Primeiras Impressões – Mirai Nikki

Foram só 15 segundos de anime e já tivemos algo muito superior do que aquele OAD do ano passado… Redenção?

E as estréias continuam. Mirai Nikki era mais um dos animes esperados da temporada que faltavam ser exibidos. O mangá de Sakae Esuno foi concluído no ano passado com 12 volumes encadernados e dividiu opiniões entre os fãs quanto ao seu final. Mas no geral, foi um ótimo e coerente título até o fim. Tudo que poderiam querer em um mangá do gênero estava lá: um jogo de vida ou morte, uma personagem bonitinha e assassina e diversos personagens que souberam ser bem trabalhados pelo autor, diferente de outros que colocam tantas e tantas criaturas na obra e no final se perdem na própria história.

Mas vamos ao que interessa: o estúdio asread conseguiu apagar da memória das pessoas aquela má impressão do OVA? Será que teremos uma adaptação decente do mangá para os fãs? Preparem-se para muitas cenas agoniantes e decisões que estão além do comportamento humano. Mirai Nikki começou.

A história

Yukiteru é um garoto comum, que tem uma vida não muito agitada. É o tipo de pessoa que se exclui da escola e dos amigos e que prefere ficar o dia inteiro mexendo em seu celular. Não que isso seja muito diferente da realidade que vivemos hoje, mas Yukiteru tem um motivo em especial para fazer isso: seu celular é seu diário, e nele descreve tudo que acontece em seu dia-a-dia. Porém o lado “estranho” de Yukiteru não para por aí. O garoto é tão recluso que acaba entrando em um mundo “dentro de seu pensamento”. Ou ao menos era isso que ele pensava, que tudo não passava de um sonho.

Um dia, em um desses “sonhos”, Yukiteru acaba sendo convidado para um “jogo” pelo Deus Ex Machina, criatura soberana criada dentro da mente do garoto. Achando que tudo não passava de um delírio, o garoto acorda e percebe que seu celular tinha anotações que não eram dele, que relatavam o futuro! O tal Deus Ex Machina não era um delírio, afinal, e agora Yukiteru é o portador de um diário do futuro (Mirai Nikki) e terá que proteger tal item até a morte. Isso mesmo: caso o celular seja destruído, Yukiteru também será morto.

O grande problema é que agora ele está envolvido em um jogo com mais 11 pessoas que também possuem um diário e que terão que se enfrentar para ganhar o direito de serem o novo Deus. Um terá que matar o outro no maior estilo “guerra de sobrevivência”. Yukiteru estava assustado… Mas só estava, porque seu medo aumenta em dobro depois que ele conhece Yuno, uma garota psicótica que, segundo ela mesma, protegerå Yuki até a morte. Uma paixão doentia? Um mar de sangue por vir? Todos contra Yuki? É o que você descobre agora assistindo Mirai Nikki…

Considerações Técnicas

Eu sou um grande admirador de Mirai Nikki e é uma série que eu adorei. Li o mangá inteirinho em apenas 1 dia e fiquei decepcionado depois daquele OVA do ano passado. Animação péssima, adaptação totalmente sem sentido e… é, eu não gostei. Estava ansioso e receoso com essa nova série, mas ela conseguiu superar minhas expetativas. Com uma animação razoável do estúdio asread (que não compromete, mas também não é nenhuma maravilha), uma trilha sonora agradável (que também poderia ser melhor, mas novamente não compromete) e uma adaptação razoável e bem dirigida por Naoto Hosoda, Mirai Nikki pode se destacar nessa temporada se tomar um rumo certo.

Podemos fazer algumas considerações importantes sobre o roteiro. No anime eles conseguiram enxugar e ao mesmo tempo acrescentar informações bem interessantes para a história. Por exemplo: as cenas dos assassinatos nas proximidades do colégio de Yukiteru foram mostradas nesse primeiro episódio, coisa que não acontece no mangá. Provavelmente significa que a série deve investir bem na violência, e que provavelmente teremos muitos cortes na TV aberta, deixando a curiosidade dos hardcore para a versão em Blu Ray. Também vale salientar a importância do traço dos personagens que conseguiram caracterizar muito bem até aqui o que está reservado pra cada um: Yukiteru tem aquele olhar de “não quero saber da vida” e ao mesmo tempo “estou com medo, alguém me tira disso aqui!”. Já aviso desde já que quem detestou o Ganta de Deadman Wonderland, provavelmente vai odiar esse também. Mimado e chorão, e diferente de Ganta, ele nem ao menos consegue lutar sozinho, sempre precisa de alguém. Chato, literalmente. Só sabe correr de uma garota.

