Review – Sora no Otoshimono contra o politicamente correto

Polêmica, opiniões divergentes e… para tudo isso! Tem alguma coisa errada com esse povo…

Sora no Otoshimono chegou ao país pela Panini com opiniões divididas e exageradas. Enquanto um lado insistia que o mangá era a melhor obra ecchi do mundo, o outro lado dizia que o mangá era formador de pedófilos e que nada prestava ali. O mangá foi prontamente taxado por pessoas que nem sequer conheciam o título ou tinham lido – e já deixo claro que anime não é mangá, principalmente quando tratamos de um mangá ecchi em que as coisas acabam sendo diferentes em 90% dos casos. Pensando nos dois lados decidi esperar para ter uma opinião própria ao comprar o mangá, e posso dizer que me surpreendi até certo ponto, discordando de ambas as opiniões.

O resultado é que novamente me vi entre a faca e o queijo. Eu particularmente não gosto de grande parte das obras com conteúdo ecchi na atualidade. Séries como KissXSis ou Kodomo no Jikan me fazem passar longe de metade dos animes e mangás que vemos meses após meses. Mas Sora no Otoshimono não me causou essa impressão como eu achei que causaria. Em um balanço geral posso dizer que foi uma boa leitura em meio à tantas procuras de “melhor série do ano” que as pessoas insistem em buscar a cada dia.

A história

Como a maioria das séries atuais, começamos nossa história em torno de Sakurai Tomoki, um garoto como qualquer outro que não pensa em nada com nada da vida (mais ou menos como você que pensa em chegar da escola e dormir após o almoço, me fazendo sentir inveja dos meus tempos de colegial). O único problema de Sakurai é que ele tem constantemente um sonho em que ele recebe um pedido de ajuda de uma garota que ele não conhece, já que ele nunca consegue se lembrar do rosto dela. Um dia Sohara, uma amiga de infância do menino, resolve levá-lo até o veterano Sugita, um estranho rapaz que tem a teoria de um “Novo Mundo”. E para ele a garota que Sakurai tem em seus sonhos é uma das habitantes desse novo mundo.

Em uma noite, por livre e espontânea pressão, Sakurai é levado para um local que segundo Sugita ajudará ele a resolver seus problemas e descobrir quem é a garota. Mas o plano não parece sair bem como o planejado, e no lugar disso Sakurai é atacado por uma “chuva de meteoros” que revela na verdade uma “garota anjo” que fica aprisionada à sua mão através de uma corrente e diz que fará tudo que o garoto pedisse para ela daquele dia em diante. O nome dela é Ikaros e a presença dela mudará para sempre a vida de Sakurai. E de seus amigos também.

Considerações Técnicas

Ao ler Sora no Otoshimono o que me deparei foi um mangá simples, com um roteiro leve e com fanservice sim! Mas foi um fanservice que não me fez “dropar” a leitura. O roteiro é fraco e batido, cheio de clichês, mas como já comentei em várias oportunidades aqui acho o uso de clichês extremamente normal e necessário ao se fazer um produto rentável. E as boas vendas de Sora no Otoshimono estão aí para justificar.

E agora vocês me perguntam “por que diabos o título do post?”.

Pois bem, vamos explicar. Acho engraçado muitas pessoas dizerem que Sora no Otoshimono é um mangá “forte” e “inspirador de pedofilia” quando na verdade ele trata da história de um garoto de 14 anos que tem a possibilidade de viver sozinho com uma “garota” da mesma idade. Tirando, é claro,  da possibilidade de poder ter seus desejos realizados. Vamos parar de falar da questão do correto ou não e vamos usar um exemplo do mangá: Sakurai em um dos capítulos tem a ideia de ficar “invisível” para bisbilhotar as garotas de seu colégio. Vocês realmente acham isso um exemplo de “algo errado”? Sério que hoje vivemos em um mundo em que um garoto de 14 anos não pode querer ter vontades extremamente normais de um garoto da sua idade?

Veja bem, sou um defensor forte contra qualquer temática que possa ser voltada para a pedofilia, mas isso não quer dizer que eu tenha que ver pedofilia em tudo que encontro na internet ou em qualquer anime ecchi. Se esse for o caso, posso apontar que existem pessoas doentes que podem enxergar isso até em séries de “nada” como K-On pelo simples fato de existirem menininhas ali. Mas claro que quando vemos uma obra “cult” mostrando uma garota de 14 anos se insinuando então não tem problemas. Afinal, é cult não é?

