Caçando Sucessos – ‘Dungeon Meshi’, uma fantasia gastronômica

Onde a gastronomia é, literalmente, fantástica.

A ideia dessa coluna surgiu há pelo menos quatro meses, enquanto procurava saber sobre o desempenho de um determinado mangá. Ele ganhou as mais variadas adaptações, o que me fez ocorrer aos números da Oricon, de uma época anterior aos tais anúncios; a resposta acaba sendo óbvia para quem sabe analisar certos fatores – número de vendas, demografia, revista e editora – e, as vezes, o sucesso está bem ali, só basta observar.

SOBRE A COLUNA

Nessa coluna comentarei com muitos detalhes – técnicos, principalmente – sobre diversas séries que ainda não ganharam suas adaptações em anime ou live action, mas que estão muito próximas disso. Também adicionarei alguns comentários pessoais referentes a história, porém, isso não é uma resenha. Esse tipo de post ainda está em construção, por isso ele pode sofrer alterações conforme o tempo; perdoem a redatora, mas essa coluna definitivamente está tentando buscar o público-alvo que:

  • Tem milhões de mangás para ler, mas não quer perder tempo com aquilo que é ruim. Podemos recorrer a sites como MAL ou Baka Updates, porém informações de venda, prêmios, de destaque, sempre serão bem-vindas;
  • O fulano do “eu odeio modinha”. Sim, esse post é para você! Com ele você pode jogar na cara do resto dos otakus que conheceu uma determinada série antes de virar anime! Incrível, não?;
  • EDITORAS! As editoras com certeza não querem perder dinheiro com aquilo que é floop e, as vezes, elas se dão conta que o ouro está ali do lado quando já é tarde demais, ou seja, quando aquele título da grana certa acaba sendo pega pela concorrente! Um absurdo. Por isso, fiquem de olho aqui, nós espalharemos a palavra do sucesso.

A OBRA

Dungeon no Meshi é publicada pela revista Harta, da Enterbrain. Who? Exato. Hoje a revista de mangás com o maior de unidades em circulação é a Shonen Jump; só entre os meses de janeiro a março, as edições publicadas chegaram aos quase 2 milhões de cópias impressas no total – ou cerca de 140 mil unidades por edição. Além de todo um processo severo que a Jump tem com seus títulos – o famigerado “Table of Contents” -, o número de vendas das séries precisa ser equivalente ao que a revista lança no mercado, por isso não é raro ver a mesma cancelando diversos títulos todos os anos. Vender 50 mil por volume de um mangá publicado na Shounen Jump é sinal de fracasso. Mas, para a Harta não seria, aliás, seria ainda maior do que a própria revista consegue alcançar.

A Harta é publicada apenas 10 vezes no ano. No passado já se chamou Fellows! – que inclusive teve um sucesso recente, Sakamoto Desu ga? -, mas mesmo mudando de nome e tema da casa a publicação não mudou sua colocação no mercado. Atualmente o número de circulação por edição é de 20 mil unidades, de acordo com o site oficial da própria Enterbrain. Na primeira semana de estreia do volume #1 de Dungeon Meshi a série vendeu, nada mais, nada menos, que 50 mil unidades e, claro, não parou por aí. Junto de Otoyomegatari, de Mori Kaoru, a obra acaba sendo o grande ouro para a revista. Precisa de mais? O gráfico abaixo mostra as vendas e aparições no ranking da Oricon e o resultado é bem impressionante.

COMENTÁRIOS

Depois de ter sua irmã devorada por um dragão e perder todos os seus suprimentos em uma incursão de masmorra fracassada, Lyos e sua party estão determinados a salvar sua irmã antes que ela seja digerida. Completamente quebrados e tendo que recorrer a comer monstros como alimento, eles encontram um anão que irá apresentá-los para o mundo de dungeon meshi – deliciosas comidas feitas a partir de ingredientes como a carne de morcegos gigantes, cogumelo pé, ou mesmo mandrakes gritantes.

