Balanço do mercado editorial do 1º Semestre: Editora JBC

JBC Primeiro Semestre HeaderQue tal conferir como anda a situação das editoras nacionais?

Hoje começamos uma série de postagens que deve ocupar o mês de Julho inteiro. Aqui falaremos o desempenho das editoras nacionais no primeiro semestre do ano. As editoras comentadas serão: JBC, Panini, NewPOP e Nova Sampa – não necessariamente nessa ordem. A intenção do post é mostrar como nosso mercado se modificou em apenas 6 meses. Guardem essa postagem em seus favoritos para a que virá no final do ano e vejam quais serão as mudanças que teremos – ou não – dentro do mercado de mangás. Prontos? Então comecemos com, provavelmente, a mais comentada editora de 2013 até agora: A Editora JBC.

Cassius Medauar, o 'boss' da JBC em 2013
Cassius Medauar, o ‘boss’ da JBC em 2013

A Empresa JBC

Completando 12 anos agora em 2013, a JBC pode ser considerada uma nova empresa desde a chegada de seu novo editor chefe Cassius Medauar. Com uma nova dinâmica com seu público alvo e uma forma de trabalhar que definitivamente “cativa” o seu público, a editora vem conseguindo fidelidade de seus leitores e uma comunicação muito mais direta com os mesmos, muito mais do que somente respostas em uma fanpage. A interação acabou se tornando o ingrediente principal para vender seu produto e aparentemente vem dando resultados. É quase um “auto-marketing” já que grande parte das divulgações são realizadas pelos próprios canais oficiais da editora.

Utilizando o Henshin como o principal meio de comunicação e com divertidos vídeos como o Henshin Online com o próprio Cassius Medauar, a JBC mostra que está mais inteirada com seu público e com a linguagem do mesmo – claro, generalizando já que isso pode não ser sentido por todos. Além disso, o evento Henshin+ realizado em Junho foi a segunda vez que a editora buscou uma aproximação “física” com seus leitores, abrindo espaço para palestras e anúncios de títulos para os interessados. Vale lembrar que esse ano a editora anunciou um concurso nacional de mangás que deverá se desenvolver nesse segundo semestre e que provavelmente trará ainda mais “atenção” para seus meios de comunicação por parte dos participantes.

'O Diário do Futuro', um dos destaques da JBC em 2013
‘O Diário do Futuro’, um dos destaques da JBC em 2013

Outra mudança na editora vem sendo o modo de agir com seus lançamentos. Com títulos curtos ou de média duração a JBC tenta “expandir” seu mercado por vias alternativas tendo em vista que sua concorrente possui os mangás mais “mainstream” (a.k.a. Shounen Jump) em seu domínio. Além, é claro, de buscar em relançamentos de obras consagradas a opção de trazer de volta o público que “já saiu do mercado” e ao mesmo tempo conquistar aqueles que não tiveram contato nas primeiras publicações das obras no país. A estratégia de manter ao menos um título por mês também gera expectativa com os leitores tentando “adivinhar” qual será o lançamento por vir.

Obviamente muita coisa ainda deve ser feita. Aperfeiçoar os próprios canais de comunicação tornando eles ainda mais atrativos com promoções, por exemplo. Mas acredito que isso são mudanças que acontecerão naturalmente com o tempo e a JBC tem a noção da importância das mesmas para o desenvolvimento da editora. Se vem dando certo, pra que mudar? Como disse no começo, o melhor amigo da JBC até o momento é justamente a capacidade de fidelizar o leitor. Nesse sentido ela vem “vencendo” o mercado facilmente e conquistando um espaço até então não explorado antes – e que esperamos que sirva de exemplo para as outras editoras.

Catálogo do 1º Semestre

jbc primeiro semestreVamos para uma rápida análise no cronograma da editora do primeiro semestre.

No total foram 81 volumes lançados, dando uma média de 13,5 volumes por mês. Já no total de séries tivemos 25 títulos diferentes espalhados em apenas 3 demografias: Shounen, Seinen e Shoujo. As demografias são adquiridas com base nas revistas em que os mangás foram publicados. 

Demografia JBCComo é de costume da JBC, os shounen dominam a lista com 18 títulos. A surpresa é a presença de 5 seinen e apenas 2 shoujo – que convenientemente são do CLAMP. Nenhum josei consta na lista da editora, que já disse em algumas oportunidades que shoujos em sua maioria são considerados “fracassos” de vendas – provavelmente tirando apenas Fruits Basket ou Nana dessa lista. De qualquer modo é interessante ver a desigualdade entre os públicos por aqui.

