Hall da Fama #08: O Shinigami Negro, BK-201: Hei

Hall da Fama 08 com o sombrio Contratante Negro, código Messier BK201 – Hei!

Prontos para mais um Hall da Fama? Esta semana optei por falar de Hei, o protagonista da Darker Than Black – um dos melhores animes de ação com um apelo um pouco mais maduro, mas que não foge tanto do mainstream (espaço de obras mais populares). A série possui um bom pano de fundo moderno e sobrenatural, destacando gradativamente os dramas psicológicos de seus personagens – e é Hei, conhecido também como Shinigami Negro, quem demonstra os maiores conflitos psicológicos. Spoilers de agora em diante, ok?

Dentro da realidade pós-apocalíptica da série, Hei é apresentado como um Contratante – um dos humanos que após o surgimento do Portão do Inferno (Hell’s Gate) em Tóquio e o surgimento do Portão do Paraíso (Heaven’s Gate) na América do Sul, perderam as emoções e em troca receberam misteriosos poderes, tornando-se uma ameaça à humanidade. Porém, – como é exigido para que ele seja um protagonista interessante, claro – Hei demonstra uma natureza incomum dentro desse grupo de pessoas diferenciadas.

Em primeiro lugar, Hei é conhecido entre autoridades e o submundo dos Contratantes pelo código Messier BK-201 ou Shinigami Negro, devido a suas habilidades mortíferas e seu poder elétrico. O que poucos sabem é que o contratante possui uma série de características e motivações incomuns; isso tudo é bem demonstrado na primeira temporada da série.

Ao chegar em Tokyo, Hei assume como fachada uma segunda identidade do estudante chinês Li Shengshun, tímido,  despreocupado e com um grande apetite – um belo contraste com sua verdadeira personalidade. (Sou a favor de apontar Hei como o melhor “ator” do universo animístico, é.) Quando em ação sob sua identidade de Contratante, sempre protegida por uma simbólica máscara, envolve-se com diversas missões por ordem do Sindicato, a misteriosa organização sempre envolvida nos incidentes relativos a Contratantes, conseguindo sempre manter-se fora do alcance da lei – e de uma certa policial astuta e cheia de senso de Justiça, né, Misaki…

Porém, a motivação de Hei em continuar trabalhando para o Sindicato envolve a busca de sua irmã desaparecida, Bai, uma Contratante também. A partir daí, nota-se o grande diferencial de Hei em relação a outros contratantes: embora seja um frio e impiedoso quando em ação, ele luta por um motivo completamente emocional, afastando-se da lógica tão prezada e obsessivamente valorizada por essas pessoas. Outras demonstrações emocionais seguem conforme ele se encontra com a arrasada contratante Havoc e com a antiga conhecida que o traiu na América do Sul, Amber.

Há também o fato de que Hei odeia a própria existência dos contratantes, desde a época dos conflitos na América do Sul quando os dois portões surgiram no mundo – e ele ainda era “humano”. Desde essa época é demonstrada a dualidade nas atitudes dele: ele odeia contratantes, mas envolveu-se nos conflitos destes em nome de proteger sua irmã – embora em algum momento ele quase cai na tentação de encerrar a vida dela, talvez como uma forma de livrá-la de toda a loucura da Guerra do Paraíso. Ele odeia a perda de humanidade entre essas “pessoas especiais”, embora gradualmente, com o passar de vários casos e missões, ele comece a se questionar se contratantes são tão inumanos quanto pensava. Um dos pontos altos desse questionamento é o diálogo com Alma, líder de um culto religioso, que imagina que questões como a falta de sensação de culpa não é exclusiva dos contratantes, e que a forte valorização da lógica é uma forma de evolução – evolução no sentido de escolher os indivíduos com maiores chances de sucesso e sobrevivência no ambiente.

Sendo assim, contratantes não são mais tidos como seres inumanos; e no arco de conclusão da primeira temporada, Hei é a figura central, no plano de Amber, para definir o destino de humanos e contratantes na luta final contra o Hell’s Gate. Após ser revelado que seus poderes de contratante surgiram após sua irmã “fundir-se” com ele e que suas habilidades vão além de manipulação elétrica – é o único capaz de manipular a matéria ao nível atômico – , ele assume a escolha de evitar que qualquer um dos lados no conflito seja destruído, como alguém pertencente a ambos os lados – apesar de isso significar uma fuga eterna do Sindicato, ou do que restou dele.

A partir da segunda temporada (inferior a primeira, infelizmente) e dos OVAs, o conflito emocional é expandido: vemos Hei acabar envolvendo-se romanticamente – apesar disso não ser exatamente declarado – com Yin HeixYin shippers, ganhamos!! *apanha* e sofrer um grande baque após a garota ser capturada pela Seção 3; a partir daí ele torna-se mais violento, depressivo e alcoólatra, passando até por um desleixo na aparência. Quase morri quando o vi parecendo um mendigo pela primeira vez ;-; E quam mais sofre com essa mudança é a nova protagonista

desta temporada (amem-na ou odeiem-na), Suou Pavlichenko. Ambos passam por uma relação conturbada, conforme Suou vai descobrindo o que significa ser uma contratante e Hei aos pouco se identifica com sua situação e se apega a ela.

Hei foi um protagonista mais do que na medida para Darker Than Black, seguindo um modelo de herói moderno (alguém aí nunca topou com pessoas do fandom que comparavam-no com o Batman?) cheio de dramas internos que conquistou uma boa base de fãs (em especial fangirls; quantas aqui são capazes de compreender o fascínio de Misaki e da tonta da Kiko…) e foi uma boa refrescada dentro do grupo de protagonistas de séries de ação.

E ficamos por aqui hoje. Até a próxima semana, e espero que tenham gostado!

P.S.: Tirem os olhos fangirls. Esse já é meu husbando faz tempo. u.u

por Mary

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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