Review – Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses (2013)

Batalha Dos Deuses FilmeOi, eu sou o Luk!

Dragon Ball é um dos meus animes favoritos de todos os tempos. Sempre paro para assistir um episódio na TV não importa quantas vezes tenha passado. E como fã cego eu consigo aguentar até mesmo as piores coisas feitas sobre a ele. Seja Dragon Ball GT ou até mesmo o maravilhoso filme live action Dragon Ball Evolution (esse eu vi no cinema, pasmem). E os filmes em animação de Dragon Ball Z não fogem muito dessa baixa qualidade. Foram 13 filmes feitos ao todo e praticamente conseguiu me agradar, fora que muitos nem conseguiam se encaixar na cronologia direito. Até hoje lembro de um em que um inimigo Namekuseijin é derrotado porque o Gohan começou a assoviar uma música no seu ouvido. Talvez o único vilão realmente não explorado de forma correta nos filmes tenha sido Brolly, mas isso é assunto pra outro post.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (10)Em 2012 uma notícia trouxe de volta Dragon Ball Z na boca dos fãs de todo o mundo. Chegava o 14° filme da série e esse teria o roteiro escrito pelo autor Akira Toriyama! A internet explodia a cada notícia, todos iam ficando animados com a possibilidade de uma continuação após o filme ser anunciado e a cada trailer lançado no YouTube. E para a surpresa de todos eles resolveram lançar o filme aqui no Brasil também! Inesperadamente até a minha cidade recebeu uma cópia e claro que eu corri para reencontrar meus velhos amigos na telona.

Sim, o review possui spoilers do filme. Leia por sua conta em risco!

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (11)A História

A paz no universo está prestes a acabar após Bills, o Deus da Destruição, acordar de um “cochilo” de apenas 39 anos. Bills teve uma premonição através de um sonho que falava sobre um possível rival que consiga lutar igual para igual com ele e apenas um nome rondava em sua cabeça: Deus Super Saiyajin. Ao lado de seu companheiro Whis, Bills resolve ir em busca de seu possível adversário e entender seu sonho. Os únicos que podem conhecer esse tal Deus Super Saiyajin são os Sayajins sobreviventes do Planeta Vegeta. Claro que estamos falando de Goku e Vegeta, que são os alvos de Bills nessa respectiva ordem. Mas enquanto isso, na Terra, a festa de aniversário da Bulma reuniu todos os guerreiros Z na corporação Cápsula. Vegeta segue treinando isolado em busca de uma forma perfeita e Goku está no planeta do senhor Kaioh fazendo o mesmo. Qual será a impressão de todos com a chegada do Deus?

Considerações Técnicas

Vamos deixar claro antes de qualquer coisa e informar que Dragon Ball GT não é desconsiderado da cronologia após esse filme como muitos diziam – até mesmo aqui no site informamos isso de forma errada em algumas notícias, uma vez que era o divulgado até então. A história de Battle of Gods se passa após a derrota de Buu e antes do torneio onde Goku encontra o jovem Uub.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (7)Dragon Ball Z – A Batalha dos Deuses – título que recebeu em nosso país – foi lançado nos cinemas nacionais no dia 11 de outubro de 2013, cerca de 7 meses depois de sua estreia no Japão. Tá achando muito tempo? Em países como Espanha e Itália o longa demorou ainda mais pra chegar. O longa metragem possui cerca de 1 hora e 25 minutos de duração e aqui no Brasil, depois de muitos pedidos de fãs, foi dublado pela grande maioria dos dubladores originais – com exceção do Senhor Kaioh, por questões contratuais. Com direção de Masahiro Hosoda (Gash Bell), roteiros de Yuusuke Watanabe (Gantz – Live Action) e história original de Akira Toriyama, o filme faturou em nossos cinemas o suficiente para ter uma certeza de sucesso interminável da franquia de Dragon Ball Z no Brasil.

Mas falando sobre o filme em si, A Batalha dos Deuses apresentava trailers que aparentemente vendiam o filme como um de ação, mas você pode se surpreender nesse ponto. A Batalha dos Deuses é muito mais um filme de humor, quase remetendo aos tempos de Dragon Ball e seu humor clássico. Algumas piadas inclusive são bobas, sem graças e extremamente infantis, mas apesar de tudo carrega a mesma essência de Akira Toriyama durante toda a sua série. Um humor inocente e “feliz”, destacando mais do que nunca a infantilidade eterna de Goku em busca de uma “batalha perfeita” – a visita de Bills mostra bem esse ponto.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (3)A história do longa em si é fraca. Brincamos que na verdade é um grande material para fãs matarem a saudade. O filme se alonga demais em alguns momentos sendo que no mínimo 20 minutos poderiam ser descartáveis. O filme começa com uma introdução ao “vilão” (que de vilão não tem nada) e depois disso temos a parte da festa da Bulma que basicamente é a responsável pela maior parte dos 85 minutos. Nela o plot se arrasta demais com cenas completamente desnecessárias, apenas para colocar uma piadinha aqui ou ali. Um exemplo disso é a existência do grupo Pilaf na trama. Mesmo sendo uma “homenagem” a um personagem clássico, o trio acabou sendo responsável por diversas cenas durante Battle of Gods, todas com cunho de comédia (ok, as partes com o Trunks foram bem boladas). Fora as trocentas cenas envolvendo Bills e Whis descobrindo a maravilhosa culinária japonesa e o seu desejo por um pudim. Enquanto isso temos um Vegeta que realmente perdeu todo o seu orgulho Sayajin e virou um alivio cômico – e que divide a reação do expectador entre um “Por que, Deus?” e um “Vegeta, você é um herói.”

