Eu Recomendo #06 – Animes de Terror e Suspense

Recomendo TerrorÉ hora de sentir medo!

Chegou a vez dos animes de terror aqui no “Eu recomendo”! Esse é particularmente um gênero que me agrada bastante e nunca vi muitas pessoas dizendo que não gostam desse tipo de anime, afinal, nada mais divertido do que assistir aquele anime perturbador numa noite chuvosa.
Mas nem sempre jogar sangue na tela é sinal de que será uma boa série de terror, por isso vou listar aqui 5 animes que eu recomendaria, seja pelo terror gore ligado a uma trama interessante ou aquela atmosfera de terror psicológico que faz toda diferença para o gênero.

HigurashiHigurashi no Naku Koro ni

Adaptado da visual novel criada por Ryukishi07
Ano de produção: 2006
Studio Deen
26 episódios + 24 episódios + 1 OVA + 5 OVAs + 4 OVAs

Higurashi no Naku Koro ni conta a história de uma pacata vila do interior do japão. Todos os anos esse vilarejo realiza um festival chamado Watanagashi, onde eles agradecem e cultuam o deus local: Oyashiro-sama. Keiichi é um estudante que acaba de se mudar para essa vila, esperando ter uma vida tranquila e feliz em sua nova casa. Mas logo ele descobre que esse vilarejo está longe de ser um lugar pacato, pois nos últimos quatro anos no dia do festival do Watanagashi sempre uma pessoa é morta e outra desaparece. Keiichi então passa a investigar esses estranhos acontecimentos e se vê cada vez mais envolvido, não só ele, mas seus amigos também.

Higurashi é uma série recheada de terror, suspense, mistério e drama. O ponto alto do anime é você observar os acontecimentos e tentar dar uma explicação para o que está acontecendo, para assim descobrir quem é o culpado por trás dessa cadeia de assassinatos e conspirações. O anime é baseado numa série de visual novels, totalizando 9 jogos. Possui também adaptação para o mangá, contando até o momento com 37 volumes, para livros, num total de 21 volumes, ainda dois filmes em live-action, entre outros (Sim, é muita coisa). E também, além das duas temporadas principais em anime, Higurashi possui 2 séries em OVAs, a primeira com 5 episódios sendo dois deles completamente dispensáveis e os outros três contam um pouco sobre a Frederica Bernkastel (personagem que liga Higurashi com Umineko). A outra série de OVAs ainda está saindo e contará com 4 episódios. Totalmente dispensável, mas não entrarei nessa questão.

Algo que confunde as pessoas no seu primeiro contato com Higurashi é o sistema de arcos. A história é dividida em 4 arcos de questões (primeira temporada do anime), onde são apresentados os mistérios, e 4 arcos de respostas, onde os mistérios são resolvidos (segunda temporada do anime). E a estranheza das pessoas é que em cada arco a história se repete, quer dizer, acontece sempre no festival que o Keiichi participa, mas cada vez as coisas que acontecem são diferentes. As pessoas que morrem e matam são outras, os assassinos são pessoas diferentes e no próximo arco estão todos vivos de novo. Assim, a “mesma” história vai sendo recontada de modos diferentes. Mas é justamente aí que está o legal, pois por mais que cada vez as coisas que acontecem sejam diferentes, a verdade por trás de tudo é uma só, o verdadeiro culpado é um só, as regras do jogo são sempre as mesmas. 

Jigoku ShoujoJigoku Shoujo

História original por Hiroshi Watanabe
Ano de produção: 2005
Studio Deen
26 episódios + 26 episodios + 26 episódios

“Você guarda rancor de alguém? Quer se vingar da pessoa que destruiu sua vida? Ouvi falar de um site que só pode ser acessado à meia-noite, e se você escrever o nome da pessoa odiada lá, ela é mandada para o inferno“. Enma Ai é uma jovem garota de cabelos negros e sem expressão facial, ela é encarregada de fazer as vinganças das pessoas que acessam o site citado (O Jigoku Tsuushin, ou “Correspondência do Inferno”) junto com seus três fiéis ajudantes: Ichimoku Ren, Hone Onna e Wanyuudo. Mas as coisas não são tão simples assim, pois quando uma vingança é feita, dois túmulos são abertos. Ou seja, quando você faz a vingança a pessoa que você colocou o nome no site irá imediatamente para o inferno, mas você que fez o pedido também irá para lá quando morrer.