Mas tudo bem, eu sei que vocês que leram o mangá querem saber o que realmente importa: Yuno. Garanto para vocês que conseguiram representar muito bem o lado psicótico yandere da personagem, muito diferente daquele OVA (sim gente, eu sei que eu odiei demais aquela coisa). Seus olhares e jeito como fala com Yukiteru são dignos de atuação de um Higurashi no Naku Koro Ni. Além disso, conseguiram passar para a personagem uma característica mais “ousada”, levemente puxada para um teor “sexual” em suas expressões. Não estou dizendo que o anime tem fanservice, não entendam errado. Apenas que conseguiram deixar ela com muito mais “vida” do que o mangá conseguiria passar sem cores ou estaticamente.

A adaptação do roteiro também foi boa e não houve a correria que eu tinha medo, como aconteceu com o OVA. Pelo contrário, em alguns momentos o ritmo foi até mais lento do que o esperado. Conseguiram adaptar aproximdamente 2 capítulos e meio do mangá sem a velocidade que já foi constatada em alguns animes da temporada por alguns como Persona 4 ou Hunter x Hunter. Outra coisa bacana foi ver a explicação do Deus Ex Machina de uma forma rápida e objetiva, sem precisar de um episódio inteiro dele comentando e explicando as regras do jogo. Tudo no roteiro parece ter corrido fluentemente e como disse antes, a animação não compromete e ajuda a ditar o ritmo das coisas. Mais um ponto legal foi ver no final do episódio, depois do encerramento, aquelas “piadinhas” da Murumuru. Os fãs do mangá devem gostar da aparição “especial” dela.

Claro que nem tudo são elogios para não parecer “puxa saquismo”. Um ponto importante a se destacar é que as vozes em certos momentos não combinaram muito bem com os personagens. Não ficaram ruins, apenas fica a sensação de que não são garotos de 14 anos falando, e sim de 10. O mesmo caso inclusive aconteceu em Gundam Age. Outra coisa que ficou “devendo” foi no quesito animação, como já havia comentado antes. Um dos grandes problemas das animações são relativos a pontos de luz e coloração, e Mirai Nikki parece ter sofrido um pouco disso. Tudo pareceu “chapado” demais e as sombras duras, sem dar dinamismo para as cenas. O excesso da cor lilás (como é possível notar nas screens) incomoda um pouco. Nada que realmente vá comprometer muito a adaptação, mas que vale a pena dizer. Talvez tenhamos uma mudança no lançamento do anime em Blu Ray?

Comentários Gerais

Foi um episódio muito bom no geral. Posso dizer que agradou e que tem tudo para ser sucesso entre os fãs de histórias cheias de sangue, ação e uma boa dose de personagem yandere. Meu único medo é que Mirai Nikki se torne outro caso semelhante a Deadman Wonderland, que apesar de uma adaptação “boa” sofreu com a instabilidade da animação e com a fraca venda de produtos. A diferença é que Mirai Nikki conta com o lado positivo de já ter sido concluído em seu mangá.

Algumas pessoas ficaram “assustadas” se o anime conseguiria cobrir toda a história em apenas 26 episódios como estava previsto. Minha opinião é que o número é mais que suficiente para mostrar tudo que o mangá tem se continuarmos com essa média de velocidade na adaptação. Resumindo: esqueça aquele OVA do ano passado e comece do 0 com esse anime. E se puder, ao final dele, leia os primeiros capítulos do mangá e compare. Recomendo também o post da Roberta do Elfen Lied Brasil, que teve uma opinião um pouco diferente da minha. Veja se exagerei ou se realmente tive coerência ao dizer que esse anime pode sim fazer frente ao nome da série. E agora o que interessa é: que comece a batalha de Panini e JBC para trazer o mangá. Isso é, se não estiver nas mãos de alguém. Alguém quer fazer apostas?

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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