Primeiras Impressões – ‘Shingeki no Kyojin’ ou ‘Attack on Titan’

headerQuando uma expectativa correta faz toda a diferença.

Que adaptações de mangás para séries animadas sempre são vistas com desconfiança pelo público, isso é notável. Normal até certo ponto. Em sua grande maioria (em praticamente todos os casos, pra falar a verdade) o mangá sempre supera sua adaptação porque é nele que o autor consegue demonstrar tudo o que realmente quer. Mas há trabalhos que funcionam muito bem das duas formas. É cedo para dizer – afinal apenas um episódio não é lá resultado de muita coisa – mas Shingeki no Kyojin, ou Attack on Titan, pode entrar para o seleto grupo de obras que ficarão marcadas positivamente em suas adaptações.

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“A história de Shingeki no Kyojin gira em torno de uma humanidade que vem sendo exterminada por gigantes, mas que vive por mais de 100 anos a salvo em uma cidade “escondida” atrás de barreiras de mais de 50 metros de altura, construída por seus antepassados. Porém alguns seres humanos estão dispostos a mudar  história e formar um exército de ataque aos seres assassinos no mundo exterior, para prevenir que novos ataques aconteçam. Porém alguma coisa estava fora dos planos. É assim que entra Eren, nosso protagonista, que após ver sua mãe ser devorada por um gigante decide que não deixará nenhum deles vivo e buscará sua vingança completa.”

O maior hype da temporada se confirmou em pouco mais de 3 minutos de animação. Com sentido e com todos os méritos possíveis. Shingeki no Kyojin estreou no Japão e conseguiu fazer com que eu esquecesse praticamente todas as outras estreias. Apesar do medo do que poderia acontecer com a adaptação da série, os trailers eram bons sinais e o episódio em si apenas traduziu tal fato. O pouco mais de 23 minutos de episódio nos apresentou uma animação intensa, com cenas de ação realmente incríveis, agitadas, com vigor. Nos apresentou um drama até então ausente no mangá, mas com uma qualidade de direção que entra na “medida” para o público. A arte bem trabalhada, a trilha sonora que em nenhum momento lhe passa uma sensação de esperança ou felicidade. Tudo se encaixa em uma série que você assiste e pensa: “Tudo vai dar errado pra esses caras! Tudo!”

2Se em Aku no Hana a animação experimental foi um erro, em Shingeki no Kyojin tudo parece ter favorecido a execução do episódio. Desde o character design deveras melhor do que a obra original (o que não é lá muito difícil, afinal o desenho do mangá deve ter sido um dos motivos da obra ter sido rejeitada na Shounen Jump), até as pequenas cenas com uso de CG e a caracterização dos titãs. Digamos que Shingeki seguiu uma linha de segurança e que soube trabalhar em cima da mesma. Não se acomodou e ofereceu qualidade. Além disso, uma abertura de tirar o fôlego em um trabalho elogiável do novato estúdio WIT, um dos braços comerciais do Production I.G. Juro que em alguns momentos eu parava e pensava: “Isso não é da Madhouse?” Com certeza em tempos “de ouro” do estúdio faria um trabalho tão bom assim para o público.

Com cerca de 25 episódios recém confirmados, Shingeki no Kyojin lembra muito a animação e o clima passado por Claymore, guardadas as devidas proporções das histórias. Na época de seu lançamento, Claymore conseguiu driblar toda a desconfiança do público com uma animação sólida e que até certo ponto seguiu o mangá – apesar do final bem discutível e exclusivo para a animação. Shingeki provavelmente rumará para  o mesmo lado. Um final alternativo. Posso estar enganado e já terem em papéis a idéia de uma segunda temporada dependendo das vendas. Acho difícil.

10De qualquer modo Shingeki apresentou uma fórmula que dificilmente erra com gregos ou troianos. Aqui a direção de Tetsuro Araki se mostra mais uma vez na medida para esse tipo de série. Com trabalhos elogiáveis em Death Note e Highschool of the Dead, o diretor consegue captar com profissionalismo os pontos certos para dar dinamismo, tristeza ou cadência ao episódio. A introdução, com a caça aos titãs, foi um dos grandes pontos fortes. Serviu para atiçar o público no primeiro momento, dizer que aquilo estaria presente na série, uma hora ou outra. A tristeza da despedida de Eren de sua mãe ao final conseguiu ser emocionante, de tirar o fôlego, de arrepiar, mas você não tem tempo para se sentir agredido por uma emoção pois tudo favorece a cena. E que cena!

11Shingeki deve se confirmar como o principal anime da temporada. Se o melhor, não dá pra dizer. Mas o mais comentado e assistido? Dificilmente algum outro superará essa expectativa. Diria que dificilmente algum outro conseguirá superar o primeiro episódio como um todo, independente do gênero apresentado. Esperamos que o ritmo seja mantido até o fim e com o mesmo sucesso de execução desse primeiro encontro. O potencial é enorme e esperamos que não seja desperdiçado.

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Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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