  • Encerramentos: 6 (Negima, Bakuman, Ranma 1/2, Another, Card Captor Sakura e Level E) *não estão sendo considerados os volumes únicos

Maio provavelmente foi o mês mais “sentido” da JBC, perdendo Another e Level E (recém lançados) e Sakura. Além de The Innocent que se tratava apenas de um volume – mas que não se encontra na conta acima, como explicado. Mesmo assim fica o ponto positivo pelo fim de Negima (o fim do meio tanko na editora), Bakuman (a quarta obra de Takeshi Obata no Brasil) e Ranma (que quebra a “maldição” de não ter sido concluído por aqui e ter passado por alguns apuros de periodicidade com a própria JBC no passado).

  • Lançamentos: 9 (Diário do Futuro, Another, Burn-Up Excess W, Level E, Love Hina, The Innocent, Death Note Black Edition, Genshiken, O Senhor dos Espinhos)

Dos nove lançamentos da editora do primeiro semestre, 2 foram finalizados e 2 eram volumes únicos.  Mesmo assim perde-se 4 mangás com um ano ou mais de duração (Negima com 76, Bakuman com 20, Ranma com 38 e Sakura com 12) e apenas dois cobrem nesse pensamento (Diário do Futuro com 12 e Love Hina com 14) ou três se considerarmos que Genshiken dura até o ano que vem e que a JBC ainda pode optar por trazer a segunda fase dependendo do desempenho do título. A editora parece realmente ter a mentalidade de trabalhar com títulos menores por enquanto – veremos se isso muda no segundo semestre com títulos como Sailor Moon (18 ou 12 volumes, dependendo da edição que a editora publicará) e Blue Exorcist (ainda em andamento no Japão).

Dos títulos que ainda restam dos lançamentos, eis as estimativas de vida dos mesmos.

Death Note Black Edition: 6 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Novembro de 2013

O Senhor dos Espinhos: 6 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Novembro de 2013

Diário do Futuro : 12 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Janeiro de 2014

Genshiken: 9 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Fevereiro de 2014

Love Hina: 14 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Junho de 2014

Aqui chamamos a atenção para o pensamento da editora nos títulos escolhidos. O Senhor dos Espinhos, Another e Genshiken chegaram para o mercado seinen – que até então só contava com Freezing e Futari H nessa demografia e convenhamos que não é o que as pessoas entendem por “seinen” (lembrando que aqui costumem julgar demografia por gênero, o que são coisas diferentes). Ainda tivemos Diário do Futuro (Mirai Nikki) e  o próprio Another que pegaram carona nos animes de sucesso e em um bom timing de lançamento. Contamos com dois volumes únicos com Burn-Up Excess W (que veio pelo nome de Oh! Great mas que particularmente passou despercebido) e The Innocent (que agradou alguns e outros nem tanto). Vale também falar que Level E – de Yoshihiro Togashi – agradou muito os leitores que conheceram um outro lado do autor em apenas 3 volumes.

A JBC também parece ter encarado positivamente os relançamentos de Sakura e Rurouni Kenshin, trazendo no primeiro semestre Death Note Black Edition (a edição especial com 2 volumes em 1 e em uma qualidade diferenciada) e Love Hina. Black Edition é um mangá voltado para as livrarias, enquanto Love Hina aproveita o fim de Sakura para ocupar o espaço dos saudosistas de plantão.

  • Cancelados: Futari H

Aqui o primeiro “calo” da editora. Futari H foi cancelado depois de 42 volumes por causa de suas vendas abaixo do esperado. Vejamos a coisa por dois lados: como empresa, a JBC tirou aquilo que lhe era um peso morto e que cedo ou tarde acabaria trazendo prejuízo, tendo em vista que no Japão a coisa passa dos 50 volumes e nem tem sinal de fim. Por outro, o consumidor perde parte da “confiança” que a JBC transmitia com o lema de nunca ter cancelado nenhum dos seus mangás. Em minha atual posição confesso que fico dividido entre os dois pontos de vista e digo que ambos tem a sua razão. Porém até o momento a JBC vem sabendo administrar a situação e nenhuma desconfiança sobre a editora parece ter surgido nesse sentido ainda.

