Review – Eden: It’s an endless world, de Hiroki Endou (Volume 1)

Review - EdenEste é o mundo do BIG!

Um dos anúncios da editora JBC durante o evento Henshin+, em março deste ano, foi uma aposta em um título que já fora lançado outrora no Brasil pela editora Panini, mas que foi cancelado e agora Eden: It’s an endless world chega em um novo formato e em uma nova casa.

De autoria de Hiroki Endou, o mangá foi serializado de 1997 a 2008 na revista seinen Afternoon, da editora Kodansha. Este novo título sairá no Brasil no formato BIG, um formato iniciado pela Viz Editora nos EUA que compila dois volumes tanko em um só – algo semelhantes ao que a editora brasileiro fez com Death Note Black Edition.

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A HISTÓRIA

Eden: It´s an Endless World começa com uma longa introdução, apresentando os personagens Enoah e Hannah vivendo uma vida tranquila em uma ilha remota e isolada chamada Éden, onde outrora  existira um centro de pesquisa do vírus que matou 15 por cento da população mundial e mutilou e desfigurou muitos outros, mas que não afeta o jovem casal. Na companhia deles vive Lane Morris, guardião dos dois, um pesquisador e vítima da pandemia, o chamado “Vírus Closer“.

Esta história em um mundo semi-devastado onde, no pânico em torno da pandemia mundial uma organização secreta, a Propater, derruba a ONU e toma o controle de grande parte do mundo. Os jovens, imunes ao vírus, são atacados pelo Propater e fogem com o auxílio do robô Cherubim.

Após 20 anos a  história se foca no filho de Enoah, Ellijah Ballard, que na companhia de Cherubim busca resgatar sua mãe Hannah e sua irmã Mana, que foram sequestradas pela Propater e no meio do caminho deste mundo pós-apocalíptico distópico conta com uma ajuda de bastidores de seu pai, que agora é o mais poderoso traficante de drogas na América do Sul e da ajuda de mercenários da Nomad, alguns deles ex-agentes Propater, no combate contra o Propater.

154CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

O primeiro capítulo de Eden é uma longa introdução, ocupando certa de 1/4 da edição, em que a situação do mundo é apresentada e que pode ser vista como o amanhã do mundo real. Com diversos flahsbacks do passado de Lane com a origem do vírus, do centro de pesquisa, dos pais de Enoah etc. é mostrada em uma trama que não se limita ao combate da “praga imparável” que é o Closer, mas também bate muito na segregação que a doença causa na sociedade, semelhante ao lepra, tuberculose, AIDS entre muitas outras. Como um milagre Enoah e Hannah não tem problemas com o vírus, fazendo deles um novo Adão e Eva frente a humanidade sendo eliminada, mas a aparição da ONU e da Propater ao final muda o mundo de ambos, levando-os a sair da ilha e a história saltar 20 anos para o futuro.

A partir do segundo capítulo a história ganha um novo protagonista, Ellijah, filho de Enoah e e Hannah que está andando pelo mundo na companhia do robô que fora reconstruído anteriormente por seu pai, Cherubim. O mundo que Ellijah percorre é um em que a civilização vai sendo tomada pela natureza, com a humanidade se limitando a cascas vazias devido ao Closer. A viagem de Ellijah não é das mais fáceis, levando-a a fazer questionamento sobre o mundo, desde a roupa que pega em uma loja até na busca por alimentos na natureza selvagem, o caso da mãe protegendo os filhotes levaria qualquer um à refletir.

Outros humanos apareçam só depois da metade do mangá, tendo então a humanidade sobrevivido ao terrível Closer, mas em uma organização político-social muito diferente. Com o fim da ONU a Propater assumiu seu lugar, mas não com um orgão para reunião e convívio entre diversos países, e sim como uma entidade que quer dominar e estar a frente do mundo. Tal posição faz surgir grupos como a Nomad, que combatem o poderio da Propater, e é a este grupo que Ellijah acaba se unindo, seja por obra do destino ou influência de seu pai nos bastidores.

