Review – ‘Last Notes’ e as aparências que, literalmente, te enganam

O novo título da Panini vale?

Para muitos, o volume introdutório de uma série é o que define se a obra vira uma coleção ou não, mas as vezes só julgar pelo primeiro volume não é o suficiente. E é por isso que estou aqui. Dessa vez, falarei do mangá Last Notes na íntegra, não apenas em seu volume de estreia. E, acreditem, para essa série é mais do que necessário.

Apostar que o assunto abordado no primeiro volume da trama é o definirá a série por completo é um terrível… erro. Para se ter uma breve noção, ao terminar a leitura do volume inicial eu tinha certeza da minha resposta para o famoso “colecionarei ou não?“. Parecia óbvio, já tinha estabelecido uma opinião sobre; isso até ler a obra inteira.

A HISTÓRIA

Haru e Aki são donos de uma loja de aparência velha e não muito comum. Ela vende apenas uma coisa: um tipo especial de incenso que, quando queimado, permite ao usuário ver e falar com o espírito da pessoa morta que aparece na fumaça. Cada cliente tem um motivo diferente para chamar os mortos, e como eles usam esta oportunidade incomum só diz respeito a eles.

COMENTÁRIOS GERAIS

Last Notes é um mangá shoujo de Kanoko Sakurakoji (Black Bird) que foi publicado na revista Betsucomi, da editora Shogakukan, no ano de 2013. A série foi concluída com apenas 13 capítulos, sendo distribuídos em 3 volumes. Em abril desse ano, a editora Panini anunciou o título junto de Hal, de Umi Ayase, ambas obras da mesma demografia e bem curtinhas. Para completar, o título será bimestral com o preço de R$13,90.

O título traz uma proposta que dá a entender que a trama focará em Haru e Aki, os dois irmãos que tem uma loja de incensos onde um de seus produtos permite rever alguma pessoa já falecida. O primeiro volume todo gira em torno disso. O capítulo introdutório, inclusive, é uma ótima jogada para tentar fisgar o leitor: a protagonista que aparece no capítulo não é, de fato, a heroína; o início do mangá poderia ser facilmente classificado como um “extra“, já que a trama só se desenrola a partir do segundo capítulo – quando a verdadeira mocinha aparece e me desaponta quase que completamente. Basicamente, só analisando por tal volume poderia descrever o título como o “×××HOLiC” dos shoujos, onde Aki e Haru, juntos de sua loja, ajudam aqueles que buscam o contato com o sobrenatural.

A transição do primeiro para o segundo volume é confusa. Apesar de estar ciente do que estava acontecendo ali, ao mesmo tempo era como estar acompanhando um mangá diferente. É engraçado. Se no começo acompanhamos e acreditamos que haverá um desenvolvimento girando em torno da tal loja de incensos, no segundo volume nos deparamos com um shoujo colegial comum. O palco do espetáculo parece mudar de lugar e de repente o que interessa para a autora é falar sobre o dia a dia da protagonista na escola, seus conflitos em fazer as primeiras amizades e de vivenciar o primeiro amor ao lado daquele que parece ser o cara mais popular do local. E para completar, o tema abordado lá atrás não volta mais a ter os holofotes; é como se, de uma hora para a outra, a Sakurakoji decidisse que o que foi mostrado é o suficiente e o que ficou confuso ela pode encaixar entre uma página ou outra, porém sem muitos detalhes.

Resumindo: é um choque de ideias, essas que não se conciliam, não casam, é como se a mangaká estivesse perdida dentro da própria criação.

Com relação aos personagens, devo dizer que tive algumas desilusões. Como citei anteriormente, o mangá não apresenta a protagonista logo de cara, mostrando uma mulher na introdução que tem personalidade forte, destemida e que se mostra corajosa mesmo diante dos desafios. Já Emiru, a verdadeira personagem principal, é completamente o oposto; ela sofre preconceito na vila onde mora e acaba na posição de “vítima“, traço de sua personalidade que se arrasta por toda a trama. Não sendo suficiente, a autora também cria a característica de ser amada por todos, mesmo que não tenha nada de realmente especial. Aki, um dos irmãos, é aquele que desde o primeiro momento mostra interesse em Emiru, porém, tem atitudes bem suspeitas com a mesma, podendo ser confundidas com atitudes maliciosas – e que, apesar de serem bem frequentes no primeiro volume, se acalmam conforme o mangá passa. E, por fim, temos Haru, o outro irmão; a participação dele tem uma importância quase nula e assim segue até a metade da história – ou até a autora lembrar que é necessário dar algum destaque ao personagem. Então, depois de passar vários capítulos nas sombras, Sakurakoji finalmente o usa para efeito… fanservice! Isso mesmo, o famigerado recurso para tentar “segurar a audiência“.

Só para não dizer que não há nada que mereça algum mérito, devo admitir que a autora saber usar o recurso do “flashback“. Em algum momento, ele aparece para quebrar o clima todo colegial e mostrar a sólida relação de Aki e Haru. Infelizmente é uma passagem curta, porém muito bonitinha. Além disso, há o traço da autora que consegue ser um ótimo colírio para os olhos, sendo perceptível a evolução desde Black Bird, mas sem perder a identidade que a mesma criou entre o nicho.

CONCLUINDO

Inicialmente há um plot que atrai sim, mas que não é bem aproveitado. Provavelmente teria tido mais simpatia por ele se a protagonista não ocupasse o papel da donzela em perigo o tempo, se ela mostrasse uma personalidade destemida, mas não foi assim. Além do mais, muitas perguntas ficaram no ar sem respostas, até mesmo uma que cercava Emiru desde sua aparição, o que me deixou com a impressão de série cancelada. O mangá como um todo aparenta ter sido planejado para algo maior, não apenas três volumes, fazendo com que ele fosse comprometido por inteiro – inclusive seu final.

Confesso que foi uma leitura pouco satisfatória para mim, porém isso não impede que outras pessoas venham a gostar da obra. A autora volta a utilizar recursos que estavam presentes em Black Bird, o que me faz acreditar que os fãs da obra possam vir a dar uma chance para Last Notes.


LAST NOTES

Autora:  Kanoko Sakurakouji
Editora: Panini Comics; Preço: R$13,90
Periodicidade: Bimestral
Total de volumes: 3 edições (completo)
Lançamento

Miyuki

Tão normal, nem parece otaku. A louca das webcomics. Segue o mantra de ler e assistir de tudo um pouco (menos o que for terror, por favor). Tem um vício novo a cada mês e surta horrores na conta pessoal no Twitter.

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