Hall da Fama #04: Edward Elric, o Alquimista de Aço

E bem-vindos ao quarto Hall da Fama! Desta vez entrando no campo dos shounens, com Edward Elric de Fullmetal Alchemist!

(Atenção: Texto com Spoilers, mais especificamente quanto à segunda versão do anime (Brotherhood). Mais moderados do que na semana passada, mas ainda assim, spoilers.)

Vou contar uma coisa (não é pra zoar): aos meus 12/13 anos, lembro-me de voltar à tarde da escola com um passo apressado, para chegar em casa, ligar a TV e assistir ao episódio do Fullmetal Alchemist do dia, transmitido na RedeTV. Ah, aqueles tempos ingênuos! Sem internet decente e nem sonhar sobre o que era ser otaku. Pois foi justamente FMA – muito mais do que Naruto ou Pokémon – o grande responsável por me mostrar o quanto uma animação japonesa de alta qualidade é capaz de fazer.

Mas enfim, chega de flashbacks. A verdade é que o primeiro Fullmetal Alchemist foi um ótimo anime e a versão Brotherhood é, sem dúvidas, meu shounen favorito; falo isso tanto quanto ao mangá quanto às duas versões do anime. A ação é empolgante, tem seus momentos de suspense, a trama é criativa e cheias de mensagens morais e os personagens são muito bem caracterizados. E dentre o elenco tão elaborado, Edward Elric é um protagonista eterno na história dos animes. Afinal, quem consegue esquecer o baixinho temperamental e idealista que não suporta tomar leite?

Edward é uma boa variação do protagonista de shounen, sendo menos estereotipado que a média geral. O garoto, decidido a recuperar os corpos que ele e seu irmão Alphonse perderam após tentar reviver a mãe com transmutação humana, é um garoto notavelmente inteligente, de temperamento forte, não gosta de ficar muito tempo parado – o que pode ser relacionado a seu gosto por viagens – e é um forte idealista, disposto a criticar as pessoas em prol de ajudá-las a melhorar suas atitudes.

Só que de uma certa forma, esse idealismo é acompanhado de uma noção pequena de como o mundo realmente é; a partir do momento em que Ed torna-se o Alquimista de Aço, um “cão do exército”, que ele vai de encontro com uma realidades desumanas por baixo das bases da nação de Amestris, e sua própria jornada mostra-se envolvida com isso. A guerra de Ishval, os experimentos secretos do exército e a perda de pessoas queridas, tudo isso o leva a acreditar fortemente que sua jornada com o irmão pode estar arriscando a vida de pessoas próximas, e que é preciso fazer algo pelos outros e para não perder mais ninguém.

E sim, falando em laços afetivos não dá para deixar de mencionar os laços familiares do garoto. Foi justamente pela vontade de reviver a mãe que ele e o irmão acabaram realmente entendendo os efeitos da Lei da Troca Equivalente, e é justamente a vontade de reparar os danos causados ao irmão mais novo o principal motivo de toda a jornada que eles enfrentam. Há inclusive um momento (muito perfeito, por sinal) em que, quando Alphonse questiona se sua existência é mesmo verdadeira, ele acaba revelando que temia ter perdido o amor do irmão. Sim, a relação entre Ed e Al é uma das mais bonitas que já vi entre os animes que conheço, tão cheia de naturalidade e cumplicidade que só evoluiu ao longo da série.

Outras relações entre Ed e o restante do elenco também são dignas de nota, destacando algumas: com o coronel Roy Mustang, há uma relação cheia de provocações porém carregada de um grande respeito um pelo outro, que culmina em uma cooperação crescente conforme a história avança; com Winry… SHIPEEERS!! Ok, falando sério agora. Com Winry há uma espécie de relação de família, não sendo ela uma simples mecânica de sua prótese de automail; ela é um forte suporte emocional a Ed e ele é superprotetor com Winry, com uma forte sugestão de romance entre os dois; e com o pai Hohenheim, a aversão inicial pelo abandono quando criança ao final acaba chegando a uma certa confiança.

E para não deixar a série em um clima tenso constante, o humor do Edward é sempre bem-vindo. As expressões humorísticas criadas para o Ed por Hiromu Arakawa são cheias de energia e é impossível não deixar escapar ao menos um riso interno quando olha para elas. Tem também o complexo do garoto com a própria altura, as crises de recusar leite e as típicas surras de chave inglesa da Winry quando as próteses mecânicas são quebradas… Enfim, é diversão e sem ficar forçada. A representação de Edward – e de praxe, dos personagens em geral da série – consegue alternar entre o humor e a seriedade sem perder a consistência.

Por fim, Edward Elric é um protagonista incrível para um anime/mangá que com certeza marcou muita gente. É um adolescente envolvido em um conflito cheio de intrigas e corrupções, que precisa crescer em suas convicções em nome das pessoas que precisa proteger e do objetivo que pretende realizar.

E é mais um Hall da Fama que fica para vocês. Até a próxima!

por Mary

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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