Review – Ataque dos Titãs: Sem Arrependimentos

Review - Sem arrependimentosA Asa da Transformação.

Durante o evento Empório Fest no mês de março a Editora Panini anunciou o primeiro spin-off do sucesso Ataque dos Titãs. Que poucos sabem, mas se trata de mais um shoujo – publicado na revista Aria e responsável por multiplicar a tiragem da revista na época de seu lançamento -, mostrando a aposta da editora na demografia. Para manter o ritmo de um novo título por mês em 2015, foi lançado em abril Ataque dos Titãs – Sem Arrependimentos.

O mangá conta com Hikaru Suruga na arte e Gun Snark (Nitroplus) no roteiro, tendo como base o universo criado pelo autor da obra original, Hajime Isayama, e com a supervisão e colaboração do Comitê de Produção de “Ataque dos Titãs”. O roteiro explora o passado da história principal com foco em Levi, tornando-o um rico complemento ao título que teve origem.

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A HISTÓRIA

Sem Arrependimentos se passa anos atrás de sua série principal, e já começa explorando uma parte dentro das muralhas que não fora mostrada outrora. A história começa no subterrâneo da Capital Real, dentro da muralha Sina, com a perseguição de um trio de criminosos que utilizam o equipamento de manobra tridimensionais, Farlan, Isabel e Levi.

A migração para cidades subterrâneas foi mais uma das tentativas de proteção da humanidade no passado, mas o projeto foi abandonado e o que sobrou na cidade localizada abaixo da capital Real foram pessoas pobres e criminosos abandonados pelo governo, uma terra de ninguém.

O trio de criminosos estão habituados em fugir dos folgados da Polícia Militar, mas naquele dia a habilidade com o equipamento de manobra e a longa perseguição não estava sendo realizada pela polícia, mas sim pela Divisão do Reconhecimento – liderados por Erwin – levando uma equipe acostumada a atuar na parte externa da muralha para o local mais interno do que sobrou da humanidade. A missão era a de investigar aquele trio que possuía um equipamento militar e no final “convidá-los” à entrar para a Divisão de Reconhecimento.

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CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

Explorar o passado do universo de Ataque dos Titãs é algo que ocorreria cedo ou tarde, mas Sem Arrependimentos começa a explorar dessa forma com um dos personagens mais queridos da franquia, que é o Capitão Levi.

Na série principal existe todo o drama do treinamento de Eren, Mikasa, Armin e os demais, mas lá eles se voluntariaram para ingressar e passaram por todo o treinamento, até serem divididos para as divisões que tinham interesse e poderiam ser transferidos. Mas não é o que acontece com Levi.

O acordo imposto de forma até bruta por Erwin colocou Levi e seus companheiros criminosos de forma direta na Divisão de Reconhecimento, que era grande e respeitada. Atitude essa que foi duramente contestada pelos já integrantes da divisão, mas o treinamento e a convivência integrou os três à divisão, com conflitos e rivalidade.

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O ritmo da história é rápido – rápido até demais – mas mesmo assim o passado, o crescimento do Levi, e a importância que ele conquista dentro da divisão começam a se tornar visíveis na expedição para fora da muralha, que pela localização parece ser a que Eren e Mikasa observam no começo da série principal.

A arte do mangá é muito boa. Comparada ao original é até uma covardia. Vejo que a segmentação na demografia shoujo está mais na arte que no roteiro, com um comitê de produção para a franquia há pontos de semelhança com o mangá e, mais ainda com o anime de enorme sucesso.

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COMENTÁRIOS FINAIS

Ataque dos Titãs – Sem Arrependimentos é um mangá curto e que serve de bom aprofundamento no universo dos Titãs. Mesmo com apenas 2 volumes, é um complemento importante à história. Assim como o outro spinoff da série – Before The Fall 0, o universo criado por Hajime Isayama é muito amplo e pode ser ainda mais explorado.

A edição da Panini segue o padrão da série principal (papel um pouco mais grosso e branquinho), que é um bom padrão e está um pouco melhor do que o “comum”. Está realmente agradável de se ler. A tradução e a adaptação se mantém muito boas, a diferença é quem edita o título (Camila Cysneiros), diferente da série regular (Diego Rodeguero). Dois poréns na edição são: a lombada – é um mangá fino (168 páginas) mas existe tanta informação nela que a deixa feia – e a ausência do capítulo prólogo – que não existe também no tankobon original.