Eu poderia perder muito tempo aqui falando novamente de Dungeon Meshi, sendo que já foi feito em um post de recomendações lá atrás, aqui mesmo no Chuva de Nanquim. Poderia, porque esse mangá é realmente incrível. É uma obra que consegue ter a dose certa de comédia, uma pitada de drama, uma mágica pra quem gosta de fantasia e muitos elementos de um universo de aventura que te prendem do começo ao fim. Talvez muitos observem e apenas digam que o mangá é mais um Toriko da vida, mas passa muito longe. Apesar de ser ambientada em um mundo fantástico, Dungeon Meshi é uma série que consegue ter personagens muito mais “humanos” do que qualquer um dos mangás de culinária bizarra que você já tenha visto. Talvez esta seja a fórmula para manter o sucesso da série: uma aproximação com o expectador dos personagens, de forma que você se apegue e queira fazer parte daquilo tudo. Isso sem falar nas comidas, que por mais bizarras que pareçam, te deixam com água na boca ao melhor estilo Shokugeki no Souma.

Resumindo: é um mangá para aqueles que gostam deste novo hype por séries de culinárias. Ao mesmo tempo, uma obra que vai te arrancar gostosas gargalhadas mesmo quando você não imagina que quer rir com ela. Empolgante, diferente e muito original. Dungeon Meshi tem elementos que a tornam de fácil entrada pra qualquer leitor de mangás ou HQs que queiram começar com algo que foge dos padrões de battle shounen, ou de algo “japonês demais”. Como dito lá em cima, isso não é uma resenha. Mas é um mangá digno de uma qualquer dia desses.

PREMIAÇÕES

Não satisfeito em dominar a Oricon com seus quatro volumes, a série mostrou que veio para se destacar. No ano de 2015, em seu ano de estreia, entrou para a lista dos 100 mangás mais vendidos por volume, ocupando a 87ª posição, com a vendagem do volume #1 no total de 315,298 mil unidades. Sorte de iniciante? Ah, quem dera. Aconteceu o mesmo com o terceiro e o quarto volume; o 50º mangá mais vendido no Japão em 2016 com 565,566 mil unidades e o 19º mais vendido nos seis primeiros meses de 2017 com 561,908 mil cópias vendidas, respectivamente.

Além de todo o sucesso em vendas, Dungeon Meshi também ganhou destaque na mídia japonesa. Em 2015, a revista Da Vinci listou os 50 melhores mangás – com base não só em vendas, mas na opinião de escritores, de funcionários de livrarias e também dos leitores da própria revista -, fazendo com que o título aparecesse na 13ª posição. Não parou por aí. A Da Vinci o colocou na lista novamente em 2016, ocupando a 15ª posição. Na edição de 2016 de Kono Manga ga Sugoi!, ficou em primeiríssimo lugar na categoria de “mangás para o público masculino”. Isso se repetiu novamente na edição de 2017, ocupando uma posição mais humilde, o sexto lugar.

Para finalizar, foi nominado ao Manga Taisho Awards desse ano, porém perdeu o prêmio para a série “Hibiki: Shousetsuka ni Naru Houhou”, de Mitsuharu Yanamoto; vale destacar que Dungeon Meshi alcançou o que poderia chamar de “terceiro lugar” na competição.

O MANGÁ PELO MUNDO

Em outubro do ano passado a editora norte americana Yen Press anunciou cinco novos títulos para o mercado, incluindo a obra de Ryouko Kui. “Delicious in Dungeon” foi lançado em março desse ano e a previsão é de que os outros dois encadernados estejam a venda até novembro; caso tenha interesse, você pode comprar pela Amazon brasileira clicando AQUI!

A obra ainda foi licenciada em outros países, sendo eles a França, a Espanha e Taiwan. Ou seja, uma negociação do título deve estar disponível – a indireta foi para vocês, editoras.

Miyuki

Tão normal, nem parece otaku. A louca das webcomics. Segue o mantra de ler e assistir de tudo um pouco (menos o que for terror, por favor). Tem um vício novo a cada mês e surta horrores na conta pessoal no Twitter.

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  • Galadriel

    Miyuki, você é meu animal espiritual, kkkkk. Essa descrição que você fez de você mesma parece eu.

  • Fabio Anderson

    A premissa é bem diferente, acho que vou conferir os primeiros capítulos e ver no que se desenrola.