Review – As estratégias e as trapaças de One Outs

headerPorque não é apenas de habilidade que vive o baseball.

One Outs foi um anime que tive vontade de ver desde o primeiro momento em que vi uma screen na internet afora, mas como na época minha internet era discada, era necessário selecionar cuidadosamente o que baixar, pois cada anime poderia demorar vários meses até acabar de ser baixado (não sei se muitos que lerão isso compartilharão lembranças dessa época, por isso fiquem felizes de existir banda larga!!!), o que me fez deixa-lo de canto um tempo. Apenas depois de muito tempo (recentemente) parei para vê-lo.

10Antes de tudo, devo deixar claro que o que mais me instigou a ver One Outs foi seu conteúdo mais adulto, voltado ao mundo das apostas também, além do baseball em si. Embora explique muito bem sobre o esporte (eu mesmo conhecia baseball muito superficialmente, e agora posso dizer que entendo o jogo), se você leitor preferir aprender desde o básico, o mais recomendável é ver Major antes, cuja review pode ser lida AQUI.

A História

Tokuchi Toua é o personagem principal da série, um rapaz que arremessava bolas de baseball num pequeno campo num jogo chamado “One Outs”, que nada mais é uma pessoa arremessar e a outra tentar rebater tendo dinheiro como objetivo. As regras eram simples: o rebatedor que acertasse a bola ganhava; se não acertasse, a vitória, e o dinheiro, eram do arremessador. Tokuchi tinha um incrível histórico de nunca ter perdido nos One Outs, até que em sua frente aparece Kojima, o lendário rebatedor do time dos Lycaons. Kojima reconhece a habilidade de Toua sendo algo que falta em seu time, que não conquista um campeonato há muitos e muitos anos, por isso aposta com o rapaz que, em caso de sua vitória, Tokuchi deveria integrar sua equipe, caso perdesse abandonaria sua carreira!

7O modo como Kojima derrota Toua não será explicado aqui, mas já é algo que vale a pena ser visto para ser entendido como será todo o desenrolar da trama. Após isso, Tokuchi passa a fazer parte do time dos Lycaons, mas ele faz um acordo com o presidente do clube, que torna diferente seus ganhos do restante dos jogadores do time. A cada arremesso de Tokuchi Toua acertar (o que é conhecido como “Strike”) ele receberá 5 mil ienes (o que atualmente daria cerca de 123 reais), porém, a cada arremesso que ele fizer e ceder uma “corrida” ao time oponente (“corrida” é o termo utilizado quando, após um rebatedor acertar uma bola, os jogadores de seu time correm tentando ganhar uma “base” do adversário, sendo 4 bases no total. Numa “corrida” é possível roubar tanto uma base como até as quatro de uma vez), deverá pagar 50 mil ienes ao presidente (1235 reais).

Simplesmente, se Tokuchi quisesse ter dinheiro, era necessário acertar pelo menos 10 a cada 11 bolas arremessadas, caso contrário ficaria com saldo devedor. Além disso, entre as cláusulas do contrato existem outros termos, todos que favorecem apenas o presidente do time, que está mais preocupado em encher seus bolsos do que obter sucesso e títulos para sua equipe (igualzinho muito presidentes de clubes brasileiros). Em meio a esse ambiente, não apenas Tokuchi, como todo o time dos Lycaons, terão que usar todas as suas estratégias, pois existem adversários internos e externos que não pouparão meios para destruir o time.

16Considerações Técnicas

Feita pelo famoso estúdio Madhouse, a animação foi feita entre os anos de 2008 e 2009, e contou com 25 episódios. A série foi baseada no mangá de Kaitani Shinobu publicado na revista Business Jump e rendeu 21 volumes encadernados entre 1998 e 2009. O anime infelizmente não cobriu toda a história do mangá, que estava em hiato na época do seu lançamento. Com direção de Yuzo Sato (o mesmo de Kaiji) e roteiros de Hideo Takayashiki (que trabalhou em projetos como Ashita no Joe) a série não peca em nada nos aspectos técnicos.

Considerando que é um anime de esporte, a animação é muito boa, uma das melhores que já vi, pois os detalhes, como a rotação da bola, estão impressionantes. Além disso, as cores são bem fortes e vivas, o que ajuda a transmitir toda a agitação que existe na história. Destaque para Tokuchi, com a clássica aparência rebelde e cabelos loiros, com uma personagem nada convencional, ajudado pela ótima dublagem de Masato Hagiwara, conhecido também por dublar Kaiji, no anime de mesmo nome.

