderia faltar, existe uma instituição para cumprir a função de formar as máquinas de combate. E é na Academia Genetics que conhecemos Kazuya Aoi, irmão de uma Pandora que morreu em uma batalha contra um Nova, e que por esse motivo está disposto a seguir os passos de sua irmã. Para isso, ele deve se associar com uma Pandora, e ele tinha que escolher justo a mais complicada das meninas: Satellizer, uma  Pandora que é considerada a maias poderosa entre as estudantes mas que tem um trauma em ser tocada por alguém, e que por esse motivo se recusa a ter um limitador. Como será que essa dupla vai seguir adiante? E qual será o verdadeiro poder de Satellizer? Só o tempo e muitos corpos a mostra – literalmente – dirão.

Considerações Técnicas – O mangá

Publicado na revista Comic Valkyrie desde 2007, Freezing é um dos mangás que fazem parte do extenso currículo do coreano Im Dal-Young, criador de obras como Aflame Inferno (que surgiu rapidamente no Brasil pela editora Savana, mas desapareceu na mesma velocidade), Unbalancex2 e Kurokami. A série – que também é publicada em simultânea na Coreia, mas que na verdade se trata de um mangá – rendeu dois spinoffs que mostram a “origem” dos personagens e, de quebra, rendeu um anime de 12 episódios em 2011. Atualmente o mangá se encontra em seu volume 15 e com muita força, sem previsão de término. Os belos desenhos da série ficam por conta de outro coreano, Kim Kwang-Hyun, o mesmo de Aflame Inferno, por sinal.

Um pouco de tsundere, um pouco de um protagonista sem noção, um pouco de colegial, um torneio, muitas garotas com peitos desproporcionais e muita roupa rasgada. Pronto, esse é o plot de Freezing. O suficiente para fazer dele uma das melhores apostas para o mercado nacional para um público ocasional e que busca algo leve e recheado de fanservice. Mas tudo para por aí. O grande mérito de Freezing é se comunicar de uma forma direta e sem rodeios com seu leitor. “Vamos para a porrada, rasgar calcinhas e é isso que importa”.

Se você procura personagens únicos e com características marcantes, com certeza Freezing não é o mangá que você procura. Personagens caricatos e clichês, com motivações clichês e um enredo ainda mais clichê e batido ainda. Comparado com outras obras do próprio autor, como Unbalancex2, os personagens são razos e tudo parece muito “falso”. E não, não estou sendo “hater” da série, mas é inegável que 70% da história seja semelhante à tantos outros mangás do gênero, e aqui podemos citar o próprio Tenjho Tenge, ou Sekirei, Ikkitousen e tantos outros em que “garotas guerreiras” são o centro das atenções da história. Isso não necessariamente é um problema, afinal existe um público para isso. Mas que fique claro que se você busca algo “diferente”, Freezing com certeza não deve passar perto de uma lista de recomendações.

Mesmo assim, como disse acima, a história é cativante para o público casual, que gosta da boa e velha fórmula de “porradaria”, somadas com garotas semi-nuas em abundância. Também é necessário destacar que a arte é muito boa e que todas as cenas de ação são muito bem feitas. Porém é claro que a classificação de 18 anos do quadrinho já mostra tudo: em grande parte da história a brincadeira toma outras proporções, e o excesso de ecchi e de cenas extremamente apelativas acabam atrapalhando um pouco aqueles que queiram algo mais simples e longe dos olhos tortos. Assim como o próprio Tenjho Tenge, Freezing apresenta cenas de sexo e violência “visual” que não podem ser consideradas “normais” para quem não está acostumado com esse tipo de linguagem (logo nesse primeiro volume praticamente temos um estupro da protagonista). Claro que muitos não se incomodam com isso e provavelmente esse foi um dos motivos para o grande sucesso da série.

Considerações Técnicas – A versão JBC

Eis aqui o verdadeiro atrativo para a compra do mangá. Se você gostava da história simples de Freezing, mas tinha medo de adquirir a versão nacional por uma possível qualidade baixa, pode ficar despreocupado. Provavelmente esse foi o melhor lançamento da JBC nesse formato “padrão”, implementando todas as páginas coloridas da versão normal e um papel mais “claro” e sem tantos problemas de transparências, como era o esperado (vale dizer que o mangá não possui as capas internas desenhadas como Soul Eater). No geral, tivemos uma versão satisfatória, que manteve as páginas coloridas em um papel couché que não lembra nem de longe aquele horror de Next Dimension. Com isso, a editora ganhou bons pontos com essa versão nacional. Um bom trabalho que merece uma espiadinha.

A escolha do logotipo para o nosso mercado também ficou apropriada. Nada muito diferente do original e… não! Não adianta reclamar que aquele logo em japonês era melhor! Escolha acertada da editora nessa adaptação simples, mas muito melhor para a visibilidade nas bancas e do público que desconhece a “origem” de tal mangá. Além disso, a JBC manteve grande parte dos termos originais e a tradução de Denis Kei Kimura (nome que eu particularmente desconhecia) não deixa a desejar. Novamente vale reforçar que a classificação indicativa da série é de 18 anos e que a compra fica por sua conta e risco. É, você mesmo garotinho de 15 anos que está lendo isso aqui e vai comprar pra ler escondido dos seus pais. O preço de capa é de R$12,90.

O único fato curioso para esse mangá se encontra no glossário da série. Ao invés de manter um glossário interno como em Soul Eater, a editora optou por manter um glossário online, na página do título dentro do próprio site da JBC (que pode ser acessado clicando AQUI). Aqui fica à sua escolha dizer se a decisão foi acertada ou não. Eu particularmente achei uma decisão bem criativa, que economiza algumas páginas do mangá. Mas… será que um glossário impresso não seria interessante justamente para esse público casual que adquire esse tipo de mangá? Será que ele terá tempo ou vontade de ir até o site da editora para conferir algo assim? Acredito que muitas pessoas tenham gostado mais da ideia de Soul Eater, que manteve o glossário dentro do próprio mangá impresso.

Comentários Gerais

Não acho que Freezing seja um lançamento de peso nesse ano de 2012 que nos trouxe tantos mangás importantes. Também não acho que ele tenha sido a decisão mais acertada para a editora (eu particularmente teria ficado com Ikkitousen, que tem uma popularidade muito maior por essas bandas). Mesmo assim, como disse anteriormente, o título tem o seu público. Posso dizer que apesar de ser extremamente clichê, Freezing apresenta uma leitura agradável e rápida, ideal para o leitor rotineiro. Um legítimo “sessão da tarde”, dizendo de uma forma mais espontânea e popular. Volto a dizer que o excesso de pornografia pode ser um empecilho para alguns e um atrativo para outros. Fica ao seu critério.

Se você tem outras prioridades em um ano agitado como esse, não vai sentir falta de manter Freezing em sua coleção. Se tem um dinheiro sobrando na carteira e o título te interessa, não vai ser um dinheiro “gasto a toa”. Fica ao critério do leitor. Pelo menos vale dizer que a JBC fez valer o investimento dos que escolheram a segunda opção. Em um momento em que o único concorrente “direto” do mangá é Air Gear, e que outros títulos semelhantes como Tenjho Tenge e Highschool of the Dead provaram que podem funcionar, Freezing pode construir uma boa fanbase por essas bandas. Vamos descobrir isso se a JBC resolver investir nos spinoffs da série ou não…

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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