'Hunter x Hunter' é um dos mais populares títulos da editora e que sofre com paralisações no Japão
‘Hunter x Hunter’ é um dos que sofrem com paralisações no Japão
  • Títulos paralisados: Quanto aos títulos paralisados, a JBC continua com Lost Canvas Gaiden e Next Dimension (que já vieram volumes novos anunciados para o segundo semestre do Japão), Rosario + Vampire (que continua saindo regularmente na Square mas tem em média apenas 3 volumes por ano), Hunter x Hunter (o volume 32 e último disponível está sendo lançado em Julho), Nana (autora parada há anos), Bastard (mais um sem previsão nenhuma) e X (se alguém ainda acredita em Papai Noel). Temos também Evangelion que deverá ter seu último volume (o 14) lançado por aqui ainda nesse ano.
  • Outros títulos: Fairy Tail, Soul Eater, Rurouni Kenshin, Saint Seiya, Nura, Freezing, Rg Veda.

Tirando Fairy Tail (que conta com 38 volumes no Japão e ainda está em andamento) e Freezing (19 volumes no Japão e ainda em andamento)  todos os outros títulos da JBC já possuem “data para término”. Apenas Rg Veda acaba esse ano, enquanto a maioria chega ao fim em 2014. O andarilho renderá até o começo de 2015 para a editora.

Rg Veda: 10 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Agosto de 2013

Saint Seiya: 28 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Maio de 2014

Soul Eater: 25 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Agosto de 2014

Nura: 25 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Outubro de 2014

Rurouni Kenshin: 28 volumes no total.
Estimativa de término no Brasil: Fevereiro de 2015

  • Expectativas para o segundo semestre

Considerando que Rg Veda está chegando ao seu final já em agosto e que os mangás paralisados são uma incógnita para lançamentos (dependendo de aprovação do Japão e processos burocráticos) o segundo semestre da JBC poderá ser composto em sua maior parte por: Death Note Black Edition, Diário do Futuro, Fairy Tail, Freezing, Genshiken, O Senhor dos Espinhos, Rurouni Kenshin, Saint Seiya, Soul Eater, Love Hina, Nura e Blue Exorcist. Serão 12 títulos sendo que 1 deles é destinado para livrarias, deixando o checklist “comum” com uma média de 11 lançamentos mensais.

Obviamente não estamos contando com os futuros anúncios da editora que deverão acontecer – principalmente se a ideia de um lançamento por mês for mantida. Particularmente especulo que um título médio-longo deva ser apresentado nesse segundo semestre para dar uma folga em coisas como Fairy Tail e Freezing que no próximo ano estarão bem encostadas no Japão. Quanto ao “mais aguardado”, como o próprio Cassius disse várias vezes em seu Twitter, o processo de aprovação de Sailor Moon deverá ser longo e demorado. Não estranhem se o título pintar por aqui somente no fim do ano ou mesmo no começo de 2014.

A Qualidade

A seguir, segue uma tabela com os preços e qualidade gráfica dos mangás da editora lançados no mês de Junho, último contabilizado nesse balanço.

JBC Qualidade

*Não possui páginas coloridas em todos os volumes, assim como no original. No caso de Genshiken, segundo o amigo Didcart do Anikenkai, temos páginas coloridas em 8 dos 9 volumes.

  • Qualidade Gráfica e Preços

Pela tabela acima percebemos que a JBC possui diversos “modelos” de seus produtos, então vamos explicar por partes. No primeiro “pelotão” temos os tamanhos pocket de Soul Eater e Rg Veda com R$10,90, constando preços utilizados antigamente e provavelmente leva em consideração o tamanho (que acaba levando à economia de papel e impressão) e a popularidade dos títulos – afinal estamos falando de um mangá do CLAMP e Soul Eater que é uma série popular. No segundo pelotão temos os mangás “comuns” da editora, custando o preço padrão de R$11,90. Logo na sequência temos Freezing e O Senhor dos Espinhos, que possuem a mesma qualidade dos mangás de R$11,90 mas graças as 4 páginas coloridas em todas as edições seu preço é de R$12,90.

Em seguida temos O Diário do Futuro. Alguns reclamaram um pouco do preço praticado pela editora e é entendível. O mangá apresenta a mesma qualidade do papel dos mangás citados anteriormente e páginas coloridas como Freezing. A diferença em Diário do Futuro no entanto está em seu acabamento gráfico. A capa possui verniz aplicado e possui um material um pouco diferente dos outros, o que passa uma impressão de visual mais “caprichado”. Já Rurouni Kenshin, que custa os mesmos R$13,90 de Diário do Futuro possui apenas o papel offset (sulfite, digamos popularmente) de “aperitivo”. Em alguns lugares já vemos comentários que esse real “a mais” acaba fazendo a diferença no bolso – mas ainda assim a qualidade entregue consegue ser aceitável. Já Love Hina custa R$14,50 possui a mesma qualidade de Rurouni Kenshin, porém algumas páginas coloridas que não são tecnicamente referentes ao mangá em si como dito no review.

