Review – Yaoi com Sekai-ichi Hatsukoi!

Desentendimentos, beijos, insegurança, romance e yaoi!

Depois de um tempinho sem escrever reviews, estou de volta com mais um aqui no ChuNan, o anime da vez é Sekai-Ichi Hatsukoi, a primeira temporada conta com 12 episódios, está saindo uma segunda agora no japão e ainda possui dois OVAs. A série é baseada num mangá josei publicado pela Kadokawa Shoten. Não tenho notícias do mangá ter saído nos Estados Unidos, mas creio que seja somente uma questão de tempo, já no Brasil não há muito o que comentar.

Lembrando que esse anime trata-se de um yaoi (ou Boy’s Love, relacionamento amoroso entre homens). Então, se você não gosta dessa temática nem leia essa review.

A história

Ritsu Onodera em seus tempos de escola acabou se apaixonando à primeira vista por um senpai: Masamune Saga. Na época eles começaram a namorar, mas um pouco depois Ritsu pensa ter sido rejeitado e o deixa, decidindo esquecer tudo aquilo e nunca mais amar ninguém. Dez anos se passam, hoje Ritsu é um competente editor com uma personalidade um tanto explosiva e que adora seu trabalho. Porém, ele trabalha na empresa de seu pai e isso acaba ocasionando problemas dentro da empresa, onde ele não recebe reconhecimento por seu talento mas somente por ser filho do dono da editora. Por isso, Ritsu decide procurar trabalho em outro lugar, na editora Marukawa.

E ele consegue, mas com um porém:  ele foi colocado no setor de mangás, e mais do que isso, de mangás shoujo – para garotas. Para alguém que era acostumado a editar livros, mudar para mangás shoujo é um grande choque, uma mudança bastante drástica. Mesmo relutante Ritsu parece ter aceitado, mas ele ainda não conhecia a Emerald, equipe que ele começará a fazer parte: Masamune Takano, seu emburrado chefe mas que no fundo se preocupa com seus subordinados, o mal-humorado Takafumi Yokozawa do setor de vendas que não dá moleza para ninguém e outros membros malucos da equipe que mais tarde serão apresentados.

Bom, isso não teria problema algum se não fosse por um pequeno fato que de algum modo inexplicável Ritsu ainda não percebeu: seu novo chefe na verdade é o senpai por quem ele havia se apaixonado na época da escola, a dez anos atrás! Takano, o próprio (ele mudou de sobrenome), quem percebeu e revelou para o Ritsu. E mais, Takano também disse que todo esse tempo nunca esqueceu o seu amor da época de escola e não aceitou ter sido rejeitado (!) pelo Ritsu, por isso o faria se apaixonar por ele novamente. Aí já percebemos a confusão que aconteceu, Ritsu acha que foi rejeitado pelo Takano e vice versa. Para completar, Yokozawa se revela um ex-namorado de Takano da época da faculdade e diz que não deixará o Ritsu ficar com ele.

Esse triângulo amoroso somado à confusão na cabeça de Ritsu é a linha principal do anime, mas ainda temos outros dois casais que têm participação na série, o primeiro deles faz parte de outro triângulo amoroso entre Yoshiyuki Hatori, um dos editores da Emerald, ele é sério e está sempre pensando em trabalho;  Chiaki Yoshino, um inocente mangaká cujo editor responsável é o próprio Hatori; e Yuu Yanase, o astuto e talvez um pouco malicioso amigo de infância e assistente do Chiaki. Não vou entrar muito a fundo na história dos outros personagens aqui, mas posso dizer que a relação desses três é mais legal que a dos protagonistas, vou falar um pouquinho mais disso depois. O outro casal que a série mostra é Shouta Kisa, um dos editores da Emerald, ele tem 30 anos mas aparenta ser muito mais novo. O seu par é Kou Yukina, um belo vendedor de uma loja de mangás.

Então a história segue se focando na relação dos três casais enquanto usa a editora de mangás como plano de fundo.

Opinião geral.

Talvez tenham alguns spoilers da primeira temporada daqui para frente, mas não creio que serão de maiores problemas pois essa primeira temporada não chega a “finalizar” o anime, ela deixa claro que ainda não está tudo completamente resolvido, daí entra a segunda temporada.
Logo quando eu comecei a assistir Hatsukoi, eu tive um sério problema onde eu confundia todos os personagens, achei que só tinha o triângulo principal. Até que num momento vi que tinha algo errado, pois eu tinha a impressão de que a cor do cabelo do principal estava mudando…

Lá pela metade do anime eu comecei a sacar quem era quem. Acho que os principais motivos para isso acontecer, além da minha dislexia e do design dos personagens, foi a personalidade deles. Superficialmente falando, todos eles são de certo modo parecidos (o mais baixo que rejeita e fica envergonhado na presença do cara mais alto que já confessou gostar dele), mas aos poucos – principalmente quando reassisti o anime – fui percebendo as peculiaridades de cada personagem. Mas antes de falar sobre isso, quero comentar sobre a história. A trama não é profunda e se foca somente no relacionamento dos personagens, mas eles não parecem ter levado muito tempo para pensar em algumas explicações, pois eu realmente não me convenci com os motivos que levaram o Ritsu a achar que o Takano (na época seu sobrenome era Saga) o tinha rejeitado: uma risada. Sim, Ritsu falou que gostava do Takano – ou algo nesse sentido, não lembro exatamente – que deu uma singela risada. Daí o Ritsu saiu correndo, trocou de escola e eles não tiveram mais contato nenhum por 10 anos.

