Comentando – Hunter X Hunter #76

headerYou can’t smile again.

Começamos o tão aguardado arco de Chimera Ants em Hunter x Hunter. Aguardado pois é a primeira vez que esse arco chega em formato animado para os fãs e com a certeza que ele terá um fim (pelo menos alguma coisa o Togashi fez direito). Vou falar a verdade: pensava que jamais veria algo assim acontecer. Não tinha esperança nenhuma depois do anime da década de 90 e seus respectivos OVAs não deixarem pista nenhuma para tal adaptação. Bem, ainda bem que estava errado. Agora a MadHouse tem a missão de conduzir um dos arcos mais elogiados da série, senão o mais badalado (embora eu ache Greed Island um arco de muita inteligência do Togashi, em todos os sentidos).

A partir de agora, comentários semanais de Hunter x Hunter – Chimera Ant.

Hunter x Hunter 2011 76 (15)

Hunter x Hunter 2011 #76

“Reunion × And × Understanding”

Antes de mais nada vale falar sobre a nova-velha abertura do anime a partir de agora. Com uma versão alternativa de Departure que já demonstra logo de cara o que vai ser daqui pra frente a série.

Se você já leu o mangá de Hunter x Hunter sabe que o tom utilizado em Chimera Ant é totalmente diferente do que se viu até agora. E a MadHouse parece que entendeu a proposta. Antes de falar do desenvolvimento do episódio em si é necessário dizer que o anime parece ter “recomeçado” a partir de agora. A direção mudou totalmente o foco. Tudo parece mais sombrio, com um clima mais tenso. Você pode não perceber em um primeiro momento até por esse episódio ter sido somente uma “introdução” e ao mesmo tempo uma transição entre Greed Island e Chimera Ant. Mas repare na trilha sonora, nas cores, na forma como os personagens são apresentados em cena.

Hunter x Hunter 2011 76 (5)Enfim. O meu grande receio seria a forma como introduziriam o Kaito (ou Kite, mas eu vou continuar chamando de Kaito porque sou desses) no meio da história. Até que o estúdio se virou tempo, mas senti falta do clima do acontecimento como no mangá. Enquanto no episódio Kaito e Gon parecem duas pessoas distantes – apenas conhecidas e apresentadas em um flashback que Gon nem ao menos se lembrava da cara do coitado – no mangá a relação dos dois é muito mais profunda. Kaito foi a pessoa que incentivou Gon a se tornar um Hunter, que contou a história de seu pai e que recebe Gon “de volta” em Chimera Ant com um sorriso de alegria e surpresa. Ao mesmo tempo que entendo o fato do anime ter usado essa “ferramenta” para introduzir o personagem, não consigo compreender porque modificaram esse pequeno detalhe de um cara tão importante para a história de Gon como um todo. Não adianta chorar, o que está feito, está feito.

Hunter x Hunter 2011 76 (7)Praticamente o episódio focou nesse encontro. Em toda explicação de Kaito sobre o plano de Ging. É, o Ging é praticamente um Aizen de Hunter x Hunter. Tudo está dentro do seu planejado. Não bastasse o fato dele ter criado Greed Island com os amiguinhos do intervalo ele também já sabia que o filho dele iria vencer aquilo. É um amor meio estranho esse pai, não? Ele quase matou o filho dele, mas tudo bem, o que importa é que ele agora é forte o suficiente… Me lembra Dragon Ball Z quando o Goku mandou o Gohan pra enfrentar o Cell: “Vai lá filhão, resolve a parada.” e depois ficou desesperado pra salvar o filho. Bem…

O fato é que depois que Gon ganhou o Greed Island e foi todo feliz pensando que iria encontrar o pai ele tomou um “Otário!” na cara e foi trollado. Mas gostei muito da forma como a ideia do papai foi contada no anime. O que acontece em duas páginas no mangá (volume 18, capítulo 185) é feito de uma forma muito bacana no episódio, mostrando todos os papos de Ging. Para alguns foi apenas uma perda de tempo, eu achei importante em um capítulo que a direção tentou enfatizar mais a ligação entre os personagens presentes ali. Usaram até o passado de Kaito aqui para forçar essa união…

Hunter x Hunter 2011 76 (2)Mas todo mundo quer saber do que? Isso mesmo, de formigas. A apresentação das formigas foi bem diferente do que aconteceu no mangá. Aqui Kaito é o responsável por explicar para Gon e Killua o que eram as Chimeras e salvá-los de serem atacados por algumas pequenas. Isso totalmente difere do que aconteceu no original quando Kaito está trabalhando em busca de novas espécies com uma equipe e acaba levando um “pedaço” de formiga para ser analisada pelo governo. Eu não sei o que farão aqui. Vão simplesmente deixar de lado isso? Acho que não, mas ainda teremos muitas mudanças nesse princípio.

Também vale dizer que logo no primeiro episódio já fomos saudados com a nossa Rainha, mamãe do nosso futuro Rei. E aqui a série soube contrabalancear muito bem os momentos e flashs que ela apareceu. Essa participação da Rainha será muito importante para o decorrer do arco e esse “cuidado” ao apresentá-la ao público muito me agradou.

Hunter x Hunter 2011 76 (12)No geral o primeiro episódio de Chimera Ant foi isso: uma adaptação que modificou mas que soube cruzar os dois pontos: o de saber que esse arco é totalmente diferente do resto da série e o de não tirar simplesmente “do ar” aquilo que já estava sendo apresentado até então. Assim como nos 75 episódios anteriores tivemos alterações comparadas com o mangá, seria óbvio que aqui também teríamos. Nesse começo a ordem dos fatores podem não atrapalhar tanto assim. Se eu quisesse ser fã xiita com certeza encontraria muitos mais defeitos (ou melhor, listaria, já que encontrar todos que compararem as duas obras vão perceber) mas como expectador do anime por si só gostei do resultado. Veremos como serão os próximos episódios. Chimera Ant não apresenta “felicidade”. É um arco dramático, triste e violento; chega a ser tocante de certa forma.

Hunter x Hunter 2011 76 (13)Ponto Forte: Direção melhor. Maior cuidado com as cenas “tensas”, com a mudança de clima do arco. “Nova” abertura condizente com o ambiente de Chimera Ant.

Ponto Fraco: Muitas (e muitas mesmo) modificações em relação ao mangá nesse início de arco. Aos interessados, leiam o volume 18, exato momento da transição de Greed Island para Chimera Ant.

 

por Dih

Dih

Dih

Paulistano, 28 anos, corintiano e fissurado em cultura asiática e pop. Formado em Design Gráfico na FMU. Atualmente é editor na Panini/Planet Mangá e cuida de títulos como One-Punch Man, MOB Psycho e Jojo's Bizarre Adventure.

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