Review – O dispensável anime de Black Rock Shooter

Se é que podemos dizer que essa série concluiu alguma coisa.

Na temporada passada, resolvi tentar adotar o método de comentários de episódios como muitos blogs fazem. Resolvi “testar” por Black Rock Shooter, uma das séries mais aguardadas da temporada passada pelo seu enorme fandom e tudo mais… Bem, péssima escolha. Me arrependo de não ter comentado um Another ou Ano Natsu, que embora passem longe de serem perfeitos, ao menos não me faziam assisti-los de maneira forçada. E foi exatamente por isso que vi Black Rock Shooter até o final, simplesmente pelo sentimento de obrigação.

Fiz aqui os comentários dos 4 primeiros episódios logo em seguida a sua exibição, mas foi uma “tortura” pós a outra. Veio o episódio 5 e eu não conseguia enxergar um real motivo do que comentar ali. No episódio 6, a sensação se repetiu e no 7 então nem se fala. Mas foi no episódio 8 que a bomba explodiu. Acho que não consigo lembrar de uma série que tenha terminado de maneira tão fraca e ruim como aconteceu com Black Rock Shooter. E não ligo para os fãs da franquia que falarem aqui que não entendo nada de BRS e tudo mais. Não devo entender mesmo, ou então é vocês que não entendem que ser fã de algo não significa não saber o que está uma verdadeira zona.

A história

Ao entrar em seu novo colégio, Kuroi Mato acaba ficando impressionada com uma das estudantes de sua classe chamada Takahashi Yomi. Alguma coisa parece ligar as duas de alguma maneira, com a inocência e a alegria de Mato com a maturidade e frieza de Yomi contrastando. Porém, Mato com todo o seu carisma tenta a qualquer custo fazer uma amizade com Yomi e um livro de ilustrações parece ser o caminho para isso. Mas as duas garotas encontrarão no caminho pessoas que não vão deixar essa amizade passar tão despercebida e facilmente assim, fazendo com que Kagari, Yuu e uma professora pra lá de estranha tenham um importante papel no desenrolar de tudo isso.

Enquanto isso, em um mundo totalmente diferente, diversas “garotas guerreiras” travam batalhas armadas de potentes ferramentas de combate, com destaque para a heroína que leva o nome da série: Black Rock Shooter. Estranhamente as batalhas parecem ter uma relação com o mundo de Mato e Yomi. Mas afinal, o que é o outro mundo? Quem são essas guerreiras? São questões que você vai descobrir assistindo Black Rock Shooter… ou não.

Considerações Técnicas

Tá tudo errado! Tudo! E até mesmo grande parte dos fãs da franquia Black Rock Shooter sabem disso – exceto os mais hardcore, como sempre. Essa foi uma das séries mais falhas de todos os tempos. Se Guilty Crown e Fractale eram apostas “que deram errado” no noitaminA, Black Rock Shooter então nem se fala! Pensem em um anime mal desenvolvido visualmente, com um enredo extremamente rústico e mastigado ao mesmo tempo, com cenas de ação cansativas e uma direção precária, me arrisco a dizer que esse foi o pior anime que eu já vi nos últimos anos.

Enquanto o grande ponto forte do OVA lançado anteriormente era justamente a animação, nesse caso a série de TV perde totalmente a credibilidade. Animação pífia do estúdio Ordet, com uma queda de rendimento inacreditável na comparação de ambas. Baixo orçamento? Muito provavelmente. Mas temos muitas séries com orçamento limitado que conseguem ter um resultado muito melhor nesse quesito – como o Brain’s Base e Mawaru Penguindrum, por exemplo.

A direção da série chega a ser chamada de incompetente por diversas passagens da trama. Os episódios finais foram corridos, mal explicados e extremamente confusos. Toda a transição dos dois mundos era feita de forma desorganizada e pretensiosa demais. Você não conseguia entender o que realmente se passava naquilo. Personagens mal colocadas, cenas desnecessárias e o tal do emocional exagerado conseguiram deixar a série ainda mais cansativa do que poderia ser. Talvez um profissional mais experiente e não o novato Shinobu Yoshioka pudesse ter favorecido muito Black Rock Shooter nesse sentido.

Mas o principal ponto fraco de Black Rock Shooter com certeza é seu roteiro. Imaginem uma série que teria de tudo para ser ótima, uma ideia realmente simples mas eficaz. Imaginaram? Pois isso é o que BRS poderia ter sido. Mas não! Não é! Passa longe de ser! Isso porque Mari Okada, roteirista experiente com trabalhos como Red Garden e Canaan, conseguiu fazer o seu pior trabalho aqui. Chega a parecer amador a forma como tudo ocorre. A amizade das garotas não convencem, a história dos dois mundos muito menos, e todas as personagens são apáticas e até mesmo chatas, sem personalidade. Tentaram passar uma imagem de “lição de amizade”, mas de forma totalmente falha. Black Rock Shooter é altamente dispensável como série, como diversão, como experiência, como tudo.

A única coisa que consegue se salvar no anime todo é a trilha sonora comandada por Hideharu Mori, o cara que comandou a música de séries como Giant Killing, Kuchu Buranku e até Ranma 1/2. O destaque fica especialmente para abertura executada pela “equipe” Supercell e Hatsune Miku – que mesmo não sendo minha preferência, consegue ser pegajosa e bem gostosa de se ouvir – e que aliás foi a responsável por “dar nome” para a franquia.

Comentários Gerais

Foi isso que Black Rock Shooter foi: um amontoado de  tranqueiras, mistos de temas e personagens aleatórias, mal encaixadas no roteiro e que transformaram uma proposta bacana em um… nada. Com certeza o pior anime que acompanhei na temporada de janeiro (e olha que não foram tantos assim). Não me fará falta e provavelmente a ninguém. Mesmo os fãs fanáticos devem abrir os olhos para ver que essa coisa não serviu. Aliás, minto. Serviu para vender produtos relacionados, isso com certeza.

Mesmo eu tendo comprado a ideia no começo, me arrependo amargamente de ter assistido isso. Outras séries já conseguiram expressar isso de “dois mundos” de maneira muito melhor e bem executada. Até mesmo Yumekui Merry, anime que pecou por ter “sido animado no momento errado”, tem uma execução muito melhor e bem dirigida em relação a Black Rock Shooter. E isso porque a série também não é oitava maravilha do mundo, longe disso.

Black Rock Shooter é o típico caso de uma franquia de sucesso que não precisa “virar anime” para fazer sucesso. Não precisa mesmo. Já tem uma fama muito considerável somente pela sua linha de figures, artbooks e produtos relacionados o que já a tornam extremamente famosa por todo o mundo. Eu prefiro pensar que essa série nunca existiu. Foram 8 episódios jogados no lixo e que ocuparam um espaço totalmente desnecessário dentro do noitaminA – que poderia ter sido usado na produção de mais Thermae Romae, isso sim.

Talvez a verdadeira fórmula de Black Rock Shooter possa ser muito melhor explicada no OVA lindo e caprichado – mesmo que com um roteiro batido. Se quiser ver uma animação, veja esse especial. Corra dessa produção do Ordet. Não queira perder seu tempo assistindo esse terror da mesma forma que eu fiz. E vocês sabem que eu sou muito maleável com opiniões em relações a série – e ainda acho que estou pegando leve com BRS. Passe longe dessa série. Seu cérebro agradece e sua vida também.

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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