Essa é a premissa de Jigoku Shoujo, o formato lembra bastante aqueles seriados policiais americanos, onde cada episódio se foca num caso diferente, mas contando com um elenco fixo que vai se envolver nesses casos. Isso não é muito comum em animes, mas eu acho muito interessante. Os casos são muito legais e te fazem pensar diversas questões, se colocando no lugar dos personagens pra pensar “Será que eu faria isso? Vale a pena sacrificar minha vida pra escapar desse problema? Será que não consigo resolvê-lo por mim mesmo?”. Mas claro que o anime não se resume a contar casos alheios, pois os personagens principais vão se desenvolvendo com o decorrer da série, tanto os ajudantes da Ai quanto ela mesma. O passado da garota é muito triste e vale a pena acompanhar.

Regada por cenas voltadas para um terror psicológico (mas também temos coisas como pessoas sendo perfuradas por guarda-chuvas) e uma trilha sonora que contribui e muito para esse clima, Jigoku Shoujo possui três temporadas (além de algumas adaptações para mangá e live-action) e a última recebeu algumas críticas negativas pois as vinganças estavam acontecendo por motivos idiotas como por exemplo “você derramou café na minha roupa”, mas eu não concordo nisso como um ponto negativo, pois essa era justamente a intenção, mostrar o quão as pessoas estavam banalizando a vida humana. Também tem algumas reclamações dessa mesma temporada por terem infantilizado a parte em que a a Enma Ai manda a pessoa para ao inferno, enquanto na primeira temporada tínhamos vinganças incrivelmente aterrorizantes, na terceira temos a Ai vestida de abelhinha… Nisso eu concordo que caiu bastante, mas mesmo com esse defeito no final da série vale muito a pena checar Jigoku Shoujo para quem está procurando uma boa série de terror.

Ghost HoundGhost Hound

História original por Shirow Masamune
Ano de produção: 2007
Production I.G.
22 episódios

Ghost Hound conta sobre três garotos com passados traumáticos: Tarou Komori, um jovem narcolépso que foi o único sobrevivente de um sequestro envolvendo ele e sua irmã; Makoto Ogami, que viu o suicídio do próprio pai; e Masayuki Nakajima, que desenvolveu acrofobia (medo de altura) depois que um colega de classe em quem ele praticava bullying se matou jogando-se do prédio da escola e colocando a culpa no Nakajima. Devido a esses acontecimentos, agora os três são capazes de ter experiências extracorpóreas (quando sua “alma” sai para fora do corpo, a grosso modo). Conforme a história vai se desenvolvendo, vemos que os três de algum modo estão ligados ao sequestro de Tarou e juntos eles passam a investigar. Contando também com a participação de uma misteriosa garota chamada Miyako que é capaz de ver espíritos e, por conseguinte, os três garotos quando estão fora de seus corpos.

Ghost Hound é um daqueles animes com uma história um pouco complexa, tanto o diretor quanto o escritor de Serial Experiments Lain estão envolvidos nesse projeto, então você já deve fazer ideia do que estou falando. Essa série, assim como Lain, tem aqueles momentos em que eles te explicam algumas coisas meio complicadas, como o funcionamento de doenças. Mas isso não é um ponto negativo, principalmente se você gosta de Lain – o que é o meu caso. O ponto forte desse anime, que me fez colocá-lo aqui, é sua ambientalização, a sonoplastia da série é perfeita; juntando com o visual, tem partes que te deixam um tanto angustiado. Você não vai encontrar pessoas tendo a cabeça partida ao meio aqui como em Higurashi, mas quem curte esse outro tipo de terror, mais “sutil” eu diria, é uma série que vale a pena conferir. Na verdade, a única coisa que quebra o clima um pouco mais ‘pesado’ de Ghost Hound é a forma de espírito dos protagonistas, eles ficam muito engraçados, sério, quem já viu sabe do que estou falando.

ShikiShiki

Baseado no mangá de Fuyumi Ono e Ryu Fujisaki
Ano de produção: 2010
Daume
24 episódios

Shiki é um anime recente, do ano passado, que recebeu ótimas críticas, para mim um dos melhores de 2010. A história se passa num pequeno vilarejo para onde uma estranha e rica família se muda. Essa mudança coincide com algumas estranhas mortes que começam a acontecer no local. Toshio, médico do vilarejo, começa a suspeitar que possa ser epidemia de alguma doença, mas as pessoas não param de morrer e ele se encontra numa luta contra o tempo para tentar salvar as pessoas da vila. 