190O enredo de Eden é rico e complexo, tal como é a base da história toda, o nosso mundo, e de compreensão que valem a pena parar e refletir na sua longa leitura, pois se em um único volume a história tem saltos de tempo, nada garante que não se terá mais pulos do tipo. A parte inicial com Enoah e Hannah foi muito curta, devendo ter retorno em flashbacks futuro em situações que surjam para se explicar algo, ou situações que o ponto atual da história necessitem. Ellijah é um bom protagonista, não sendo difícil de se imaginar na situação dele em um mundo que está retornando ao seu estado natural, mas que sozinho não sustenta a história e nem apresenta o mundo por visões, fazendo com que a Propater, Nomad e os integrantes de ambas mostrem que o mundo está além do centro de pesquisa apresentado no primeiro capítulo.

A arte de Eden é extremamente rica e e com cenários cheios de detalhes, mostrando cidades sendo tomadas pela vegetação de uma forma que parece muito natural. Parece até que o autor esteve em situações em que a natureza e a civilização conviveram, muito interessante. As cenas voltadas mais para a ação, como batalhas e perseguições, são muito bem organizadas e ricas em detalhes, remete até a algum mangá com robôs gigantes/militares, tipo Gundam ou Neon Genesis Evangelion. O traço dos personagens não é perfeito, na verdade é o design do primeiro capítulo que incomoda, parece faltar algo. No todo a arte tem uma mistura dos traços da década de 1980 e 1990, mas trazendo o melhor de ambas. Como o mangá foi publicado durante 9 anos a evolução do traço tem tudo para ser para melhor.

391A EDIÇÃO NACIONAL

Eden: It’s an endless world é o primeiro mangá da editora utilizando o formato BIG, criado originalmente pela editora editora americana VIZ, mas não é a primeira vez que a editora brasileira traz um mangá que é a compilação de dois volumes em um, o primeiro caso foi Death Note Black Edition. Além disso é uma nova aposta da editora em um título cancelado por uma de suas concorrentes atuais, mas que na publicação anterior utilizou páginas espelhadas e meio-tanko em um tempo em que o mercado brasileira mal tinha surgido. O crescimento do mercado e o amadurecimento dos leitores que começaram a ler com mangás de animes clássicos faz do momento atual ser o ideal para o lançamento do formato e do título. Editorialmente falando temos boas escolhas de adaptação de termos, mas ficaria mais cômodo um glossário curto ao final do que as notas de rodapé, a editora fez isso muito bem em Zero Eterno e poderia usar de modelo. Fontes foram bem escolhidas, não há grande variedade delas pois é um mangá com poucos variações, não tendo na parte tipográfica uma maior liberdade de mudanças. Algo que poderia ser traduzido é o subtítulo. Não vejo necessidade do subtítulo estar em inglês, a não ser que houvesse problemas pela publicação anterior por outra editora.

Olhando para a parte gráfica o maior destaque é o formato 2 em 1 do título, o que traz uma série de pontos a favor e outros contra. Voltado para livrarias e lojas especializadas o título ganhou características de livro, com mais de 400 páginas e uma lombada grossa e uma arte da lombada mais séria. A primeira capa é muito bonita, mas já a quarta capa é terrível, não havendo semelhanças nenhuma da capa, lombada e quarta capa. Pelo que é possível pesquisar não deve mudar este quadro, uma pena. Por ser mais grosso, a dobra da encadernação faz com que ao se ler textos na parte interna fique muito ruim pela margem pequena, sendo necessário ficar revirando a revista ou forçando a abertura da mesma, o que estraga a lombada. O papel utilizado é o Offset, mas se o foco do título é ser um mangá de colecionador não é o papel ideal para isso. Por ser branco e pela sua alta reflexão de luz é ruim para leitura, tornando-se quebradiço com o tempo mais rápido que outros papéis, realmente nobres, que poderiam ser utilizados. Não está ruim, mas poderia ser melhor para a proposta de colecionar.

348COMENTÁRIOS FINAIS

O primeiro mangá da JBC com o formato BIG da editora começa bem. Talvez um título mais conhecido ou com mais fãs no país fizesse mais barulho, mas este por ter sido cancelado por outra editora traz a sua curiosidade. Seu primeiro volume foi lançado na época dos eventos em julho e com os descontos promovidos pelas lojas, mas os próximos meses serão cruciais para o sucesso do título e do formato. Como é um mangá 2 em 1 ele dá início nas publicações bimestrais da editora, talvez mais pelo trabalho que uma única edição tem do que pela mudança da política da editora.

