Impressões – Rurouni Kenshin: Shin Kyoto-Hen

A volta de Samurai X às telas e às mãos do estúdio Deen em um remake do arco de Makoto Shishio.

Anunciado no final do ano passado como parte dos eventos comemorativos de 15 anos de Rurouni Kenshin para o ano de 2012, Shin Kyoto-Hen é um OAD feito para uma das maiores séries da Shounen Jump de todos os tempos. Ao mesmo tempo em que a história de uma nova animação para o famoso Samurai X foi bem recebida, muitos torceram os narizes ao saberem que se trataria apenas de um remake da fase de Makoto Shishio (daí o nome do OVA de “Kyoto”) e não a esperada animação do arco final da série que só existe no mangá.

De qualquer modo, a primeira parte da animação foi aos cinemas japoneses no dia 17 de dezembro de 2011 e teve seu lançamento oficial em Blu-Ray e DVD no começo de 2012. Claro que a expectativa em torno do especial foi enorme já que a “marca” que ele carrega tem um peso muito grande e fãs fervorosos ao redor do mundo inteiro. Será que esse OAD fez jus à esse hype imenso de seus expectadores?

A história

Kenshin Himura é um homem marcado pelo passado. Foi conhecido durante todo o período do Shogunato Tokugawa como Battousai Himura – o retalhador. Matando a tudo e todos e sendo o mais temido samurai de todos os tempos, Kenshin abandona a vida de assassino após longos anos e diversos acontecimentos. Aos 28 anos ele se encontra na Era Meiji como apenas mais um andarilho portando uma espada de lâmina invertida e em suas viagens ele acaba fazendo diversas amizades e companhias, entre elas o da jovem Kaoru Kamiya, herdeira do dojo Kamiya de estilo espadachim de bambu. Ao lado dela, do pequeno Yahiko e do inusitado Sanosuke Sagara, Kenshin passa a viver dentro do dojo, tentando finalmente ter uma vida de paz.

Porém um novo inimigo aparece e seu nome é Makoto Shishio, um dos revolucionários que tenta acabar com a paz da Era Meiji e restaurar o período de sangue e guerra do Shogunato. Com um corpo totalmente deformado, um poder infernalmente assustador e ao lado de seus 10 mandados da Juppongatana, Shishio fará de tudo para se tornar o sinônimo de ordem e poder. Mas tudo muda quando Hajime Saitou, um dos desafetos do passado de Kenshin, chama o antigo Battousai para deter o inimigo. Muitas batalhas, dor, sofrimento e lições serão o destaque da vida de Kenshin a partir dessa batalha. Quem se sairá melhor nessa? O antigo Battousai ou o atual demônio em pessoa?

Considerações Técnicas

Em primeiro lugar, acho que aqueles que lerem esse artigo e não conhecerem nada de Samurai X poderá estranhar um pouco, então vamos para alguns detalhes. Rurouni Kenshin teve um anime de 95 episódios, um filme e mais duas mini-sagas em formato de OVA’s. O anime chegou a ser exibido no Brasil pela Rede Globo (de maneira retalhada), Cartoon Network e Animax, além do mangá ter sido publicado na integra pela editora JBC, sendo um dos primeiros títulos da mesma.

Como disse no começo do texto, Shin Kyoto-Hen é apenas um remake de um dos principais arcos da história, o da batalha contra Makoto Shishio. Ele divide grande parte da atenção dos fãs com o arco da Vingança, o que não foi animado pelo Gallop/Deen na época. Com isso, uma grande dúvida surgiu em relação a essas novas animações: posso ver mesmo sendo um leigo em Rurouni Kenshin? Pode, mas poderá se sentir perdido ao mesmo tempo. Simplesmente porque eles deixaram de lado todo o primeiro arco da história, na qual somos apresentados aos personagens secundários como Kaoru, Yahiko e Sanosuke – e principalmente não entende nada da história de Aoshi e da Oniwabanshu.