Shiki trata sobre vampiros (chamados de “Shiki” na série), e desde o início já fica meio claro que são eles o motivo das mortes. E é interessante o meio pelo qual os personagens vão descobrindo isso, até hoje está marcada na minha cabeça a cena do Toshio fazendo experiências com a própria esposa para se certificar que ela era um vampiro. Sério, as cenas foram muito horríveis (no melhor sentido da palavra), até um pouco difícil descrever. Em pouco tempo o vilarejo vira um campo de guerra entre humanos e vampiros, onde ambos apenas querem sobreviver. E isso é um ponto muito legal, pois não fica aquela coisa de “os vampiros são malvados, vamos matá-los”, não, eles só estão lutando pela própria espécie. Assim como nós matamos animais pra nos alimentar, eles se alimentam de pessoas e apenas querem viver. A série te mostra isso de uma modo bastante melancólico até.

Muito sangue, suspense e mistério estão presentes nesse anime, posso garantir que algumas cenas fazem até os mais corajosos tremerem nas bases, hehe. Além da ótima trilha sonora por Yasuharo Takanashi, mesmo compositor da OST de Jigoku Shoujo, um gênio quando se trata desse estilo de música. Se você ainda não assistiu Shiki, não perca mais tempo! Aliás, recentemente saíram alguns OVAs da série que valem a pena serem conferidos.

UminekoUmineko no Naku Koro ni

Adaptado da visual novel criada por Ryukishi07
Ano de produção: 2009
Studio Deen
26 episódios

Do mesmo criador de Higurashi, eu não poderia me permitir não falar desse anime. Umineko conta a história de uma rica e poderosa família que todos os anos se reúne em sua ilha particular – Rokkenjima – para discutir os assuntos da família. Dia 4 de outubro de 1986 é o dia da próxima reunião familiar, mas dessa vez o assunto a ser discutido não é simples: Kinzo, chefe da família, está com a saúde fraca e pode morrer em breve, então eles devem discutir como será dividida a herança da família entre seus 4 filhos. O clima já começa a ficar tenso com brigas e discussões pois todos eles querem uma fatia mais gorda do bolo, porém, de longe esse é o principal problema. Uma tempestade começa, eles ficam sem comunicação e sem transporte, a ilha está completamente desconectada do mundo exterior, é quando acontece o massacre de Rokkenjima. No dia seguinte, as pessoas da ilha (Um total de 18 pessoas, entre eles membros da família e empregados) encontram 6 deles mortos. Junto com uma carta de alguém que se diz ser uma poderosa bruxa, Beatrice, a suposta alquimista da família que teria dado muito dinheiro para Kinzo no passado. Na carta ela diz que quer de volta todo o ouro que emprestou, incluindo os juros desse empréstimo: a vida deles. O único modo de fazê-la parar é se alguém encontrar o ouro escondido na ilha, para isso eles devem desvendar o epitáfio que guarda o segredo que leva até o ouro. Enquanto isso, ela vai usando sua magia para ir matando as pessoas da ilha, até não sobrar ninguém. Sim, a famosa frase da série: “Quando as gaivotas chorarem, não haverá sobreviventes”. E é justamente o que acontece, no final ninguém sobrevive.  Mas como é possível todas as pessoas da ilha morrerem? E o culpado, ele se mata no final? Qual seria o sentido disso? Segundo Beatrice,  não é preciso ficar pensando nessas coisas, afinal, ela fez tudo com sua magia.

Mas espere, espere, espere. Bruxa? Magia?? I don’t believe in that crap!! E é agora que entra o diferencial de Umineko, pois ele é uma briga entre magia e realidade. As mortes acontecem de maneiras bizarras, cabeças esquartejadas, quartos fechados, órgaos substituídos por doces, crimes aparentemente impossíveis de serem explicados através de truques humanos. E o objetivo de Battler, protagonista da história, é justamente provar que esses crimes poderiam ter sido feitos por um humano, provar que uma das 18 pessoas da ilha é o culpado e que não existem bruxas nem magia. Umineko segue o mesmo sistema de arcos de Higurashi (4 de questões e 4 de respostas), onde aquele mesmo dia vai se repetindo de maneiras diferentes com a finalidade de ir te elucidando os mistérios, e ainda possui um “meta mundo”, um plano superior onde Battler e Beatrice discutem suas teorias sobre o que acontece na ilha. Infelizmente em anime só tem os arcos de questões, espera-se ainda uma segunda temporada para esclarecer os mistérios. Mas pode-se conferir no mangá ou na visual novel o desfecho dessa história, que é lotada de reviravoltas.

por Trunks

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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