1A trilha sonora comandada por Akihiko Matsumoto (a mesma de Summer Wars) é muito bem feita, tornando a tensão dos jogadores do Lycaons quase palpável, fazendo com que nos sintamos dentro do próprio jogo de baseball. O encerramento, “Moment”, de Tribal Chair, transmite com a música e as imagens a sensação do final de um jogo, de um jogo especialmente bom, que te faz vontade de ver outro. Mas, para mim, o grande destaque é a abertura, com a música “Bury”, da banda Pay Money To My Pain (cujo vocalista faleceu recentemente), focada quase que exclusivamente em Tokuchi, dando aquele gostinho de pré-jogo. Vale ressaltar que a abertura é cantada em inglês, mas mesmo assim a considero uma das melhores músicas que ouvi em animes nos últimos tempos, completamente viciante para quem curte o gênero.

15Um ponto forte em One Outs é que, como disse no título, o ambiente está repleto de táticas e trapaças, mas isso vai sendo mostrado aos poucos, de modo explicativo, de modo que o expectador consiga entender o artifício usado, mas não de bandeja, e sim para que possa ir pensando junto com os personagens. Particularmente, Tokuchi é um gênio nesse sentido, tanto em captar esse tipo de coisa, como em criar. Seu poder de dedução não o deixaria longe de nenhum L, o que o torna para mim um dos personagens mais inteligente que já vi, embora esse intelecto seja voltado exclusivamente para o baseball.

8Na verdade One Outs como um todo pode ser considerado extremamente manipulador e diria que denso. É uma série diferente, que prefere explorar a maturidade de seus personagens e de suas ações. Tokuchi é um personagem totalmente politicamente incorreto. Não mede escrupulos para se dar bem, mesmo que precise usar trapaça contra trapaça. Da mesma forma que todos os personagens ao seu redor são imprevisíveis. Você não sabe quando um membro da equipe vai ou não traí-lo, bem como não sabe os limites que um adversário pode chegar para derrotar o adversário. Analisando o público alvo da série (tanto pelo mangá, em uma revista extremamente pesada, quanto pelo anime exibido em plena madrugada no Japão) podemos dizer que a abordagem é muito diferente do que estamos acostumados.

14One Outs consegue ser direto com seu espectador, mas nem por isso lhe dá informações jogadas na cara e arrebatadas. Temos explicações – e muito lógicas – que jamais conseguiríamos deduzir. Tudo é minunciosamente trabalhado, como você vai notar. A execução é o ponto forte do anime, conseguindo passar toda a intenção do autor em explorar esse lado corrupto e impróprio. Diria até que o tema central da história fica dividido entre o baseball ou o “psicológico”. É uma série diferente de todas as outras do gênero, provavelmente. Não espere um anime feliz, com histórias de amizade, superação ou amor. Em One Outs o que vale é aquele que vence. Competir é para os fracos.

9Comentários Gerais

Durante esta review, creio que não restam dúvidas que adorei One Outs. O teor psicológico, aliado a esportes (um gênero que aprecio muito) foi o que me fez querer ver este anime, e este intuito não me decepcionou. Com certeza tornou-se um de meus animes preferidos dentro do gênero! Como o anime é muito dinâmico, ligando um episódio diretamente ao outro por causa dos jogos, vivi um grande dilema ao ver One Outs, pois tinha vontade de ver um episódio seguido do outro, até o final, mas ao mesmo tempo não queria ver rápido, pois quando terminasse tinha certeza que iria ficar com um gostinho de “quero mais”.

0O que de fato aconteceu, e esta talvez seja a grande decepção, não pela animação ou pela história, mas pelo fato de em 25 episódios o anime não ter um final, pois a história continua apenas no mangá. Infelizmente, o sucesso de One Outs não foi tão grande no Japão, tanto o anime como o mangá (ao menos dentro de suas limitações), por isso duvido muito que algum dia seja publicado em terras brasileiras. Por isso, para quem já viu e gostou, ou para quem se interessou sem nunca ter visto e quiser ler, a única opção é procurar nos meios alternativos da internet, e mesmo assim sem a total certeza de ler toda a história de Tokuchi e companhia.

por César

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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