Saiyuki Reload Blast #1 – A franquia mais famosa que você não conhece

Eles estão de volta!

Sempre falei aqui que as revistas de animes e mangás da década de 2000 foram importantíssimas pra mim em muitos sentidos. Até os meus 14 anos eu tive muita dificuldade em fazer amizades fora do horário de aula (quem me vê hoje duvida um pouquinho disso) e meu horário em casa era sempre pra assistir, jogar ou desenhar algo. Era assim a vida de uma criança na era sem internet, acreditem. Mas algo mais também me ajudava muito: ler. Sempre gostei muito de livros e revistas em geral, mas naquela época, já meio otaquinho, tinha um oásis com Ultra Jovem, Anime Do, Herói, Henshin e tantas outras. E a partir destas revistas conheci muitas coisas novas e que era doido pra comprar pelos fansubs de VHS da vida.

Evangelion, Escaflowne, Gasaraki, Trigun e tantos outros. Mas um em especial me chamou atenção: Gensoumaden Saiyuki. A série, que trazia em seus textos um feeling de Yu Yu Hakusho, era na verdade um josei – e só teria conhecimento disso muitos anos mais tarde. Mas quer saber? Quando tive a chance de assistir, não liguei em nada para o que era ou deixava de ser. Tinha porradaria, uns personagens muito maneiros e uma arte que eu adorava. Era o shounen de lutinha mais shounen que eu conhecia.

Depois de anos vendo todos os animes, lendo os mangás e acompanhando o sucesso no Japão, percebi que Saiyuki havia se tornado uma franquia enorme! Mas que ninguém daqui conhecia! Daí minha surpresa com a série que comento aqui hoje. Sim: 2017 e um novo anime. Quem diria.


IMPRESSÕES DO EPISÓDIO

Essa temporada de Saiyuki tem como plano de fundo o mangá homônimo, no qual nossos protagonistas continuam sua caminhada rumo ao Oeste. Os acontecimentos são isolados, e a equipe de produção do anime conseguiu transpor de forma que o tempo no qual a franquia ficou de fora da TV não tivesse diferença. Além disso, a animação permanece eficaz, sem prejudicar na qualidade da série, mas sem grandes frames elaborados. Tudo se encaixa direitinho e torna a experiência em ver os heróis de volta ainda melhor.

O maior destaque fica por conta da trilha sonora, que faz bater o sentimento de nostalgia nas baladas dignas de animes mais antigos e clássicos. As cenas de ação, os diálogos, as cenas mais cômicas. Tudo parece encaixado e pronto para entrar no momento certo. Se havia alguma dúvida quanto ao feeling que uma nova série poderia transmitir a essa altura do campeonato, isso simplesmente não existe mais. Toda desconfiança por parte do fandom parece ter sido superada logo de cara.

Mas algo ainda me incomoda muito. Talvez o fato de ver que Saiyuki ficou tanto tempo afastado da televisão e que as pessoas não parecem no mínimo interessadas na série. Muitos acabaram pegando o bonde andando, e apesar do anime executar uma introdução boa para os personagens, ainda é confuso saber a motivação de cada um. Por que estão nesta jornada? O que Sanzou é e por que todos o temem? Qual o real significado de cada deus? E é isso que os torna tão únicos, o que é totalmente compreensível aqueles que prefiram deixar o anime de lado por simplesmente não saberem onde se colocar no meio de tantos retalhos de produção.

Claro que Saiyuki tem força suficiente para continuar atraindo fãs por onde passa. É uma série carismática e as cenas de ação são um charme a parte. É impossível não se apaixonar por esses quatro protagonistas. Mas ao mesmo tempo, é inevitável pensar que o timming dessa produção é no mínimo controversa. Mesmo contando com um ótimo trabalho do estúdio e da fidelidade com a franquia em si, Saiyuki Reload Blast apresenta no seu backlog a grande dúvida da temporada. Talvez este seja o grande problema de animes com adaptações espaçadas demais: você esquece de renovar o público quando ele precisa consumir tanto material anterior. É assim com revistas da Marvel ou DC, por exemplo. Por que não seria com animes também?

Mesmo assim, não posso deixar de recomendar. Comédia, ação, aventura, uma pitada de shounen-ai e um drama que envolve muitos  personagens ótimos. É a franquia mais famosa que provavelmente você não conhece, dependendo de sua idade. Saiyuki está disponível no Crunchyroll, e se você estiver disposto a acompanhar a aventura desses quatro deuses, não há porque deixar passar.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Saiyuki continua exatamente como eu me lembrava e da forma como me fez ter um encantamento sem tamanho pela série. Divertido, com suas pitadas de fanservice que todo mundo gosta. Tinha medo que, depois de tanto tempo, mudassem algo que fizesse o fandom ter pequenos espasmos, mas para minha surpresa foi tudo dentro do previsto.

Provavelmente se você nunca viu nada da franquia vai torcer um pouquinho o nariz e boiar de onde saíram aqueles personagens e sua lealdade a Sanzou. Mas isso não te impede de assistir essa temporada também. De uma forma meio mascarada no primeiro episódio, você já sabe de onde surgiu todo mundo e quem é quem. Saiyuki não é um “Yu Yu Hakusho”, como eu achava quando pivete, mas ainda é o melhor josei “shounen de lutinha” que se tem registro.

(Ou não.)

Dih

Dih

Paulistano, 27 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Hoje é editor assistente da Panini Mangás e colecionador compulsivo de quadrinhos em geral.

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  • Miguel Fara

    Legal! Vou procurar tb!

    • Juliana Sales

      Eu idem! Já coloquei na minha lista do SuperAnimes.

  • Paulo Thesis

    Não sabia que era Josei, mas me apaixonei na primeira vez que assisti, de fato demorar tanto para continuar é terrível, eu assisti fazem uns 5 anos, hoje pouco eu lembro das razões e motivações de cada um (do Goku é bem simples), mas lembro de serem muito boas. Sem citar a backstory de cada um que é belíssima.

  • Gil Oliveira O Mirukage

    Saiyuki (o primeiro manga) eh Shounen (editora da Squarenix). Saiyuki Reload (manga sequencial) eh josei (outra revista e editora).
    Em todo caso, ele ja nasceu ‘shounen para garotas’ como Kimi to Boku, Kuroshitsuji, Kuroko no Basket e dezenas de outros.