É um título recomendado para quem gosta de mangás de sobrevivência, não por ser mais um nesse tipo de título no mercado nacional (que ao meu ver já está ficando saturado), mas por ser uma história que tem um princípio nisso e ter uma trama mais séria e adulta. O formato BIG parece ideal para a republicação de títulos mais longos que os fãs tanto pedem, como Full Metal Alchemist e Inu-Yasha, mas eu não compraria Eden apenas para a editora acreditar no formato e lançar outras obras. Eden deve apreciado com uma boa obra e não como um apoio para que outro título venha no mesmo formato.

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FICHA TÉCNICA

Eden its an Endless World 01

 Título: Eden: It’s an endless world (EDEN 〜It’s an Endless World!〜)
Autor: Hiroki Endou
Editora: JBC
Total de volumes: 9 no Brasil (concluído)
Periodicidade: Bimestral
Valor: R$ 39,90

Pontos Positivos

  • Ótimo início para o formato BIG no país;
  • Impressão de boa qualidade;
  • Momento certo para retorno da obra ao mercado nacional.

Pontos Negativos

  • Margens internas muito estreitas;
  • Subtítulo não traduzido;
  • Capas da coleção são muito diferentes;
  • Glossário ao final seria uma solução para as notas de rodapé.

Nota Volume 1: ★★★★

Asevedo

Designer de formação, atualmente sou Assistente editorial da Panini Mangá. Acumulo mangás e HQ's, que espero conseguir ler um dia. Assisto animes de vez em nunca.

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  • Marcos Correia

    Eu comprava naquele meio tanko espelhado da Panini e fiquei p… quando cancelaram.
    Espero que dessa vez eu consiga concluir.

  • É, acho que o maior problema desta edição é a margem interna estreita mesmo.

    Ainda que se fale mal sobre o papel, o pisa brite 52g. seria uma escolha muito mais infeliz do que o offset, que será no mínimo muito mais duradouro que o “papel-de-bunda” usado na maioria dos mangás por aqui. Isto seria um tiro na cabeça, não no pé… Realmente seria bacana se o papel de Éden fosse o Lux Cream, mas num período como o atual, isto encareceria o mangá em muitos reais, e isto poderia ser outro tiro na cabeça.

  • kelvlin

    A construção narrativa incomodou um pouco. Mesmo com o título do segundo capítulo sendo “vinte anos depois” (ou algo do tipo, não lembro agora), demorei a entender que aquele não era o Ennoah. Houveram muitos detalhes que poderiam ser melhor explicados, mas não atrapalhou no entendimento da história, no saldo final. Quanto ao ponto negativo do subtítulo não ter sido traduzido, além de talvez o uso do inglês ter sido uma imposição dos japoneses, tem a questão marketing. A tradução literal de “It’s an endless world” soaria muito clichê, fraco, não chamando a atenção de quem não conhecesse o título. E todos tem aversões a coisas (livros, dvds…) que soem clichês. Mas em inglês tudo é cool, então foi uma estratégia muito mais conveniente.

    • Keima Kaname

      “Eden ~um mundo sem fim~” me parece um bom nome, soando melhor que o original.

      • kelvlin

        Ser clichê não significar ser ruim. Mas o publicozão geral não pensa bem assim. E é da cultura do brasileiro enaltecer e utilizar termos em inglês em detrimento ao nosso velho e não tão cool assim português.

        Mas como disse, creio que isso tenha sido uma imposição da editora japonesa ou americana.

    • Hebert

      Quando a Panini lançou aqui, o subtítulo era traduzido, deve ser por isso que não traduziram dessa vez

  • Kervin

    Ainda bem que não foi só eu que achei as Margens internas muito estreitas

  • Espero que esse BIG não vingue, troço ruim dos infernos.
    Pior que já pegaram logo dois mangás sensacionais para fazer isso. Eden e Blade. D:

    Mangá tem que ser lançado 1:1.

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