Achei isso um tanto forçado (o Ritsu de modo geral é um personagem bem forçado). Assim como os atuais motivos pra ele rejeitar o Takano, que mesmo dizendo que gosta do Ritsu e tudo mais, fica sempre naquela história dele tentando se convencer que não gosta do Takano e não apresenta nenhuma justificativa real, ele chegou a ficar com ciúmes pois o Takano tinha saído com uma mulher que na verdade era uma mangaká, mas mesmo explicando isso o Ritsu ainda ficava de mimimi, juro que não consegui compreender essa parte. Acho que teria sido muito mais interessante se eles usassem mais o Yokozawa, deixar o poder dele de impedir a relação do Ritsu com o Takano maior, pois ele é um personagem bem interessante.

Quanto à animação em si, apesar de ser o estúdio DEEN, não há maiores defeitos, salvo algumas cenas onde os olhos dos personagens estão bem estranhos. A trilha sonora também é bonita e agradável, mas nenhuma faixa que você precise obrigatoriamente ter em seu computador. Ou seja, não é um anime que se marcará por essa parte técnica, mas também não deixou a desejar.

Sobre os personagens temos bastante o que falar, primeiro, como já comentei, o Ritsu é muito chato e fica enrolando o anime todo. Eu realmente não aguento mais vê-lo negando que gosta do Takano, que por si só é um personagem um pouco sem graça e genérico também.

Mas então você se pergunta, eu falei que os dois personagens principais são sem graça, então isso quer dizer que o anime é ruim? Não, pois tem duas coisas que salvam e muito a série. Primeiro é a comédia, não posso negar que mesmo o Ritsu sendo chato na parte de aceitar seus sentimentos, em contrapartida ele protagoniza diversas cenas cômicas do anime com seu pavio curto, Hatsukoi é um anime bastante engraçado, não tem somente romance não. O outro ponto que salva são os demais personagens, por esses sim vale bastante a pena assistir. Temos o Chiaki, um mangaká que usa um pseudônimo feminino, ele é inocente e não percebe quando estão dando em cima dele (risos). E temos duas pessoas que gostam do Chiaki: o primeiro deles é o seu editor, o sério Hatori, sempre colocando o trabalho na frente de tudo – e isso deixa Chiaki bastante irritado.

O segundo pretendente é o Yuu, o amigo de infância e assistente dele. Yuu sabe que o Chiaki gosta do Hatori – todos sabem, isso fica bem óbvio – mas mesmo assim não desiste de conquistá-lo; eu, aliás, acho que seria muito mais interessante se o Chiaki terminasse com o Yuu, que é muito mais divertido e combina com ele. O Hatori cumpre bem seu papel como personagem para a história, só que ele é muito chato, sei lá… Mas de qualquer modo sabemos que isso não vai acontecer, então vamos passar para os próximos personagens.

Shouta Kisa é um dos editores da Emerald e um dos personagens mais interessantes da história. Ele na verdade é um stalker e fica perseguindo caras bonitos imaginando que talvez um dia possa começar um romance com algum deles. E achei muito legal quando ele diz que não consegue se apaixonar de verdade por ninguém pois ele só olha para a aparência das pessoas (é um motivo muito mais convincente para ele ter receios de aceitar os sentimentos dos outros do que os motivos do Ritsu). Até que então ele conhece o Yukina, acaba se apaixonando por ele e, ao contrário do protagonista chato; quando o Yukina se declara o Kisa aceita e todos vivem felizes para sempre (é modo de falar, ok), não ficando aquela enrolação de aceita ou não aceita. O Yukina, aliás, faz o tipo romântico, é realmente muito bonito o modo carinhoso como ele trata o Kisa.

Considerações Finais

Apesar do casal principal não ser lá muito interessante, é feito um contraste com os outros dois, não deixando a série cansativa – te mostrando sempre o caso de personagens diferentes (só cuidando para não confundi-los como eu fiz). A comédia também é bastante divertida e é o que salva um pouco o Ritsu pelo menos. Outro ponto legal de Hatsukoi é que eles mostram um pouco (mas de modo muito mais realístico que Bakuman /flame) como funciona o trabalho de fazer um mangá. Esperem, não me joguem pedras ainda! Sim, é de forma bem rasa e simples, mas ainda é interessante ver os editores fazendo alterações nas cenas junto aos mangakás, a afirmação da lenda de que eles trabalham feito condenados, negociação de prazos e tiragens, etc.

Recomendo Hatsukoi para quem está procurando um romance sem maiores pretensões, uma comédia descontraída, também e principalmente, claro, um anime yaoi. Está saindo uma segunda temporada e ela está se mantendo no ritmo da primeira: o Ritsu continua chato mas pelo menos temos Chiaki e Yuu para fazer o balanço (risos). A série também possui ainda dois OVAs, um deles conta quando Ritsu e Takano estavam no colégio, e acreditem: o passado deles é muito mais legal que o presente! Agora espero que a segunda temporada resolva os problemas dos personagens – e eles parem de ser tão incertos – colocando um ponto final na história (a não ser que vá ter uma terceira temporada, mas não acho que tenha tanto o que contar não).

por Trunqs

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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