D-Mail #01 – Animes de outubro de 1972, 1982, 1992, 2002 e 2011

Rapadura é doce, mas não é mole não!

E começa a nova coluna do Chuva de Nanquim. Na verdade não é bem uma coluna, já que nem sempre existem estreias no Japão (ou que mereçam alguma lembrança). Por isso ela deve ser feita na frequência que for necessária.

Afinal de contas, o que surgiu antes de nós? Sabemos que assistir “tudo” é uma tarefa impossível e até mesmo doentia. Temos nosso tempo ocupado com outras atividades e nossos animes e mangás são somente um “divertimento” a parte (ou pelo menos espero que a maioria saiba). Mas sempre é legal saber o que veio antes, o que marcou, o que realmente importou para determinada época. E pensando nisso começamos agora o “D-Mail”, uma homenagem ao anime Steins;Gate e suas viagens temporais, tudo a ver com essa postagem. Conheça um pouco mais de outras séries que influenciaram os animes que assistimos hoje e que escreveram suas histórias no ramo das animações japonesas.

Outubro vem sendo uma grande temporada para quem gosta de acompanhar muitos animes. Muito material bom, para todos os gostos. E nos anos anteriores? O que tivemos afinal? Vocês vão se surpreender em ver que Outubro não é uma temporada sensacional à toa. Que comecemos a nossa viagem temporada a partir de agora! “Não conheci o outro mundo por querer!”

1972 | Gatchaman – Battle of Planets

Podemos citar vários motives para Gatchaman ser um dos animes mais influentes de todos os tempos. A série é de autoria de Yoshida Tatsuo, o mesmo criador de outros clássicos como Casshern e Speed Racer. Além disso, o sucesso de Gatchaman fora do Japão foi estrondoso. A série foi rapidamente lançada nos Estados Unidos e com alguns (muitos) cortes de episódios e com a mudança do nome original, estreava “Battle of Planets”. Além disso, o anime também teve uma história no Brasil, sendo lançado no Brasil na década de 70/80 com o nome de G-Force – Guerreiros do Espaço e sendo um dos maiores hits da molecada da época. Anos mais tarde o anime voltou a ser exibido no país na BAND e no Cartoon Network, com o nome de Batalha dos Planetas, mas obviamente a repercussão não foi das mais agitadas (ainda mais se considerarmos que a série substituiu Slayers, um dos animes mais esperados pelos aficionados da época e que a BAND destratou). Enfim, Gatchaman é um daqueles clássicos que serão para sempre usados como referência. Até Stan Lee disse ter uma paixão pela série. Isso não é pouca coisa.

1982 | Macross

Os tempos realmente eram outros. Eles levaram a sério a palavra “epicidade”. Macross tem um time composto por dois nomes que são simplesmente insubstituíveis. O primeiro é Kenichi Matsuzaki, simplesmente a cabeça por trás do mítico anime clássico de Gundam. O segundo é Noboru Ishiguro, simplesmente o diretor de Legend of Galactic Heroes. Macross influenciou uma época e influencia até os dias atuais. Ele não só se moldou como um clássico como originou uma verdadeira escola de animação, sendo um marco para os animes como o próprio Gundam. A recepção de Macross foi absurdamente incrível, original spin-offs e diversos trabalhos ocidentais (americanos) inspirados na série. Com uma trilha sonora magistral do já falecido Kentaroh Haneda, podemos dizer que Macross entra facilmente na lista dos melhores animes já feitos. Com uma dublagem marcante da Herbert Richers, Macross também deu as caras no Brasil e com certeza muitas pessoas ainda guardam a lembrança dessa animação por aqui.

Outras séries de outubro de 1982: Space Adventure Cobra

1992 | Yu Yu Hakusho

Acredito que não seja demais dizer que depois de Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho tenha sido o anime que mais marcou a infância de muitos na década de 90 no Brasil. Com personagens que esbanjavam carisma, uma dublagem que ficará para sempre marcada em nossa memória e uma exibição em horário nobre na extinta Manchete, as aventuras de Yusuke e companhia ainda são queridas por pessoas de todas as idades no Brasil. E claro, no Japão também. A série foi a responsável por alavancar a carreira de Yoshihiro Togashi, o atual mangaka preguiçoso de Hunter x Hunter, e apesar de todas os enormes acontecimentos e boatos que geram a produção de seu mangá, conseguiu se tornar um dos títulos mais vendidos da Shounen Jump e ter um anime extremamente competente pelas mãos do estúdio Pierrot (e que grande maioria das pessoas concordam que conseguiu salvar o final duvidoso da obra original). Falar demais da série seria simplesmente “fanboysismo”, mas é inegável dizer que Yusuke e companhia ficarão marcados para sempre nas lembranças dessa minha geração ’90.

Outras séries de outubro de 1992: Tokyo Babylon

2002 | Naruto

Dizer que Naruto já é uma das maiores séries da Shounen Jump não seria pecado nenhum, e muito menos alguma bobagem. No ranking das mais vendidas, o provável maior fenômeno internacional da revista nos últimos anos, e o provável segundo título que mais vende no Japão nos dias de hoje, atrás apenas de One Piece. E isso, claro, falando somente na terrinha original. No Brasil Naruto foi e continua sendo um sucesso. O mangá é o mais vendido da Panini e o anime continua em alta mesmo depois de 10 anos de exibição. Não é a toa. Apesar dos apesares a série tem todas as formulas para atrair aqueles que gostam de uma série de ação, aventura, com personagens engraçados e carismáticos. Haters a parte, o anime serviu para popularizar o anime pelo mundo, principalmente em nosso país. Exibido no SBT em meados de 2007, a série se tornou uma febre e se consolidou como um dos grandes “booms” de um anime como há tempos não se via. Lembrando que somadas, a série clássica com o “Shippuuden” já somam mais de 500 episódios. É coisa que não acaba mais, mesmo com todos os fillers que aterrorizam os fãs.

Outras séries de outubro de 2002: Ghost in the Shell SAC, Gundam Seed, GetBackers

2011 | Fate/Zero

Já chegamos em um ano desde a exibição de Fate/Zero, série adaptada pelo estúdio ufotable que ganhou a atenção de muitos por carregar o peso de ser uma “prequel” de Fate/Stay Night, um dos animes que mais dividem opiniões sobre “ser bom ou não”. Com a direção de Gen Uroboshi, o mesmo de Madoka Magica, Fate/Zero apresentou batalhas incríveis e uma animação bem acima da média comparada com outras produções do mesmo ano. A dúvida é se a série entrará no hall das “inesquecíveis”. Será que em 2021 estaremos nos lembrando dela? A probabilidade é grande, afinal a franquia “Fate” tende a não parar, trazendo muitos adeptos ainda para as animações – mesmo Fate/Stay Night, que continua sendo até hoje lembrada por muitos (e que inclusive já foi exibido no Brasil pelo extinto Animax).

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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