A grande questão é: a indústria do Japão realmente vive hoje em dependência daquilo que chamamos de “moe”. É certo e claro que esse tipo de obra sempre estimulará a presença de pessoas com “segundas intenções” ao lerem um mangá. Mas isso não quer dizer que todos que o fazem sejam igualmente “mal encarados”. O mais importante a se fazer antes de julgar é realmente LER e ter sua opinião formada. É como aquela pessoa que critica Crepúsculo sendo que nunca nem leu um livro ou assistiu um filme: não há fundamento para a ofensa (Eu por exemplo, me vi ‘obrigado’ a ler dois livros da série e um filme para poder criticá-la).

Agora quanto ao mangá em si: como falei, passa longe de ser uma obra prima também. Possui lá seus furos na história, mas acredito que aqueles que leem Sora no Otoshimono realmente não se importam com isso. Eles buscam a tal da “diversão” em um título como esse. O traço do autor também é simples, sem nada diferenciado e com algumas inconstâncias principalmente no desenho da protagonista Ikaros. Mas o grande toque especial do mangá são as imagens caricatas que ele coloca durante todos os capítulos. Fazem você rir e são aplicadas de maneira correta, na hora correta.

um grande problema foi nossa edição nacional. Pra ninguém falar que sou injusto, Sora no Otoshimono bem como a Ariela tinha falado na review de Kobato da JBC, também possui seus problemas na página. Ela está mais “fina” que o normal e isso também permite as transparências. Aparentemente o problema é entre as editoras e a gráfica, portanto se elas já sabem onde mora tal complicação deveriam se mexer para isso. Talvez o tal reajuste de preço da Panini tenha a ver com isso. Mesmo assim o mangá custa R$10,90, não possui páginas coloridas (até porque o original também não as tem) e possui as mesmas qualidades de tradução da Panini que já conhecemos, com seus “chan” e “kun” espalhados pelas páginas. Quanto ao papel, vamos esperar para que elas se pronunciem já que outros títulos de ambas as editoras estão com esse problema.

Comentários Gerais

O fato é que esse assunto sobre Sora no Otoshimono poderia se estender muito mais e ficarmos aqui falando um dia inteiro, mas não vale a pena e posso deixar isso para uma postagem em um futuro próximo. No momento o que eu posso dizer para vocês é: Sora no Otoshimono é uma obra de um garoto comum, com desejos de um garoto comum e com a oportunidade de fazer o que um garoto comum sempre sonhou.

Portanto se você tiver algum tipo de preconceito com o ecchi em si, ou com qualquer tipo da presença de moe, abandone a indústria de animes e mangás japoneses. É uma tendência que não vem de hoje e que a cada dia está mais forte no Japão. Existem conteúdos que se excedem SIM e é esse tipo de coisa que me afasta de algumas séries. Mas não é o caso do mangá de Sora no Otoshimono que difere em muitos pontos do anime – que é extremamente mais recheado de cenas “obscenas”. Talvez se eu tivesse o anime antes teria o mesmo “preconceito” e passaria despercebido pelo mangá. Mas como falei, são obras diferentes e não podem ser julgadas da mesma forma.

Claro que isso é minha opinião e com certeza não vai mudar a de algumas pessoas que continuarão enxergando a tal da pedofilia em coisas comuns. Minha opinião pode estar errada? Claro que pode. Mas em um tempo em que piadas são confundidas com acusações sérias e uma série de atividades violentas em uma universidade retratadas para o público de maneira unilateral existem, acho que minha opinião sobre um mangá é o que menos importa.

Volto a repetir: Sora no Otoshimono vale a leitura. Talvez não possa valer o seu suado dinheiro todos os meses, mas ao menos uma espiada no mangá daquele seu amigo do colégio. É uma obra gostosa de se ler e diverte se você gosta do gênero. Não será meu mangá favorito e longe disso, mas acho que vale uma chance e uma leitura ocasional, indo de encontro com meu amigo Artur na review escrita por ele lá no Radix. E como diria a clássica frase “haters gonna hate”. E assim a vida continua, voando para uns e para outros não. Alguém aí quer uma Ikaros de Natal?

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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