Hall da Fama #11: Kyon, o mestre do Facepalm

Hall da Fama 11 com o oposto de Haruhi Suzumiya, Kyon! Alguém conhece personagem mais famoso em facepalms do que ele?

Olá a todos, como vão?

Em primeiro lugar, gostaria de comentar sobre o Hall da Fama anterior: achei bacana como as discussões morais sobre a justiça de Light se desenvolveram, foram maiores do que eu esperava. E sejamos honestos, é o tipo de tema difícil de se discutir tanto a partir de um anime. E agora vamos ao Hall da Fama… E bem, imagino que este vai dividir muitas opiniões.

Ah, Suzumiya Haruhi no Yuutsu. Este sim é um anime que cai naquela velha classificação de “ame-ou-odeie”: não sei quanto a vocês, mas para mim é muito raro encontrar alguém que coloca este anime em meio-termo. Ou a série tem fãs apaixonados ou tem haters dedicados – e bem, como os que já me conhecem há algum tempo sabem, eu faço parte do primeiro grupo, e gosto de dsicutir meus motivos para isso. Mas isso vou explicar um pouco melhor aqui analisando uma figura da série que ficou simbólica no fandom com seus afamados “Facepalms”: Kyon. E sim, spoilers das duas temporadas do anime e um pouco do filme (Suzumiya Haruhi no Shoushitsu).

Agora, venhamos e convenhamos: imagino que mesmo entre os haters da série há um bom número de simpatizantes do Kyon, aquele garoto normal e meio “na dele” que acabou parando no mundo adoidado de Haruhi, responsável pelo surgimento de aliens, espers e viajantes do tempos graças a seu poder de alterar a realidade com sua vontade – poder que desconhece, tornando a mistura entre o mundo colegial e o mundo paranormal mais interessante. E é esse colegial pouco interessado em mudar sua vidinha comum que acaba acidentalmente sugerindo a novata Haruhi que forme um clube para atividades em busca do paranormal que esta literalmente diante dos olhos dela, conforme os membros Yuki Nagato, Mikuru Asahina e Koizumi Itsuki juntam-se a eles.

Kyon – cujo nome verdadeiro é desconhecido, sendo apenas conhecido por esse apelido – é um sujeito perspicaz e perceptivo, embora prefira fazer uso dessas habilidades para manter-se no seu canto, sem mudar muito de sua vida normal. Pode-se dizer que, de uma certa forma, ele é um personagem desestimulado e sem muita perspectiva. Porém, preso às extravagâncias de Haruhi, ele precisa aprender a conviver com todo um mundo sobrenatural dinâmico e acaba se apegando a algumas pessoas que fazem parte dele – ele consegue enxergar traços de humanidade na alienígena Yuki Nagato, criada pela Entidade Integradora de Dados para vigiar Haruhi, apega-se a fofura – e sensualidade também – da viajante temporal Mikuru e aos poucos questiona a atitude passiva dos membros da Brigada SOS em relação a sua líder hiperativa e encrenqueira.

A princípio, Kyon também é um personagem passivo e “abusado” por Haruhi em suas maluquices, questionando suas atitudes apenas internamente – e que por um tempo colocam o personagem como os olhos do espectador. Porém, sua empatia por Haruhi cresce aos poucos, assim como a ideia de que seja melhor contrariá-la para seu próprio bem – ao contrário do que pensam os outros, que consideram melhor deixá-la fazer o que quer para evitar que seu humor cause uma catástrofe no mundo. Episódios como o que Haruhi e Kyon ficam presos em uma dimensão isolada e da filmagem para o Festival Cultural na segunda temporada (é, aquela segunda temporada tem o terrível momento do Endless Eight, mas guarda também ótimos elementos para avaliar o desenvolvimento da série) – em que Haruhi se empolga em usar sem piedade Mikuru como um brinquedo e isso estoura a paciência de Kyon – são exemplos de momentos em que ele sai de sua inércia para tomar atitudes decisivas.

Só que, ao mesmo tempo que sai de sua posição de apenas observar, ele percebe que talvez não seja tão ruim fazer parte da Brigada SOS, que a vida não precisa ser parada e vale a pena se divertir e fazer do mundo ao seu redor um lugar mais vivo. Da mesma forma que, com a ajuda de Kyon, a Haruhi aprende a encontrar valor em coisas “comuns” como substituir a vocalista de uma banda em um festival escolar ou passar as férias em plena atividade com os amigos, o Kyon começa a entender que não precisa ser mais um cara normal com uma vidinha normal no mundo.

E quer situação melhor para ilustrar isso do que a do filme Shoushitsu, em que ele escolhe por voltar o mundo modificado por Yuki ao normal, mesmo quando poderia finalmente viver de forma tranquila – sem garotas distorcendo a realidade ao seu redor, aliens, viajantes do tempo ou espers? No filme, a primeira reação é de desespero, seguida da atitude de tentar fazer alguma coisa, sendo o único capaz disso. Kyon reconhece-se apegado a Brigada SOS, e que a vida sem ela não teria a mesma graça; assim como entende que precisa mover-se pelas pessoas a seu redor, em uma situação em que, ironicamente, aquele que é um humano sem nenhuma habilidade especial é a pessoa certa para virar a mesa e tem seu papel mais que especial nos acontecimentos. E seus sentimentos por Yuki demonstram-se ainda mais fortes também.

Kyon é como um “lado oposto” de Haruhi. Ele tem um certo controle sobre as emoções dela, e ela causou uma grande reviravolta em sua vida. Por isso que é tão interessante ver, neste anime que é uma mistura bacana entre o sci-fi e o slice-of-life, como cada um aprende a mudar o mundo a sua volta para que torne-se um lugar especial – e não é preciso para isso apenas eventos paranormais.

Pois bem, este é o Hall da Fama de hoje. Um pouco diferente do que pretendia fazer, mas ainda estou organizando algumas coisas aqui. ^^’ Em todo caso, digam o que acharam nos comentários – como é de praxe. Até a próxima!

por Mary

Asevedo

Formado em design editorial e assistente editorial da Panini Mangás. Leio mangás e história em quadrinhos de diversos países. Assisto animes de forma esporádica. Sempre estou no Twitter.

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