O remake começa jogando em sua cara diversas informações com o intuito que você saiba se situar e não precise de nada explicado novamente. Pode parecer uma desculpa, mas na verdade ele foi feito para os fãs da série e nada mais. Como eu disse, você que é leigo na história de Kenshin e companhia poderá até assistir e gostar, se entreter, mas ficará perdido em diversas passagens e explicações da história. Aliás, o clima “corrido” do OAD ajuda a comprovar os fatos. Várias passagens foram mastigadas e eliminadas nesse primeiro episódio, mas com quase toda a certeza se você conhece toda a história e roteiro poderá passar despercebido nesse ponto.

Um fato interessante sobre a produção é a equipe da mesma. Apesar do fato de ser mantida no estúdio Deen e com a mesma direção de Kazehiro Furuhashi, e trilha sonora sensacional novamente por Noriyuki Asakura, o roteiro do OAD ficou com uma pessoa de altos e baixos em seu portfólio: Mari Okada. Ela foi a responsável pelo desenvolvimento de séries como Black Rock Shooter, Fractale e Vampire Knight, mas ao mesmo tempo fez um belo papel em Hourou Musuko, Gosick e Canaan, por exemplo. Por isso foi uma incerteza muito grande nesse quesito.

Sobre a produção: mistura de sentimentos ao assistir o anime. Talvez por ter assistido diversas vezes a série de TV e ter esperado algo ao nível de Tsuyoku-Hen ou Sensou-Hen (os outros OVA’s antigos da franquia) o visual desse OAD de Kyoto me causou certa estranheza. Ao contrário das produções antigas, aqui temos um visual mais “limpo”, firme e muito menos “escuro” do que o que estávamos acostumados. Não o deixou feio ou nada do tipo esteticamente, mas é possível sentir uma pequena falta da fórmula da franquia. Além disso, a animação não é das melhores do mundo, mas não chega a ser um fator comprometedor, mesmo com a mudança no character design. Todos os cenários são lindos e as expressões dos personagens também ficaram muito bem trabalhadas.

Você sentirá um pouco da falta do humor da série de TV e até mesmo do mangá nesse OAD. Ele tem um clima muito mais calmo e tranquilo, apesar de não ser tenso e pesado como os OVA’s da década de 90 – mesmo contendo cenas bem insinuantes, como uma cena de sexo (não explícito) que passa longe da versão antiga. É agradável, mas como eu disse, senti um pouco a falta da essência de Samurai X ali, mas não significa que tenha sido uma “má experiência” assisti-lo.

Comentários Gerais

Sinceramente, não sei se eu recomendaria Shin Kyoto-Hen para uma pessoa que não conhece nada do universo de Rurouni Kenshin. Você perderá muitos detalhes importantes da história do nosso querido samurai se o fizer. A história e o ambiente de Nobuhiro Watsuki possui uma capacidade muito grande de nos fazer “adentrar” os sentimentos de cada personagem, algo que você com certeza não vai sentir nesse OAD. Por esse motivo, assista a série de TV, ou se possível leia o mangá que é extremamente fantástico e bem desenvolvido.

Já para a ala dos saudosistas, com certeza servirá para matar a saudade de nossos personagens cativantes e imaginar como seria a produção de uma série nos dias de hoje. Ao terminarem de assistir esse primeiro episódio, se perguntem se gostariam de ver a tão sonhada “saga final” animada nesses moldes atuais. Acha que satisfaria os fãs da franquia? Eu tenho minhas dúvidas.

Shin Kyoto-Hen se mostrou uma produção regular, feita na medida para um público fiel a obra e que está sedento por mais produções de Rurouni Kenshin, ainda mais depois da produção do Live Action e do retorno do mangá em um remake feito pelo próprio Watsuki. Mesmo eu sendo um fã muito apaixonado pela obra, não a critico por completo mas também não a abençoo e perdoo de seus erros. Foi apenas mais um caça-níqueis como os japoneses já estão acostumados a fazer, o que a tornou uma animação abaixo do esperado.

Vejam e tirem suas próprias conclusões. Rurouni Kenshin, o nosso eterno Samurai X, merece a atenção na lista de todos. Um dos melhores shounens já publicados na Shounen Jump e que não perderá seus méritos por essa produção. E que venha o segundo episódio, que irá ao ar nos cinemas japoneses no dia 23 de Junho. A batalha de Kenshin contra Aoshi e o desfecho do arco de Shishio estarão lá. Preparados?

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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