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (14)O que sobra após tanto tempo perdido na festa da Bulma? Bom, temos as lutas que não realmente empolgantes, sendo que apenas uma é dignamente boa. A luta principal do filme é estranha pelo fato de não ser encarada de forma “séria” por nenhuma das partes. Goku não está preocupado com o resultado final, apenas com seu poder. Já Bills luta por diversão. Se você espera também alguma transformação incrível em “Deus” de Goku, pode parar por aí. Com uma aparência totalmente “sem graça”, tudo que vemos é uma paleta de cor diferente no cabelo e uma aparência mais esbelte. Por mais que eu ache o Super Saiyajin 4 horrível, ao menos tentaram fazer algo diferente e “evoluído”. Também vale um destaque para a luta de Vegeta e Bills. Apesar da explicação de Vegeta “ultrapassar” o poder de um Super Saiyajin 3 ser forçada, a ideia do afeto do príncipe por Bulma ser tão forte realmente é interpretada de uma forma bonita pelo melhor personagem do longa.

Se tivéssemos que apontar um grande defeito da animação, ele seria a falta de um sentimento de perigo e até mesmo seriedade vindo de Bills. Em nenhum momento ele realmente passou uma impressão de grande ameaçada. Tudo que ele queria era sua satisfação própria – que de fato poderia ter ocasionado a destruição de tudo, mas no fim era medido pelo seu bom humor e pela participação de seu ajudante (que é mais importante do que você espera). Bills não é um vilão. É apenas um personagem colocado no filme como ponto de força para enfrentar Goku e os outros guerreiros. Isso quebra um pouco a escrita de Dragon Ball, que desde Taopaipai ou Majin Boo, sempre teve um grande ocasionador de problemas reais. Isso não estraga a experiência do filme, mas são coisas que você pensa após o término do mesmo.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (5)Quanto a animação temos um ótimo investimento se tratando de um filme para cinema de uma franquia que não busca grandes vôos como um Ghibli. Apesar de alguns frames engraçados e feitos “de última hora”, Batalha dos Deuses poderia ser explicado como “o que os fãs imaginavam que Dragon Ball Kai seria se os produtores tivessem refeito a série”. Tivemos momentos em que a tecnologia 3D foi usada em cenários ou pequenas passagens, mas nada que possa incomodar ou tirar a imersão. A trilha sonora também não é nada demais, e diria que um dos grandes pontos fracos da animação. Poderia ser mais explorada em certas partes. Pra compensar, tivemos o FLOW dando um toque de qualidade com a música tema.

Mas se existe algo que Battle of Gods acendeu, com certeza foi o final. Akira Toriyama dá a entender através de Bills que poderemos ver uma continuação ou uma expansão do universo de Dragon Ball Z, com tramas envolvendo outros universos e inimigos cada vez mais poderosos. Sabemos que o autor nunca foi fã de carteirinha de Dragon Ball GT e essa seria uma possibilidade de se “redimir” com os fãs. Mas não existe nenhum tipo de confirmação ou expectativa sobre isso, apenas boatos sem fundamentos na internet. Além disso, Toriyama já está velho e disse recentemente que não aguentaria um grande trabalho. Esse possivelmente seja o motivo para que Battle of Gods tenha sido a última grande aventura dos guerreiros Z.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (8)Comentários Gerais

Dragon Ball Z – A Batalha dos Deuses definitivamente não é a última bolacha do pacote como boa parte das pessoas achavam que seria. Com elementos atrativos para os fãs clássicos da série e com uma comédia característica da série, o filme é um bom prato de recordação para os veteranos de batalhas, e um bom prato de apresentação para as crianças que não conhecem perfeitamente a história de Goku – imagino que uma criança de 10 anos pirou com um filme assim. Sendo um filme lançado por aqui no Dia das Crianças, Dragon Ball Z serviu para revitalizar um público que nunca morre no Brasil, de uma das franquias mais queridas e rentáveis em nosso solo.

Além disso, diria Battle of Gods foi uma porta interessante para estimular mais as produtoras a trazer animações japonesas para cá. É uma forma de dizer que, trazendo o “certo” ainda temos uma ponta de esperança.

Dragon Ball Z Batalha dos Deuses (2)Antes de acabar, um último ponto: Não deixe de assistir os créditos. São maravilhosos e nostálgicos para quem acompanhou a historia pelo mangá. E quem conseguiu acompanhar no cinema tenho certeza que se emocionou com o último Kame-Hama-Ha.

OBS: O filme agora está disponível no Netflix Brasil.

Luk

Luk

Eu juro que gosto de animes, apesar de todo o meu haterismo.

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