'Death Note' é um dos maiores sucessos da JBC e voltou ao país em 2013
‘Death Note’ é um dos maiores sucessos da JBC e voltou ao país em 2013

Death Note Black Edition apresenta um preço bem aceitável dentro do nosso mercado (quase o mesmo preço do volume original americano, por sinal) mas sem as belas páginas pintadas de preto como no original. Essa foi a maior reclamação vista em relação ao mangá, mas de resto é um material impecável, fiel ao original americano.

Aqui vale uma nota: Apesar dos diversos preços em seus mangás a JBC consegue manter o preço de muitos de seus títulos apesar do aumento do preço do papel em 2013, como podem ver nas matérias do Exame e do Brasil Econômico. O mesmo deve acontecer com suas concorrentes e é um caminho natural para editoras que terceirizam suas impressões (no caso a editora Abril se beneficia em sua linha de revistas pois possui uma gráfica própria). Também podemos lembrar que muitos dos títulos da editora atualmente possuem as chamadas impressões internas nas capas (Cavaleiros do Zodíaco não possuía e agora ganhou, por exemplo). Além disso, o único valor que destoa um pouco é o de Death Note Black Edition – que como ponto negativo não possui nenhum tipo de desconto na assinatura com a editora e possui periodicidade mensal. Mesmo se tratando de um mangá para livrarias será interessante ver como o público vai lidar com o segundo volume em diante.

Entrando nessa questão da periodicidade dos títulos da editora: Dentro do mercado a publicação mensal apresenta um maior retorno para as editoras mesmo que não seja um faturamento. Por esse motivo provavelmente a JBC utiliza essa periodicidade. Particularmente acharia interessante ver a editora testar em algum título menor (de até 6 volumes, por exemplo) as publicações bimestrais. Além de abrir espaço para o dinheiro do consumidor e evitar um conflito interno de vendas entre dois títulos, ainda se ganharia mais tempo em mãos com o mesmo e não teria um suposto problema de “poucos mangás” nas bancas. Claro que isso envolve um plano de marketing da editora e seu projeto mas acredito que um teste seria interessante justamente para analisar o desenvolvimento desse tipo de estratégia.

'Nura' é um dos poucos mangás "atuais" da Jump na JBC
‘Nura’ é um dos poucos mangás “atuais” da Jump na JBC
  • Tradução e adaptação

Embora a JBC tenha melhorado muito (mesmo) em suas adaptações para o mercado nacional ainda existem algumas coisas que incomodam um pouco na leitura, como algumas das expressões utilizadas em Fairy Tail e Nura. Veja bem: comparado com o que tivemos no começo de Fairy Tail com outro tradutor agora as adaptações “estranhas” são praticamente nulas, mas ainda surgem coisas estranhas aos “olhos” de alguns – e nem tanto para os de outros. Em compensação, outros mangás como Soul Eater e Level E merecem elogios pelo emprego de expressões do cotidiano, gírias e até mesmo adaptações para o contexto histórico de nosso país.

Títulos relançados como Sakura, Love Hina, Rurouni Kenshin e Death Note tiveram suas traduções revisadas e melhoradas em diversos níveis. Sakura agora não parece mais um mangá que tenta “esconder a verdade” para seu leitor e Love Hina teve adaptações ótimas mesmo com a diferença de época. Muitos esperam um relançamento de Yu Yu Hakusho por parte da editora, e se utilizarem do mesmo artifício sem alterar as piadas que consagraram a série no Brasil poderemos ter um grande sucesso em mãos novamente.

'Sailor Moon' é o título mais aguardado do ano na editora JBC
‘Sailor Moon’ é o título mais aguardado do ano na editora JBC

Considerações Finais

Definitivamente a primeira metade do ano foi extremamente benéfica para a JBC. Como dito no começo, sua capacidade de fidelizar o leitor vem sendo sua melhor arma na disputa por espaço no mercado. Títulos agradáveis e populares, a aquisição de Sailor Moon e os prováveis anúncios para o segundo semestre podem sacramentar como 2013 o grande ano da editora aqui. Apesar de não ser a maior, com o maior poder aquisitivo e com os títulos “mais populares”, a JBC consegue fazer bem o seu trabalho e tornar-se para muitos a melhor editora do momento no país. Veremos se até o fim do ano a situação continua ou se teremos alguma reviravolta no caminho.

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Relacionamento com o público: ★★★★★
Marketing: ★★★★☆
Catálogo: ★★★★☆
Custo e Benefício: ★★★★☆
TOTAL:  ★★★★☆

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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