Hall da Fama #02: Jinta Yadomi e uma lição sobre crescer

O quanto um trauma de infância pode mexer com um adolescente? E o quanto ele pode se recuperar disso? É o que Jinta Yadomi de AnoHana precisa descobrir.

Olá, pessoal! Segunda edição do Hall da Fama, uma semana passa rápido, não acham? ^^

Pois bem, como vocês já sabem essa coluna é especial para comentar personagens com características marcantes de animes recentes (deste ano ou de alguns um pouco antes). E sim, as postagens dessa coluna sempre terão spoilers, portanto cuidado ao lerem.

Pois bem, a postagem de hoje é sobre Jinta Yadomi, carinhosamente apelidado por sua falecida amiga Menma como Jintan, é simplesmente o protagonista do melhor anime de drama do ano e presença obrigatória em todos os Top de 2011 que surgirem por aí: Ano Hi Mita Hana No Namae o Bokutachi Wa Mada Shiranai, mais conhecido como AnoHana (mais fácil, né?).

AnoHana foi o anime de Abril capaz de deixar todos completamente secos pelo próximo episódio a cada semana – digo isso por experiência própria no Twitter. Foram três meses de teorização, de compartilhar o que foi sentido a cada cena emocionante, enfim; tudo isso por conta de um enredo simples e até previsível que foi dirigido de forma bem intensa. E foi esse anime tão marcante que trouxe um dos protagonistas mais simpatizáveis do ano.

Jinta Yadomi é um personagem que tem a vida e a personalidade viradas de ponta-cabeça. Quando criança, o garoto tinha uma tendência natural para a liderança – foi sem escolha ou qualquer brincadeira de criança que ele se tornou o líder de seu grupo de amigos, os Super Protetores da Paz. Mesmo com os problemas da doença de sua mãe, ele não demonstrava falta de pique entre sua turma.

Aí, de repente, a cacetada. Como todos sabemos, em um dia comum no esconderijo secreto das crianças, Jinta fere os sentimentos da pequena Meiko Honma, apelidada de Menma, e antes de se desculpar com ela, ocorre aquele acidente. Sim, a morte da menina que causou um trauma diferente em cada um dos pequenos Super Protetores da Paz. E para Jinta, a dor ainda é mais intensa: logo em sequência, o garoto perderia sua mãe. Quantas pessoas, ainda mais passando por isso na infância, conseguiriam se manter de pé após um baque desses?

O que ocorre na adolescência é que Jinta chega ao ponto de se tornar um hikikomori – um jovem que opta por esconder-se do mundo exterior trancado em seu quarto convivendo apenas com suas revistas, televisão e videogames. Além do trauma intenso, poderia atribuir isso também ao fato dos amigos se afastarem por conta de suas próprias feridas e a ausência de seu pai, que provavelmente não soube lidar com a perda da esposa e não reagiu contra o isolamento do próprio filho.

A última esperança para recuperação do menino seria, então, a presença do fantasma da pequena Menma, que precisa que o amigo ajude-a a realizar um desejo que ela mesma desconhece. A partir daí vemos o garoto procurar sair de seu estado estático, como forma de descobrir o desejo de sua falecida amiga e entender as feridas de seus antigos amigos – o remorso de Anaru por sentir-se aliviada com a morte de Menma, o trauma de Yukiatsu de se vestir como a falecida menina (da qual gostava), etc. É pelo apreço enorme por aquela pessoa que perdeu – e também por aqueles que acabaram se tornando distantes – que ele descobre uma motivação.

Isso o leva a um grande desenvolvimento, de um estado apático a alguém que aos poucos tenta voltar ao mundo real ao descobrir um propósito e descobrir os sentimentos perdidos de Menma; ele faz um esforço para voltar a escola, para convencer seus amigos de que o fantasma que vê é real, para trabalhar e conseguir o dinheiro necessário para lançar os fogos de artifício que supostamente fariam parte do desejo de Menma. E é com essa dedicação que revive seu espírito de liderança da infância e é levado a compreender que deve aceitar seus sentimentos, e assim ele e os outros jovens conseguem acertar suas contas com o passado despedindo-se de Menma na cena mais emocionante do ano.

Por fim, AnoHana foi um anime cujo enredo dirige-se com grande força no desenvolvimento e crescimento de seus personagens, e faz isso com primor e sem exageros (fora poucas cenas mais forçadas, como a choradeira “estoura-tímpanos” do episódio final). No geral possui uma execução coerente, e Jinta Yadomi é o protagonista exemplo de desenvolvimento, apresentando superação aos obstáculos e aos traumas do passado com um amadurecimento adequado.

E fica por aqui mais uma Hall da Fama. Nos vemos na próxima semana!

por Mary

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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