Anunciada terceira temporada de Sora no Otoshimono e considerações

Algumas pessoas devem ter tido um presente realizado com essa notícia.

Essa notícia é meio antiga (saiu antes de ontem), mas vale a pena um comentário sobre ela. De acordo com a edição de março da revista Shounen Ace, a série Sora no Otoshimono ganhará uma terceira temporada. A série já teve duas temporadas lançadas, um OAD e um filme que foi aos cinemas japoneses no ano passado. Recentemente, a série ganhou blu-rays que já começaram a serem vendidos nos Estados Unidos. O mangá – que atualmente conta com 13 volumes – começou a ser lançado aqui no Brasil pela Panini em 2011, causando um pouco de falação devido ao seu aspecto “lolicon”, algo que não é lá muito apreciado por uma parte dos brasileiros.

Enfim, não estou aqui só para escrever só 100 palavras em um artigo. Mas vale dizer que esse anúncio de uma terceira temporada de Sora no Otoshimono não me é surpresa. Hoje, séries como essa ou Qwaser, vendem bem no Japão devido ao seu forte apelo ao público “otaku hardcore”, o que pode gerar um pouco de preconceitos com o público ocidental – particularmente falando do brasileiro, cujo eu tenho contato diário – e afastando a pessoa de animes desse gênero.

Como disse anteriormente no artigo da review do mangá quando saiu pela Panini, Sora no Otoshimono é daqueles mangás “bobinhos” de um garoto que encontra uma garota bonita, com peitos e um corpo que praticamente 99,9% da população japonesa não tem. O anime segue a mesma fórmula e consegue ser mais apelativo SIM. Algo errado nisso? Talvez a questão moral de algumas pessoas podem dizer que sim e confesso que parte de mim pode se enquadrar nisso. Eu não consigo assistir ao anime de Sora, mas leio o mangá sem nenhum tipo de problema. Mas quando eu uso o meu lado “financeiro”, penso que o estúdio AIC não fez nada de errado: ganhou dinheiro.

É claro que o público é diferente de uma pessoa que está ansiosa por um anime de Zetman ou um filme de Cyborg 009, mas ele existe. Digamos que caímos um pouco na ideia de “preconceito”. É o mesmo que o público que gosta de yaois ou yuris passavam a um tempo atrás com coisas como  “Nossa, você tá lendo pornografia e gay, que ridículo.”

São públicos diferentes e que possuem uma cabeça diferente para analisar uma obra. Você pode ter o yaoi com a história mais bela e bem feita do mundo, mas se passar essa história para um cara com a cabeça fechada ele simplesmente dirá: “Isso é coisa de viado”. Da mesma forma que qualquer ecchi, por melhor história que tenha, muita gente vai olhar e falar “Isso é coisa de tarado.” ou “Isso é coisa de pedófilo.”

Eu, por exemplo, gosto de séries como Negima e até simpatizei com Sora no Otoshimono, mas outras como KissXSis não conseguem me fazer chegar perto. Questão de gosto e de como eu tenho uma visão sobre aquele mangá. O problema é: a quem cabe julgar o que é ou não material impróprio? A quem cabe julgar o que se passa na cabeça do ser humano ao ler uma série que tem um “foco diferente” do normal do padrão social? Claro que todos sabemos que por trás da mente desses bilhões de pessoas do mundo, algumas delas possuem uma mente doentia, mas isso não nos dá o automático direito de julgar todos por isso.

Essa temporada anunciada de Sora no Otoshimono só nos mostra que a industria continuará investindo nesse gênero e que o público é crescente, basta analisar os números de vendas de séries desse estilo. Como já falei para vocês anteriormente, os japoneses não estão se importando se um anime vai lhe agradar ou não, porque ele não é feito para você brasileiro. E enquanto a mentalidade de grande parte dos leitores (ou otakus em geral, como queiram) continuar a ser o desse preconceito de que tudo é politicamente incorreto demais, dificilmente teremos uma editora que realmente queira investir de forma efetiva em temáticas como essas – sim, estou colocando o yaoi nesse meio, infelizmente. As pessoas tem que simplesmente entender que nem tudo que existe no mundo, é feita para agradá-las. E que o capitalismo, ainda comanda grande parte do mundo.

por Dih via OtaNews

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

Related Post