Para quem não acompanha o título regular (o que acho difícil, com o tamanho e o sucesso da franquia), é um mangá que pode se tornar dispensável. Mas o crescimento da franquia, com o filme e a série em live-action se aproximando, fará que quem não comprou se arrependa posteriormente.

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FICHA TÉCNICA

Sem Arrependimentos

Título: Ataque dos Titãs – Sem Arrependimentos
(進撃の巨人 悔いなき選択)

Autor: Hajime Isayama, Gun Snark e Hikaru Suruga
Editora: Panini
Total de volumes: 2 (concluído)
Periodicidade: Bimestral
Valor: R$ 12,90

Pontos Positivos

  • Explora o mundo da franquia;
  • Personagens conhecidos melhor explorados;
  • A arte, sobretudo capa e abertura de capítulos.

Pontos Negativos

  • A ausência do prólogo;
  • Poucos páginas;
  • Lombada.

Nota Volume 1: ★★★★

 

Asevedo

Designer de formação, atualmente sou Assistente editorial da Panini Mangá. Acumulo mangás e HQ's, que espero conseguir ler um dia. Assisto animes de vez em nunca.

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  • Marcos Correia

    Vai ficar até chato ver um manga com arte decente sobre o mundo dos Titãs.
    Porque se tem uma coisa que é ruim no manga principal é a arte.

  • Comprei ele e realmente achei muito bom, fiquei bem curioso pro último volume.
    Meu maior problema com ele foi a relação “preço x tamanho”. Ele é bem mais fino que a média normal, mas ainda assim teve o mesmo preço, mas fora isso é indispensável para quem já tem a série principal.

  • Thesis

    Já saíram OVAs sobre esse parte, certo? Sinceramente esse anime é a maior perda de tempo, enrolam episódios à fio e no fim…

  • Gabriela Bassi

    Eu comprei e achei a adaptação muito boa também, sem falar que a capa está linda.
    Aliás, fiquei muito feliz quando anunciaram esse mangá aqui, pq nem sonhava que teria esse spin-off em mãos :’)

  • Ane

    Não consigo gostar muito da história por causa do final :/

  • japadk

    Achei que se fossem trazer spin-offs trariam primeiro o before the fall, mas tanto faz, que venhaM mais titãs por aqui =).

  • João Ferreira

    Comprei, mas ainda não li.

  • Comprei. Sem arrependimentos.

    • Dih

      Ba-Dum-Tsssssssssss

  • Luís Cristiano

    Decepção do Ano

    Após assistir o anime Attack on Titan, a impressão que tinha de Levi Ackerman era que sua personalidade fosse uma mistura de Bruce Wayne, David Copperfield e Jim Graham de o Império do Sol. Durante todo mangá e anime tem se a impressão que Levi teve uma infância aristocrática. Sua mania de limpeza, sua postura arrogante, o lenço que usa como uma gravata curta indicavam isso. Então o autor tenta me convencer que como no filme Metrópolis por ter uma origem humilde, Levi viveu como um pária em uma cidade subterrânea.
    Durante o mangá Death Note acompanhamos a mudança facial de Light Yagame, de rosto infantil e ingênuo pra uma face sombria e doentia, já Levi aparece com sua características olheiras nos primeiros quadros. Ele é o que é e ponto final. Eu suponha que seu olhar caracterizava uma infância traumática aliada a mortes constantes de companheiros no batalhão de reconhecimento.
    Ele tem amigos de delinqüência, mas para mim a função deles é morrer nas próximas páginas. Certamente Levi trabalha em equipe, mas a função dele é de finalizar ou seja ele é um especialista em matar Titãs.
    O mais ridículo é ele querer realizar uma vingancinha contra o comandante “Steve Rogers”, sempre acreditei que amizade deles fosse baseada em uma relação de eqüidade pois ambos são bons no que fazem, a hierarquia fosse mera alegoria. Para mim a forma como Levi se tornou um oficial era algo como o retratado no filme Indianápolis de James Franco. Mas como dizem, houve infelizmente o efeito Tom Cruise, “o cara era foda, encontra um desafio e o supera e fica mais foda ainda”.
    Enfim para mim foi uma história feita as pressas.

  • Só a capa vale os R$ 12,90, muito linda. Primeira coisa quando tu abre o mangá é bater os olhos nos desenhos e ver um traço mais limpo do que o do Isayama, a diferença é grande, porém, veja bem, eu gosto do original, da um ar mais rústico haha.
    O legal é que não é apenas um spin-off criado para arrecadar dinheiro, ele realmente incrementa o universo, assim acredito, torna-o indispensável.

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